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Pesquisa paraibana aponta melhorias na produção de carnes de caprinos e ovinos no Semiárido 

terça-feira, 2 de junho de 2015 - 10:49 - Fotos: 

Uma pesquisa realizada pela Emepa, empresa integrante da Gestão Unificada Emater/Emepa/Interpa, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca, mostra que é possível produzir carcaças de caprinos e ovinos com excelente qualidade. Na pesquisa, realizada no projeto Agrocapri, foram produzidos cordeiros e cabritos super precoces, com média de 80 dias de idade ao abate, que apresentaram carnes mais saudáveis, com pouca gordura e mais saborosas.

O sistema de produção utilizado foi o creep feeding (tecnologia que beneficia as crias durante o período de amamentação) e apresentou animais super precoces, abatidos com no máximo 90 dias de nascidos. Os resultados da pesquisa mostraram que os animais mais jovens têm uma carne excepcional, com uma quantidade de músculo e gordura adequada para uma carcaça satisfatória para o mercado.

Os animais criados no sistema de creep feeding foram desmamados com 50 dias de nascidos. Ao sair do desmame, os animais continuaram no sistema e com mais 30 dias foram abatidos.

A boa qualidade da carne se dá devido à idade do animal. A gordura, que produz um cheiro mais forte na carne de caprinos e ovinos, se acentua quando o animal está com uma idade mais avançada. Como eles ainda não entraram na puberdade, não produzem os hormônios que dão o sabor e o cheiro mais acentuados. Além disso, torna a carcaça dos animais mais saudável e com menos gordura.

A pesquisa foi feita com uma amostra de aproximadamente 30 animais, envolvendo ovinos das raças Santa Inês, mestiço de Dorper com Santa Inês, ¾ de Dorper com ¼ Santa Inês, e caprinos mestiços da raça Boer com mestiço da raça Savana. O peso vivo ao abate dos cordeiros variaram 18kg a 26kg e dos cabritos de 14kg a 18kg.

Todo o sistema de produção de caprinos e ovinos do Agrocapri é trabalhando com essa tecnologia. Entretanto, com o objetivo de identificar idade e peso ideal para o abate, alguns animais vão para o sistema de terminação para produzirem uma carcaça mais pesada. Esse sistema se baseia nos princípios de genética e de alimentação.

Segundo o coordenador do Agrocapri, Wandrick Hauss de Sousa, os resultados da pesquisa foram excelentes. A carcaça dos animais precoces é produzida para um mercado consumidor que prefere carne diferenciada. “Esta é mais uma opção que a pesquisa do Agrocapri está ofertando dentro do sistema de produção, que tem como foco estabilizar a oferta de carnes realizando três partos em dois anos. Verificou-se também que é possível produzir no Semiárido um produto com características excepcionais e semelhantes às que são feitas em outros países.

Na busca por aperfeiçoar essa produção, o pesquisador Felipe Cartaxo vai repetir outros experimentos, que incluem dietas e rações mais baratas, com o objetivo de diminuir os custos. Porém, do ponto de vista biológico, a pesquisa apontou que é possível produzir carnes de excelente qualidade no Semiárido nordestino.

A pesquisa, financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), é realizada em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).