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Penitenciária Geraldo Beltrão realiza mostra com trabalhos de reeducandos

sábado, 15 de junho de 2013 - 09:54 - Fotos:  Walter Rafael/Secom-PB

Pedaços de sabão transformados em obras de arte e pequenos fragmentos de papel com dobras diferentes e desenhos complexos em verdadeiros origames japônes. Estes foram alguns dos produtos expostos pelos reeducandos na I Mostra Cultural realizada na tarde dessa sexta-feira (14), na Penitenciária de Segurança Máxima Geraldo Beltrão, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa.

A iniciativa da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), por meio da Gerência de Ressocialização, faz parte do calendário escolar dos 248 internos, que puderam realizar apresentações musicais com violão e coral aprendidos durante as aulas do Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), bem como degustar comidas típicas para reviverem os festejos juninos.

De acordo com o diretor da Penitenciária Geraldo Beltrão, João Rosas, esta é uma ação positiva que tem o objetivo de valorizar o trabalho de cada reeducando e identificar talentos. “Muitos se destacaram aqui dentro com habilidades manuais em cerâmica, argila, sabão e palitos. Além disso, tem aqueles que preferem as atividades esportivas, que também damos oportunidade com diversos torneios de futebol de areia. Mais uma novidade será o vôlei de areia até o final do ano”, destacou o diretor.

Para o reeducando Jean da Silva, que está na penitenciária há seis meses e daqui a duas semanas passará ao regime semi-aberto, as atividades são uma das principais “janelas” para a reinserção social, aliada ao conhecimento e aos estímulo aos dons artísticos. “Para não ficar na ociosidade, comecei fazendo dobras diferentes no papel e, juntando aos poucos, aprendi o que era origami. Hoje já faço móbiles e até vasos de flores e me sinto muito feliz por estar tendo meu trabalho valorizado. Isso me estimula a voltar a ter uma vida digna lá fora ”, disse o reeducando.

A gerente de Ressocialização da Seap, Ziza Maia, disse que um dos pilares para reinserção social é a educação que vai além dos trabalhos em sala de aula, principalmente com atividades extracurriculares e cursos profissionalizantes. “Esta é uma soma de esforços para que o reeducando tenha maior inclusão, participação, elevação da autoestima e do reconhecimento da sua cidadania, mesmo estando longe da vida em sociedade. Eles se sentem importantes enquanto ator social”, informou Ziza.

Para a coordenadora de Educação nos Presídios, professora Eliane Aquino, além da educação tradicional do Ensino Fundamental e Médio, bem como para os processos seletivos como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o foco se deu para a interdisciplinaridade dos assuntos estudados na parte teórica. “Tudo isso foi fruto de um trabalho realizado em sala de aula com o tema ‘Identidade e Cultura’ e o interesse deles mostra que deu certo. Outro benefício será a venda desses produtos a partir do dia 20 de junho no Salão do Artesanato pela segunda edição consecutiva”, informou a professora, destacando que a renda adquirida com os produtos vendidos é revertida para a família de cada artesão.

Ainda na Capital, a mostra será realizada na Penitenciária Flósculo da Nóbrega (Roger), nesta segunda-feira (17), a partir das 15h. Muitos presídios do Estado já tiveram a mostra e outras ainda devem receber até o final do mês.