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Participantes da I Reunião Climática prevêem como será o clima no Nordeste

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 - 10:11 - Fotos: 

O prognóstico para o período de janeiro a março de 2010, no setor norte do Nordeste, indica a tendência de chuvas variando de normal a abaixo da média histórica e temperaturas mais altas de 1 e 2ºC sobre toda a região.

A previsão foi repassada, semana passada, pelos meteorologistas que participaram da I Reunião de Análise e Previsão Climática, realizada pelo Governo do Estado da Paraíba, através da Agência Executiva de Gestão das Águas (AESA), em Campina Grande.

Durante o evento, que reuniu mais de 150 técnicos e pesquisadores dos principais centros de monitoramento meteorológico do País, foram discutidos diversos temas como: Gestão de Recursos Hídricos, Seca e Agricultura, que apontaram também para uma variabilidade espacial e temporal dos índices pluviométricos, o que significa que em algumas localidades poderão ocorrer uma quantidade de chuvas maior do que outras.
 
A previsão foi documentada num relatório que pode ser conferido a seguir:

RELATÓRIO DA I REUNIÃO DE ANÁLISE E PREVISÃO CLIMÁTICA PARA O SETOR NORTE DO NORDESTE DO BRASIL – ANO 2010

Campina Grande, 17 de dezembro de 2009.

Introdução

No período de 15 a 17 de dezembro de 2009 realizou-se, nas dependências da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba – FIEP, a I Reunião de Análise e Previsão Climática para o setor norte do Nordeste do Brasil – Ano 2010. Foram analisadas as condições regionais da pluviometria e globais dos oceanos e da atmosfera, assim como os resultados de modelos numéricos de previsão climática sazonal, visando elaborar o prognóstico climático para o trimestre que vai de janeiro a março (JFM) de 2010 sobre o setor norte do Nordeste.

A reunião contou com a participação de meteorologistas dos Centros Estaduais de Meteorologia e de Universidades do Nordeste, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O evento teve também a participação, via internet, de  meteorologistas do CPTEC/INPE  em Cachoeira Paulista/SP e INMET, assim como de usuários em diversos pontos do Brasil.

Comportamento da precipitação em novembro de 2009

Climatologicamente o mês de novembro é um período de chuvas escassas na Região Nordeste do Brasil, principalmente no setor norte. Os desvios negativos de precipitação mais acentuados, superiores a 200mm,  foram observados no oeste Baiano, enquanto que nas demais áreas da Região, os índices ficaram dentro da normalidade. Durante este mês não houve a atuação de sistemas atmosféricos que gerassem chuvas de maior intensidade. A Figura a seguir mostra os campos da precipitação observada, climatologia e a anomalia de precipitação referente ao mês de novembro de 2009.

Análise e previsão das condições oceânicas e atmosférica

Os dados observados mostram a continuidade da fase quente do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) no Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno encontra-se  na sua fase madura, porém com intensidade moderada. A maioria dos modelos mostra que o El Niño pode permanecer até o trimestre maio-junho-julho de 2010.

No Oceano Atlântico Tropical Sul observa-se a Temperatura da Superfície do Mar (TSM) próxima a normalidade, enquanto que no Atlântico Tropical Norte há predomínio de anomalias positivas.

Desta forma, para o período de janeiro a março de 2010, a maioria dos modelos climáticos indica tendência de chuvas variando de normal a abaixo da média histórica sobre o setor norte do Nordeste. Para a região que abrange o norte dos estados do Maranhão e Piauí, bem como os estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba a distribuição de probabilidades é: 25% acima, 40% normal e 35% abaixo da média.

No restante da região Nordeste (Pernambuco, Alagoas, Sergipe e norte da Bahia) a previsão probabilística indica tendências de chuvas dentro da normalidade. Com relação à temperatura do ar, a tendência é de anomalias positivas entre 1 e 2ºC sobre toda a Região Nordeste.

Considerações complementares sobre o prognóstico

É importante ressaltar que o semiárido nordestino tem como característica alta variabilidade espacial e temporal dos índices pluviométricos. Isto significa que algumas localidades poderão receber uma quantidade de precipitação maior do que outras.
Nas condições atuais, poderão ocorrer com maior freqüência períodos curtos sem chuvas (veranicos). Deste modo, recomenda-se o acompanhamento das previsões diárias de tempo, análises e tendências climáticas semanais e mensais.

Observação: Durante a reunião, foi realizada uma vídeo-conferência com os técnicos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE em Cachoeira Paulista e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em Brasília.

Participantes

- Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba – AESA;
- Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – CPTEC/ INPE;
- Centro de Ciência do Sistema Terrestre – CCST/INPE;
- Defesa Civil do Estado da Paraíba;
- Departamento de Meteorologia da Secretaria de Recursos Hídricos de Alagoas – DEMET/SEMARH;
- Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba – EMATER;
- Empresa de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO;
- Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte – EMPARN–RN;
- Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S.A. – EMEPA;
- Faculdade de Ciências e Tecnologias da Bahia – FTC;
- Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, FUNCEME-CE;
- Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba – FAPESQ;
- Instituto Federal da Paraíba – IFPB;
- Instituto Nacional de Meteorologia – INMET – 3° Distrito de Meteorologia– Recife/PE
- Instituto Nacional de Meteorologia – INMET – Sede – Brasília/DF;
- Instituto Nacional do Semi Árido – INSA;

- Laboratório de Meteorologia de Pernambuco – Instituto Tecnológico de Pernambuco – LAMEPE/ITEP – Recife-PE;
- Secretaria de Estado da Infra Estrutura;
- Secretaria de Estado da Interiorização da Ação do Governo;
- Secretaria de Estado do Meio Ambiente dos Recursos Hídricos e da Ciência e Tecnologia – SEMARH;
- Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE;
- Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas/Universidade Federal de Campina Grande – UACA/UFCG;
- Universidade Estadual da Paraíba – UEPB;
- Universidade Federal da Paraíba – UFPB;
- Universidade Federal de Campina Grande – UFCG;
- Laboratório de Meteorologia – Universidade Federal do Vale do São Francisco/ UNIVASF.
- Universidade Federal Rural do Semi Árido – UFERSA;