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29 de junho de 2009

Paraíba tem posição de destaque na produção de energia eólica no País



O parque eólico brasileiro está em franco desenvolvimento e a Paraíba vem se tornando um grande produtor de energia eólica, podendo ocupar em breve posição de destaque no ranking nacional. Atualmente, o Rio Grande do Sul e o Ceará lideram na produção, com os respectivos 1º e 2º lugares. Esse tipo de energia é obtido com os deslocamentos de massas de ar, gerados pelas diferenças de temperatura na superfície da Terra. Na Paraíba, o grupo australiano Pacific Hydro planeja implantar um terceiro projeto no Litoral Norte.

Os investimentos da Pacific Hydro nos dois primeiros projetos instalados em Mataraca somam pouco mais de R$ 300 milhões. O grupo atua na Austrália (sede), Chile, Filipinas, nas Ilhas Fiji e no Brasil, totalizando hoje 448 mega watts de capacidade instalada, em operação.

Usinas na PB – Os dois primeiros empreendimentos da Pacific Hydro já estão em funcionamento no município de Mataraca, distante 92 quilômetros de João Pessoa. A Usina Millennium, com 13 aerogeradores, foi inaugurada em abril de 2008 e tem capacidade de gerar 10.2 megawatts de potência. A Usina Vale dos Ventos, com 60 aerogeradores, está em fase final de implantação, mas já produz energia. Sua capacidade é de 45 megawatts. Os dois empreendimentos estão implantados na praia Barra de Camaratuba (PB), divisa com Baía Formosa (RN).

Em entrevista à reportagem de A União, Mark Argar, gerente geral da Pacific Hydro Energia do Brasil, afirmou que o Parque Eólico Millennium e a Usina Vale dos Ventos podem produzir 147 gigawatts/h por ano a partir da capacidade instalada de 58 mega watts. A produtividade depende da existência de bons ventos.

A Fazenda Eólica Millennium é o primeiro parque de geração de energia eólica da Paraíba. O empreendimento é o primeiro do gênero no Brasil instalado pela empresa australiana Pacific Hydro. A energia produzida complementa a demanda na região de Mataraca e tem capacidade para atender 40 mil residências e evitar a emissão de 30 mil toneladas de gases com efeito de poluição. A usina de energia eólica Vale dos Ventos, a ser inaugurada, tem 60 torres e vai gerar 45 megawatts.

A energia produzida é adquirida pela Eletrobrás, que redistribui com municípios através de convênios com a Energisa. Os aerogerados têm vida útil de 50 anos e com 25 anos de uso serão submetidos a uma reavaliação e manutenção geral. As torres de concreto, instaladas a 200 metros de distância uma da outra, têm 80 metros de altura e hélice de fibra e metal com 48 metros de diâmetro e base com 20×30 metros.

Com Maranhão – Mark Argar afirmou que dias após o governador José Maranhão tomar posse, o embaixador da Austrália no Brasil, Neil Muller, o visitou e os dois conversaram sobre os projetos. Ficou acertado que em breve haverá um encontro dos dirigentes da Pacific Hydro com o chefe do Executivo estadual. Por ocasião da inauguração da Usina Vale dos Ventos, a Pacific Hydro convidará o governador, o prefeito de Mataraca, João Madruga, e outras autoridades paraibanas, para participarem da solenidade. Na inauguração da Fazenda Millennium em abril de 2008, o presidente mundial do grupo australiano, Robert Grant, esteve presente.

No Brasil, além da Paraíba, o grupo australiano tem projetos em desenvolvimento nos Estados do Rio Grande do Sul, Ceará e Rio Grande do Norte e ainda a perspectiva de novos empreendimentos aqui no Estado. Mark Argar afirmou que a existência de bons ventos no Litoral paraibano o ano todo influenciaram na decisão do grupo em investir na Paraíba.

O Governo da Paraíba colaborou com a implantação da Fazenda Millennium e da Usina Vale dos Ventos, através das ações da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), que fiscalizou de maneira profissional ajudando na viabilidade dos projetos. Mark Argar revelou que “o governo foi aberto e houve ainda a colaboração da Prefeitura de Mataraca”.

Ele observou que a Pacific Hydro “implementou o projeto na Paraíba com bastante tranqüilidade e se temos oportunidade de fazer mais um projeto vamos fazer, não vejo nenhum obstáculo, seria um prazer desenvolver outro projeto e foi um bom início para nossa empresa aqui no Brasil”, revelou o gerente geral.  É provável que o novo projeto seja habilitado no leilão da Eletrobrás no próximo dia 29 deste mês. O empreendimento também seria implantado no Litoral Norte do Estado.

Vale dos Ventos – A Usina Vale dos Ventos ainda não tem data para ser inaugurada. No momento, o projeto já está gerando energia, mas faltam alguns detalhes como a assinatura de um aditivo com a Eletrobrás para finalizar o contrato também com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério das Minas e Energia. O Contrato de Compra e Venda com a Eletrobrás estabelece que a Pacific Hydro gera e entrega por ano uma quantidade definida de energia eólica.

O contrato com Governo Federal é através do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). O governo brasileiro projeta aumentar as energias renováveis no País para 10% até 2020.

Desenvolvimento sustentável – Uma das políticas da Pacific Hydro diz respeito aos cuidados com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável das comunidades onde os projetos são implementados. “Nossa política nos guia para identificar todos os impactos ambientais antes de fazer qualquer tipo de obra”, revelou Mark.

A empresa tem procurado desenvolver programas sustentáveis a partir do relacionamento com as comunidades. São programas ligados às comunidades, aos governos federal, estadual e municipal, “sem que a Pacific Hydro precise continuamente fornecer dinheiro e consiga plantar uma semente, para que as comunidades possam caminhar sozinhas e desenvolver novos projetos a cada quatro, cinco anos”, concluiu.

Josélio Carneiro, com fotos de Ernane Gomes, da Secom-PB