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19 de maio de 2009

Paraíba será pólo de irradiação de conhecimento para a região Nordeste



A Secretaria de Estado da Saúde (SES) reuniu na manhã desta quarta-feira (19), no auditório do Hotel Caiçara, em João Pessoa, representantes da Rede Estadual de Bancos de Leite Humano, composta por cinco unidades e 13 postos de coleta. O encontro contou com a participação do coordenador nacional da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, João Aprígio Guerra de Almeida. Ele, que é responsável pelo programa brasileiro e ibero-americano de bancos de leite humano, destacou que os investimentos iniciais na Paraíba são para torná-la uma vitrine de formação de recursos humanos e de desenvolvimento de tecnologia para redução da mortalidade neonatal.

Ele falou que a Paraíba tem uma rede de bancos de leite humano que merece todo o respeito. Por isso, a rede nacional escolheu o Estado para iniciar a qualificação dos profissionais que trabalham no setor. “O que precisa na rede é o aprimoramento, ampliação e qualificação em termos de potencial tecnológico”, argumentou. O coordenador nacional da rede de bancos de leite humano destacou que o Estado será um pólo de irradiação de conhecimento para a região Nordeste e continentes que estão implantando bancos de leite humano, como é o caso da América Latina, Caribe e países africanos de língua portuguesa, que vêm procurar a qualificação brasileira.

Pela história e trajetória na área, a Paraíba se tornará modelo em um curtíssimo espaço de tempo. “Nós trazemos para esse evento um projeto de ampliação e qualificação da rede de bancos de leite humano no Estado, que ganhará mais três bancos e implantará o sistema web de leite humano nos cinco bancos de leite e 13 postos de coleta”, anunciou.

Novas unidades – Segundo João Aprígio Guerra, o primeiro do projeto e próximo banco de leite humano da Paraíba será construído e equipado até o segundo semestre deste ano e a previsão de funcionamento dos demais é para julho do próximo ano, conforme escalonamento da SES, em um investimento na ordem de até R$ 250 mil destinados a construção, equipamentos e qualificação de mão-de-obra.

Em termos de benefícios, ele destacou que superior aos investimentos financeiros, a Paraíba ganhará com o potencial tecnológico que será aportado com a qualificação de recursos humanos a fim de ser mais resolutivo nas ações conduzidas.

O projeto da rede nacional prevê ainda para a Paraíba a construção de um sistema de informação com a implantação e disponibilização do BLH Web em todos os bancos de leite humano com o objetivo de coordenar os 13 postos de coleta. O sistema existe hoje apenas no Banco de Leite Humano Anita Cabral.

Controle de qualidade – A vantagem do sistema, segundo João Aprígio, é a garantia da qualidade. “Nós temos o direito de cometer qualquer tipo de impropriedade, menos de errar. Dessa forma, qualidade para nós é neurocompulsividade. Temos que garantir que o sistema esteja sempre bem operado. “A Paraíba já tem um excelente sistema de controle de qualidade, o que estamos trazendo para o Estado é o controle do controle, ou seja, o controle externo da qualidade. Vamos fazer o controle do sistema de controle de qualidade que já é praticado, dentro de um processo a médio e longo prazo. Se conseguir, o Estado receberá uma certificação na área”, disse.

Segundo Aprígio, dentro de dois anos, a Paraíba receberá a certificação pelo programa ibero-americana de certificação de qualidade em bancos de leite humano. Essa iniciativa qualifica ainda mais a atenção neo-natal no Estado em termos de alimentação e nutrição. “Iremos ampliar a oferta de leite em 840 litros com qualidade certificada para todos os bebês que nascem e precisam de cuidados intensivos e semi-intensivos nos hospitais da Paraíba”, pontuou.

O leite mais rico – O leite do final da mamada é mais rico em gordura, em proteína e mais calórico, e o leite de início da mamada tem menos gordura, mas é rico em imunoglobulinas (substâncias mais protetoras). “Quando bem retirado, processado e administrado, o leite materno permite uma melhor resposta clínica que se traduz num menor tempo de internação e menor risco de infecção hospitalar”, garantiu João Aprígio.

De acordo com ele, a Paraíba será o primeiro Estado brasileiro a receber investimentos concretos a fim de formar um grupo de multiplicadores para se tornar um braço estratégico de ação política da rede nacional de bancos de leite humano no Brasil, a começar pelo Nordeste e Amazônia Legal, além da possibilidade de cooperação internacional.

Centro multiplicador – Para se tornar centro multiplicador, a Paraíba terá que cumprir algumas exigências da rede nacional, como contribuir para diminuir o índice de mortalidade infantil e atingir o grau de excelência com um plano de gestão e qualificação dos profissionais, para se tornar pólo na difusão de tecnologia.

Conforme João Aprígio Guerra, atualmente o Brasil através da Rede Nacional de Bancos de Leite Humano, exporta o Programa de Difusão de Tecnologia, Informação, Conhecimento, Treinamento e Aprimoramento para 22 países da América Latina, Caribe, Península Ibérica e comunidade de países da Língua Portuguesa, para cumprir o objetivo do desenvolvimento do milênio de redução da mortalidade infantil.

Segundo Socorro Amaro, diretora geral do Banco de Leite Humano Anita Cabral, o governo do Estado está se comprometendo em investir na compra de equipamentos e na informatização dos setores para abraçar esse projeto. “A nossa parte será feita para conseguirmos atingir a excelência e se tornar um pólo de difusão de conhecimento”, destacou.

 

Mércia Dantas, da Secretaria de Saúde