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Paraíba recebe animais da raça zebuína para estação de Alagoinha

sexta-feira, 26 de agosto de 2016 - 10:32 - Fotos:  Secom-PB

Um convênio firmado pelo Governo do Estado, por meio da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) e a Universidade de Uberaba (Uniube) de Minas Gerais, apresenta resultados satisfatórios com a chegada à Paraíba de 160 animais procedentes das pesquisas de melhoramento genético da pecuária bovina leiteira, que possibilitarão a multiplicação das raças zebuínas Gir, Guzerá e Sindi.

Os animais procedentes da cidade de Uberada (MG) chegaram na quinta-feira (25) à Estação Experimental da Emepa em Alagoinha, Brejo Paraibano, onde se integram ao rebanho já existente. O objetivo deste convênio é melhorar o rebanho e estimular o desenvolvimento da bovinocultura leiteira, de médios e pequenos produtores paraibanos, comentou o presidente da Gestão Unificada Nivaldo Magalhães, que administra a Emepa.

O programa de melhoramento genético realizado pela Emepa e a Uniube, assinado há mais de cinco anos, usando a técnica de fertilização in vitro, havia sido prorrogado por dois anos. O convênio disponibilizou doses de sêmen congelados das raças Gir, Guzerá e Sindi. Este banco genético possibilitará conservar as linhagens com alto grau de pureza racial e, no momento oportuno, fazer a distribuição entre os criadores através de Projeto Ecoprodutivo.

Sobre o convênio, o diretor Técnico da Emepa, Manuel Duré, ressaltou que esses investimentos estão ajudando a repovoar o rebanho das raças zebuínas leiteira com uma genética melhorada e atenderá a demanda de produtores, fazendo com que aumente a produtividade de leite.

O projeto envolve 36 vacas da Emepa de alto grau de pureza genética. Com a fertilização in vitro houve a multiplicação de animais em alta escala. Uma das vacas chegou a gerar 40 bezerros em apenas dois anos. Através de teste de DNA, foi verificado que as raças zebuínas da Emepa têm uma boa produtividade de leite e também um excelente grau da pureza, ou seja, genética semelhante aos rebanhos de origem indiana.

Renovado em 2014, o convênio realizado entre as instituições possibilita que a Emepa seja detentora de 45% das crias oriundas da técnica de fertilização in vitro. Esta técnica permite que a vaca com mais de 14 anos de vida útil produtiva, que produziria cerca de dois bezerros em mais de dois anos, atinja uma média de produção de 14 animais no período de três anos.

Segundo o pesquisador Rômulo Freitas, da Emepa, a multiplicação dessa genética possibilitou que o gado de boa qualidade gerasse animais superiores e em prazo bem menor. A partir desse convênio, a Emepa disponibilizará a genética aos criadores por meio de leilões públicos.

De acordo com o chefe da Estação Experimental de Alagoinha, Rubens Fernandes da Costa, os pesquisadores recebem total apoio para a manutenção dos animais dentro da estação. Destacou também a participação dos manejadores que com suas habilidades vêm conduzindo os trabalhos com os animais bovinos.

Referência – Há décadas trabalhando com pesquisa de melhoramento genético, portanto pioneira em programas desta natureza com gado zebuíno leiteiro, a Paraíba se destaca com referência nacional. As pesquisas nessa área desenvolvidas com a Embrapa Gado de Leite, estão sendo desenvolvidas nas Estações Experimentais de Alagoinha e Umbuzeiro.

Os investimentos feitos em pesquisas para a reprodução de animais de alta linhagem genética vai permitir que o rebanho bovino da Paraíba comece a ser recuperado depois dos períodos de estiagens que vêm se verificando.

A raça Gir é uma das mais antigas e tradicionais seleções de Zebu leiteiro no Brasil. Essa raça caracterizada, principalmente, pela facilidade de adaptação às condições do Semiárido nordestino.

No ano de 1985, por iniciativa do Governo do Estado, o rebanho pesquisado pela Emepa passou a fazer parte do Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (PNMGL), realizado pela Associação Brasileira de Criadores Gir Leiteiro e Embrapa.

Origem da raça – A raça Gir tem origem nas regiões de Nimari e Malvi, na Índia. Chegou ao Brasil em meados de 1920 e 1930 e sete anos depois já estava na Paraíba, precisamente na Estação de Monta de Umbuzeiro, hoje Estação Experimental Epitácio Pessoa, administrada pela Emepa.

Além de muito dócil, com aptidões para o leite a carne, caracteriza-se por fácil adaptação ao meio ambiente do Nordeste e tem boa capacidade reprodutiva, mesmo em condições adversas.