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11 de dezembro de 2013

Paraíba capacita mais de 150 profissionais de Saúde sobre Profilaxia da Raiva Humana e Acidentes por Animais Peçonhentos



A Secretaria de Saúde da Paraíba, por meio da Gerência Executiva de Vigilância em Saúde e do Núcleo de Controle de Zoonoses capacitou durante o mês de novembro 155 profissionais sobre “Normas Técnicas de Profilaxia da Raiva Humana” e “Diagnóstico e Tratamento dos Acidentes por Animais Peçonhentos”. Essas qualificações aconteceram nas macrorregionais de Cajazeiras, Campina Grande e João Pessoa.

Ao fazer uma avaliação dessas três capacitações, o chefe do Núcleo de Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde da Paraíba, Francisco de Assis Azevedo, disse que os resultados foram os melhores possíveis. Ele afirmou que todos os profissionais se mostraram interessados em participar do evento e ouviram atentamente tudo o que foi dito a respeito dos temas abordados. “A nossa expectativa agora é que essas pessoas desempenhem em seus municípios um trabalho cada vez melhor com relação ao diagnóstico, tratamento, combate e prevenção a esses agravos como também se transformem em agentes multiplicadores de informações junto a população”, destacou Francisco de Assis.

Ele explicou que a qualificação teve como objetivo capacitar profissionais de saúde (médicos e enfermeiras (os) na condução destes agravos levando em consideração a importância médica dos acidentes por animais peçonhentos para a saúde pública que pode ser expressa pelos milhares destes acidentes e dezenas de óbitos registrados por ano decorrentes dos diferentes tipos de envenenamento. “Destes, o escorpionismo vem adquirindo magnitude crescente, correspondendo em aproximadamente 35% das notificações, e superando em números absolutos os casos de ofidismo”, explicou.

Assis afirmou que esse mesmo grupo foi capacitado na profilaxia da raiva humana. Durante a capacitação os profissionais receberam informações de como a doença se manifesta nas diversas espécies animais, situação epidemiológica e, principalmente as condutas a serem adotadas àquelas pessoas que são agredidas por animais transmissores da raiva e que tem na profilaxia a única forma de evitar a doença.

Mais informações – Animais peçonhentos são aqueles que produzem ou modificam algum veneno e possuem algum aparato para injetá-lo na sua presa ou predador. Os principais animais peçonhentos que causam acidentes no Brasil são algumas espécies de serpentes, de escorpiões, de aranhas, de lepidópteros (mariposas e suas larvas), de himenópteros (abelhas, formigas e vespas), de coleópteros (besouros), de quilópodes (lacraias), de peixes, de cnidários (águas-vivas e caravelas), entre outros. Os animais peçonhentos de interesse em saúde pública podem ser definidos como aqueles que causam acidentes classificados pelos médicos como moderados ou graves.

De acordo com Francisco de Assis, em todo o Brasil aumentou muito o número de ataques desses animais devido a problemas ambientais e de controle urbano, além da falta de medidas preventivas que devem ser tomadas com manter limpos quintais e terrenos baldios e as condições precárias de moradias o que favorece o aparecimento principalmente de escorpiões, roedores e outros animais. Na Paraíba, nos últimos três anos, foram registrados 9.091 ataques desses tipos de animais.

Os acidentes por animais peçonhentos e, em particular, os acidentes ofídicos foram incluídos, pela Organização Mundial da Saúde, na lista das doenças tropicais negligenciadas que acometem, na maioria dos casos, populações pobres que vivem em áreas rurais. Em agosto de 2010, o agravo foi incluído na Lista de Notificação de Compulsória (LNC) do Brasil, publicada na Portaria Nº 2.472 de 31 de agosto de 2010 (ratificada na Portaria Nº 104, de 25 de janeiro de 2011). Essa importância se dá pelo alto número de notificações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), sendo acidentes por animais peçonhentos um dos agravos mais notificados.

A partir das análises dos dados do SINAN, a vigilância epidemiológica é capaz de identificar o quantitativo de soros antivenenos a serem distribuídos às Unidades Federadas, além de determinar pontos estratégicos de vigilância, estruturar as unidades de atendimento aos acidentados, elaborar estratégias de controle desses animais, entre outros.

No caso da raiva humana o último caso registrado na Paraíba foi em 1999. Ela é uma doença transmitida por mamíferos está controlada na Região Sul e em alguns Estados da Região Sudeste, havendo a perspectiva de sua eliminação nesta década. Para cumprir esse objetivo foram reforçados o monitoramento da circulação viral e a intensificação da vacinação antirrábica canina com a realização de campanhas anuais e de outras ações de caráter educativo e preventivo com o acontece na Paraíba.

A raiva é uma doença infecciosa aguda, de etiologia viral, transmitida por mamíferos, que apresenta dois ciclos principais de transmissão: urbano e silvestre. É uma zoonose de grande importância na saúde pública por apresentar letalidade de 100%. É uma doença passível de ser eliminada no ciclo urbano pela existência e disponibilidade de medidas eficientes de prevenção tanto em relação ao homem quanto à fonte de infecção. As principais fontes de infecção no ciclo urbano são o cão e o gato. No Brasil, o morcego hematófago é o principal responsável pela manutenção da cadeia silvestre.

Nos últimos dez anos, o aumento na detecção de casos de raiva em outros mamíferos, como morcegos, raposas e sagüis, e a identificação de novas variantes virais vem apontando para uma mudança no perfil epidemiológico da raiva no país, com a caracterização dos ciclos aéreo e silvestre terrestre, além dos ciclos urbano e rural. Diante desse fato o Ministério da Saúde vem promovendo discussões no sentido de estabelecer novas estratégias para o controle da raiva, de acordo com as diferentes realidades epidemiológicas encontradas no país. No presente ano a ocorrência de surtos de raiva humana transmitida por morcegos na Amazônia destaca a importância deste ciclo de transmissão, que requer estratégias diferenciadas para o seu controle.

Nas duas últimas décadas houve uma redução significativa no número de casos humanos registrados por ano, caindo de 173, em 1980, para 17 casos em 2003, tendo o cão como o principal transmissor da doença. A partir de 2004 os Quirópteros (morcegos) passaram a ter uma grande importância epidemiológica na transmissão da doença em humanos.

Desde 2003 todas as Unidades da Federação disponibilizam, na rede de serviços de saúde, vacina de alta qualidade para a profilaxia da Raiva Humana, a vacina de cultivo celular.

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