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Paraíba avança na produção de queijos caprinos probióticos

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 - 16:30 - Fotos: 

A Paraíba poderá se tornar pioneira na confecção de produtos lácteos caprinos probióticos. A Cooperativa dos Produtores Rurais de Monteiro (Capribom) vai utilizar seu potencial de processar até 8 mil litros de leite por dia para aumentar o mix de produtos ainda no primeiro semestre deste ano, com a produção de queijos probióticos de leite de cabra com tecnologia da Embrapa Caprinos e Ovinos do município de Sobral-CE. No local, são produzidos queijo manteiga, queijo coalho, queijo pré-cozido de coalho, leite de vaca e cabra pasteurizados e ainda iogurte em garrafa.

Para a pesquisadora do Laboratório de Bromatologia do Departamento de Nutrição da UFPB, Rita Queiroga, os alimentos probióticos possuem microorganismos que são importantes, capazes de equilibrar a flora intestinal e gerar o processo digestivo adequado. “É na matriz láctea onde se encontram os melhores alimentos como veículo de transporte até o intestino, onde acontece todo o processo de absorção dos nutrientes”, lembrou.

Ela ainda destacou que a produção de queijo de cabra probiótico inexiste no mercado nacional e a Paraíba será inovadora e tem condições para se tornar pioneira na produção de produtos lácteos caprinos probióticos.

O aumento de 60% no processamento de leite pela cooperativa foi resultado dos investimentos feitos pelo Governo do Estado, por meio do Projeto Cooperar, em parceria com o Banco Mundial no valor de cerca de R$ 140 mil, que beneficiaram diretamente 80 famílias. Com os recursos foi possível comprar 10 tanques de resfriamento de leite bovino e caprino, que deram para atender agricultores familiares em 11 comunidades rurais em Monteiro: Cacimbinha, Aroeiras, Cacimba de Cima, Araçá, Bom Nome, Santana, Garapa, Lagoa Grande, Malhada Vermelha e Camaleão.

De acordo com o gestor do Projeto Cooperar, Roberto Vital, a Capribom com essa proposta pode se habilitar com um projeto de investimento para expansão, junto ao Cooperar, que pode subsidiar em até 70% do plano de investimentos, desde que o corpo social da cooperativa seja integrado em 70% por agricultores pronafianos e o projeto demonstre sustentabilidade ambiental e econômica.

Para receber a tecnologia da Embrapa Caprinos e Ovinos e desenvolver o projeto piloto na produção de queijos probióticos, a Capribom participou de discussões ainda no ano passado e passou a integrar a Rede Nordestina de Caprinos de Leite – em construção – que também integra outros Estados como a Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.

Entre outros objetivos, a Rede Nordestina de Caprinos de Leite pretende desenvolver e fortalecer o setor na Região que possui atualmente o maior plantel de animais no País com cerca de 9 milhões de cabeças de caprinos, o que significa 93% do rebanho nacional. Além de 6 milhões de ovinos, número equivalente a 56% de toda a criação brasileira.

Na Paraíba circula um rebanho de 624 mil cabeças de caprinos, dos quais 25% são cabras leiteiras, o que favorece a posição de maior produção de leite caprino no Brasil com 14 mil litros diariamente.

Segundo o técnico responsável e gerente de negócios da Capribom, Francisco Rubens Remígio, após o desenvolvimento da produção deste tipo de queijo, o produto seguirá para análise da Embrapa Caprinos e Ovinos e Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Com a aprovação, a Capribom dará entrada na documentação necessária para que possa conseguir a certificação de qualidade da produção pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE), e posteriormente, ser liberada para as vendas no comércio estadual.

O técnico disse que, mesmo em tempos de estiagem, a Capribom é um exemplo de projeto bem sucedido e hoje toda a sua produção tem mercado garantido para os programas governamentais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Programa de Aquisição de Alimentos operacionalizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além do mercado privado na região de Monteiro e Campina Grande.

Ele atribui o sucesso nos negócios à organização no sistema, assistência técnica, acesso ao crédito com investimentos pelas linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e subsídio do governo, como por exemplo, os investimentos pelo Cooperar.