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30 de novembro de 2015

“Pai” da internet analisa o IGF e elogia estrutura da edição em JP



A coluna de Demi Getschko, considerado um dos pioneiros da Internet no Brasil, publicada nesta segunda-feira (30) no jornal Estado de São Paulo (Estadão), analisa a 10ª edição do Fórum de Governança da Internet (IGF), evento da Organização das Nações Unidas (ONU), que aconteceu entre os dias 9 e 13 de novembro, no Centro de Convenções de João Pessoa, o qual considerou uma “excelente infraestrutura”. Ele ainda elogiou a gastronomia paraibana.

Demi Getschko é um engenheiro brasileiro nascido na Itália que, pelo pioneirismo, é considerado “o pai da Internet brasileira”. Atualmente, ocupa o cargo de diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Na coluna, ele destacou dois pontos da edição do IGF: “A excelente infraestrutura que o Centro de Convenções de João Pessoa fornece aos eventos e, uma unanimidade, a vibrante inclusão de jovens da região latino-americana que, por um programa de auxílios e bolsas, foram selecionados a participar pela primeira vez de um evento desse tipo”, escreve o engenheiro e hoje também professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Do ponto de vista pessoal, um aspecto que encantou o professor foi a culinária local: “Saí de lá não só otimista com o IGF, mas também com o gosto inesquecível da tapioca com queijo e coco, no café da manhã”, comentou Demi Getschko na coluna.

Getschko escreveu que, de início, o IGF reuniria essencialmente representantes de governos, de reguladores nacionais e de grandes operadoras de telecomunicação, para discutir os rumos da “sociedade da informação”. Porém, o evento marcou uma mudança: o debate sobre internet saiu da área técnica e acadêmica e tomou conta da comunidade. Ainda que voltado à participação de governos, incluiu expressivos setores da sociedade civil, crescente parcela de integrantes da área técnica, acadêmica e representantes de empresas. “Não se tiram conclusões nem se geram documentos de consenso, mas fomenta-se a troca de ideias e de experiências, estimulando-se a expansão livre da rede com longa programação de painéis e palestras. Como exemplo, neutralidade de rede foi um dos pontos mais discutidos no 10.º IGF, com toda a tensão e polarização inerentes”, afirmou.

A infraestrutura, culinária e acolhida locais pareceram cativar vários dos presentes. Ronaldo Lemos, pesquisador de tecnologia apresentador do programa “Navegador” da Globo News, também escreveu em sua coluna do dia 16/11/2015 na Folha de S. Paulo: “Por isso, não soava nada estranho ver gente como Vint Cerf, inventor do protocolo TCP/IP e vice-presidente do Google, andando por João Pessoa. Ou a presença de Fadi Chehadé, presidente da Icann, entidade que controla o sistema mundial de endereçamentos da rede. E a visita de Stefano Rodotá, jurista, ex-deputado na Itália, considerado uma autoridade sobre o tema da privacidade. Todos circulavam desenvoltos, enquanto degustavam acepipes como munguzá ou o bolo baeta”.

Futuro do Fórum – “Evolução da Governança da Internet: empoderando o desenvolvimento sustentável” foi o principal tema do Fórum de Governança da Internet 2015 que atraiu cerca de 6 mil pessoas, online e presencialmente. Em sua décima edição, o IGF terá seu futuro decidido em uma reunião na Assembleia Geral da ONU, já que o mandato de 10 anos chegou ao fim. Espera-se um consenso sobre a renovação do mandato do Fórum, enquanto o México já se ofereceu para sediar a próxima edição, em 2016. Temas urgentes como inclusão e neutralidade da rede servirão para municiar este importante evento de decisão, que ocorrerá no final deste ano em Nova York: a Reunião de Alto Nível CMSI+10 (ou WSIS+10, da sigla em inglês) da Assembleia Geral da ONU, a ser realizada nos dias 15 e 16 de dezembro deste ano.

Confira na íntegra a coluna de Demi Getschko publicada no Estadão. E aqui, o link da coluna de Ronaldo Lemos.