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28 de julho de 2009

Os sete casos confirmados foram de pacientes que contraíram a doença fora do Estado



O secretário estadual de Saúde, José Maria de França, confirmou nesta terça-feira (28) a primeira morte de um paciente infectado pelo vírus influenza A-H1N1, na Paraíba. “Infelizmente estamos confirmando esse óbito, o primeiro do Nordeste. Ao mesmo tempo, aproveitamos para tranquilizar a população e pedir que não congestione os hospitais. A doença está sob controle no Estado. Todos os sete casos confirmados na Paraíba foram de pacientes que contraíram a gripe fora do Estado e, infelizmente, este paciente, em particular, tinha uma doença pulmonar grave, estava com o organismo fragilizado por essa doença de base e não resistiu a mais esse evento de gripe”, explicou.

O estudante de Enfermagem de 31 anos, morador de João Pessoa, morreu na madrugada desta terça-feira na UTI do Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, onde estava internado desde o dia 22. “Ele passou sete dias em Brasília, participando de um congresso de estudantes e já chegou à Paraíba doente. Ele tinha uma DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e uma deformação torácica, que lhe causava internações recorrentes, inclusive em UTI. Tivemos outros seis casos confirmados da gripe no Estado e todos estão curados”, ressaltou.

Estrutura pronta – O secretário garantiu que o Estado mantém, atualmente, uma estrutura hospitalar preparada para atender os pacientes que precisarem de internação, aqueles que têm doenças crônicas ou respiratórias graves e os que possuem fatores de risco para complicações por influenza, como gestantes, crianças menores de dois anos, idosos com mais de 60 anos, imunodeprimidos e obesos.

“Hoje, temos sete leitos no Hospital Universitário de João Pessoa e outros três no Hospital Universitário de Campina Grande, que são as duas unidades de referência no Estado. Fora isso, contamos com mais seis leitos de suporte em Campina Grande, sendo um na FAP, dois no Hospital Regional e três na Maternidade Elpídio Almeida. Mesmo assim, pedimos a população que não congestione os hospitais, que aos primeiros sintomas procure um médico da atenção básica em um posto de saúde ou o médico da rede privada. Essa primeira avaliação é que dirá se o paciente precisa ou não de internação”, explicou José Maria de França.

Medicação – A gerente de Resposta Rápida da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Diana Pinto, disse que a Paraíba tem um estoque estratégico de medicamentos, suficiente para tratar 200 pessoas. “Segundo o Ministério da Saúde, só devem ser medicadas os pacientes com doença respiratória aguda grave e alguns casos que integram o grupo de fatores de risco. A medicação (Oseltamivir ou Tamiflu) só deve ser ministrada a pacientes com até 48 horas do início dos sintomas, para poder fazer efeito. O cuidado de não ministrar a medicação para todos os pacientes é também para evitar que o vírus se torne resistente e sofra mutação”, explicou Diana.

Higiene – A médica infectologista e chefe da Comissão de Infecção Hospitalar da SES, Helena Germóglio, alertou para a importância da higienização das mãos e disse que a máscara deve ser utilizada apenas pelos pacientes e profissionais de saúde. “A máscara é importante, mas não é tudo. A maior preocupação das pessoas deve ser com a higienização das mãos, já que o vírus pode permanecer até dez horas numa superfície lisa, como dinheiro, documentos e maçanetas de portas, por exemplo”, disse.

Helena explicou que a máscara indicada para os profissionais de saúde é a N95, que garante proteção de 95% das doenças transmitidas por aerossóis (partículas de tamanho muito pequeno, suspensas no ar com alta mobilidade), como a gripe A. Os pacientes, segundo ela, devem utilizar a máscara cirúrgica, tanto os casos suspeitos como os confirmados, que precisem ser transferidos de um local para outro.

As informações sobre a situação da influenza A-H1N1 no Estado foram prestadas durante entrevista coletiva à imprensa na tarde desta terça-feira (28), com o secretário José Maria de França; a gerente da Vigilância em Saúde, Cleane Toscano; a gerente de Resposta Rápida, Diana Pinto, e a infectologista e chefe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da SES, Helena Germóglio.
 
Dados da influenza A no Estado
27 notificações, desde o surgimento do novo vírus; dessas, sete confirmadas, duas em investigação e 18 descartadas.

Casos confirmados
- 5 em JP, 1 em Tavares e 1 em Cabedelo.
Estudante de Enfermagem de 31 anos, morador de João Pessoa. Chegou de Brasília no dia 21 de julho, onde permaneceu por sete dias em Congresso da UNE. Já chegou à Paraíba com sintoma gripal (febre, tosse, falta de ar, dor na garganta e coriza). A internação ocorreu no dia 22 e no mesmo dia deu entrada na UTI do HU. O paciente tinha doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O resultado do exame do paciente chegou no sábado e deu positivo para o vírus H1N1. Morreu nesta terça-feira (28).

Pedreiro de 25 anos, morador do município de Tavares, chegou de São Paulo no dia 5 e apresentou síndrome gripal (febre, tosse, calafrio, conjuntivite e cefaléia) no dia 12. Foi internado no HUAC, mas já está de alta.

Adolescente (sexo feminino) de 17 anos, moradora de João Pessoa. Esteve no Chile. Não foi internada e teve alta do isolamento domiciliar, no dia 8 de julho. Caso leve.

Adolescente (sexo masculino) de 15 anos, que procurou o Hospital Universitário no dia 30 de junho, com febre e tosse e relatou que havia retornado da Argentina um dia antes. Não foi internado. Gripe leve.

Jovem de 16 anos procurou o HU no dia 1º de julho, um dia depois de ter retornado do Chile. 

Técnico em Telecomunicações, de 27 anos, morador de Cabedelo, que apresentou os primeiros sintomas no dia 15 de junho, na Argentina, e chegou ao Brasil três dias depois. Ele teve alta do isolamento no dia 21 de junho.

Administrador de empresa de 32 anos, morador de João Pessoa, que chegou da Argentina no dia 17 e apresentou sintomas dois dias depois. Teve alta do isolamento domiciliar no dia 25.
 
Casos em investigação
Surfista de 31 anos, morador de João Pessoa, que esteve no Rio de Janeiro. Ele tem imunodepressão. Está no HULW.

Estudante de 18 anos de João Pessoa, que esteve em Brasília. Ela tem asma e está no HULW, na Capital.
 
Fluxo recomendado
Qualquer pessoa gripada deve ser avaliada por um médico e, caso tenha uma doença respiratória aguda grave (DRAG) ou esteja no grupo de fatores de risco para complicações por influenza, deve ser encaminhado a um dos dois hospitais de referência no Estado (HULW, em JP, ou HUAC, em CG).  

Leitos exclusivos no Estado
HULW – 7
HUAC – 4
FAP – 1
Hospital Regional de CG – 2
Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea) – 3
 
Exames
Coleta – Laboratório Central da Paraíba (Lacen-PB)
Análise de amostras – Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém-PA 
  

  Da Assessoria de Imprensa da SES-PB