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Orquestra Sinfônica mostra peças italianas, espanholas e brasileiras

quarta-feira, 23 de novembro de 2011 - 13:53 - Fotos: 

Violonista brasileiro Arthur Barbosa

A Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB) realiza, nesta quinta-feira (24), mais um concerto oficial da temporada 2011. No programa, estarão peças de compositores italianos, espanhóis e brasileiros. Entre as composições, o destaque ficará para “Pequena Abertura Italiana”, do compositor Tiziano Bedetti, que será executada pela primeira vez por uma orquestra brasileira.

A música abrirá o quarto concerto oficial da temporada 2011 da OSPB regido pelo maestro Luiz Carlos Durier. O repertório traz, ainda, obra do espanhol Joaquín Rodrigo com solo do violonista Ricardo Arôxa e do brasileiro Arthur Barbosa. O concerto, que começa às 21h, no Cine Bangüê, é uma realização da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) e terá entrada gratuita.

Maestro Luiz Carlos Durier

O maestro Luiz Carlos Durier explica que foram selecionadas peças de um italiano que sintetiza a cultura operística, de um espanhol que mostrou ao mundo as cores e a natureza da Espanha e de um brasileiro que exalta as maravilhas rítmicas do Brasil.

A “Pequena Abertura Italiana”, de Tiziano Bedetti, é de proporções mínimas, mas o suficiente para envolver o público com a cultura operística tão celebrada na Itália. A obra foi gentilmente cedida pelo compositor para a OSPB, que será a primeira orquestra brasileira e americana a tocar a sua música, até então executada apenas na Europa.

Compositor italiano Tiziano Bedetti

O Concerto de Aranjuez para violão e orquestra, de Joaquín Rodrigo, é uma composição do final da década de 30, que marcou, inclusive, o seu retorno ao país natal. Esta é uma das obras mais celebradas do mundo, um grande desafio para os solistas. Escrita em três movimentos, o primeiro é inconfundível e vibrante, os temas são dançantes. O segundo é considerado uma das mais belas melodias já escritas, de um lirismo melancólico comovente, onde há constante diálogo entre solista e instrumentos de sopro, provocando emoção indescritível, segundo Durier. No último o público será contemplado com uma envolvente dança cortesã.

A Sinfonia Brasileira, de Arthur Barbosa, retrata de forma resumida todo um passeio por um país de ritmos e cores que, certamente, possui uma das músicas mais diversas em todo o planeta. No primeiro movimento ouve-se o ritmo e a harmonia da bossa-nova que rapidamente transformam-se num chorinho, ritmos que são irmãos do samba que é retratado posteriormente. Ouve-se também, de forma divertida, o toque do maxixe, que é avô de todos os ritmos citados. Todo o movimento é uma espécie de brincadeira com melodias e ritmos que se misturam constantemente.

Compositor espanhol Joaquin Rodrigo

O segundo movimento faz a vez do scherzo de uma sinfonia tradicional, juntando o maracatu, ritmo de origem africana característico do litoral da região Nordeste, mesclado a um tema que lembra a música caipira e, até mesmo, temas de origem indígena. Logo em seguida apresenta-se um frevo em forma de fuga em um grande crescendo de timbres.

No terceiro movimento, em andamento lento, a viagem musical segue até o sul do Brasil onde um tema em forma de milonga (ritmo parente próximo do tango argentino) é o motivo principal, apresentado de maneira suave e às vezes dramática. Em outros momentos ouve-se uma rancheira, que é um ritmo mais dançante também muito característico da cultura regional dos pampas.

O quarto movimento é um finale onde o tema principal é um baião, ritmo muito peculiar a uma região mais agreste no interior do nordeste, assim como, outros ritmos oriundos da mesma região como as cavalhadas; ouve-se neste movimento às bandas de pífanos (pequenas flautas rústicas de madeira, típicos instrumentos de sopro indígenas) e também o som das rabecas (violinos feitos e tocados de forma rústica). A zabumba, que é um tambor muito característico do baião, é aqui representada pelo bumbo com intervenções peculiares ao instrumento. O final é grandioso e, de forma simbólica, representa a própria força da música do Brasil.

Solista – Ricardo Arôxa, recifense, aventurou-se pela primeira vez ao violão com 11 anos, como autodidata e através de métodos populares. Em 2001, ingressou no Conservatório Pernambucano de Música, concluindo, em 2004, a disciplina de violão erudito com o professor Guilherme Calzavara.

Serviço:

Data: 24/11

Hora: 21h

Local: Cine Bangüê

Entrada: Gratuita

Programa do concerto

Tiziano Bedetti (1976) – Pequena Abertura Italiana

Joaquín Rodrigo (1901 – 1999) – Concerto de Aranjuez para Violão e Orquestra ( Allegro com spirito / Adágio / Allegro gentile)

Solista: Ricardo Arôxa

Intervalo

Arthur Barbosa (1965) – Sinfonia Brasileira (Adágio – Allegro moderato / Moderato – Allegro / Adágio / Finale: Adágio – Allegro)