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Orquestra Sinfônica da Paraíba realiza concertos em homenagem ao Dia da Consciência Negra

terça-feira, 17 de novembro de 2015 - 09:22 - Fotos:  Secom-PB

O Dia da Consciência Negra vai ser celebrado com dois concertos da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Com o título ‘Orixás’, as apresentações gratuitas acontecem nesta quinta-feira (19), às 20h30 e na sexta-feira (20), às 21h, na Praça do Povo do Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa. Sob a regência do maestro Luiz Carlos Durier (titular da OSPB) e com solo da soprano Maria Juliana Linhares, as performances também prestam homenagem ao maestro José Siqueira, compositor paraibano nascido no ano de 1903, em Conceição do Piancó. O repertório inclui obras do homenageado e de outros compositores, inspiradas na cultura afro-brasileira, rica em ritmos e balanços característicos da miscigenação cultural.

O evento é realizado pela Fundação Espaço Cutlural da Paraíba (Funesc) com patrocínio dos Correios. O projeto conta, ainda, com intervenções de dança e participação do Coro Sinfônico com preparação vocal de Maestro Chiquito. A concepção dos figurinos é de Ruth Aragão (CE) em conjunto com as alunas Karin Picado, Itamira Barbosa e Angélica Lemos, como resultado do curso de criação de figurino oferecido pela Funarte.

O projeto de cenografia e iluminação é de Jorge Bweres. A coreografia é de Sérgio Oliveira (consultoria sobre Orixás e Candomblé) e Angela Navarro (coordenadora de dança da Funesc). A dupla trabalha com dançarinos convidados que fazem parte da cena local e atuam no espetáculo como criadores intérpretes.

Repertório – O concerto abre com a composição intitulada “Eu Sou do Forte” do compositor Zumba (José Gonçalves Junior), inspirada no Maracatu pernambucano. Nesta mesma linha de inspiração está o Segundo Movimento da Sinfonia Brasileira de Arthur Barbosa, que mescla com outras manifestações culturais sobrepondo temas musicais muito apreciados no Nordeste brasileiro.

O Kyrie da Missa Nordestina de Clóvis Pereira será o ponto em que as vozes do Coral Sinfônico da Paraíba e a OSPB se juntam para um grande efeito sonoro e musical. A sua estrutura melódica está baseada nas Escalas Nordestinas usadas pelos violeiros e sua rítmica apoiada na “Dança dos Caboclinhos”.

De José Siqueira, entra a obra “Três Danças Brasileiras” que trata de manifestações dançantes como o Jongo e o Batuque. O mesmo tema resultou no belo trabalho musical de Lorenzo Fernandez, cuja peça intitulada “Batuque’ causa grande efeito nos ouvintes.

As peças corais Xangô e Estrela é Lua Nova de H. Villa-Lobos será apresentada em versão para orquestra e voz solista soprano, interpretada pela cantora Maria Juliana Linhares, no arranjo de Emanoel Barros.

Obras com características descritivas interessantes de Guerra-Peixe trazem um sabor leve, com os movimentos “Cadeira de Arruar” e “Restos de um Reinado Negro”, retirados da Suíte Museu da Inconfidência.

O Terceiro Movimento da obra “Terra Brasilis” de Edino Krieger encerra com um gran finale. Retrata “O Encontro” dos povos que construíram o Brasil e produziram uma vasta cultura musical, representados pelo canto gregoriano, a música indígena, as danças de sotaque ibérico, o sentimental canto seresteiro, o versátil chorinho, o molejo do berimbau e a nobreza do maracatu, que finda triunfantemente com uma “batuculência”, o ritmo da festa mais popular do Brasil – o samba.

Pluralidade cultural – “As religiões chamadas afro-brasileiras surgiram durante o processo de colonização do Brasil, com a chegada dos escravos africanos. Cada nação africana tem, como base, o culto a um único Orixá. A junção dos cultos é um fenômeno brasileiro em decorrência da importação de escravos.

A cenografia projetiva do concerto tem principalmente um aspecto representativo dessa junção e a relação do Candomblé, que tem por base a alma dos elementos da natureza. As imagens de abertura do evento demonstram as várias etnias africanas e os negros no meio urbano. Também fazemos uma referência à arte gráfica: vetoriais de símbolos africanos representantes do totemismo, arte tribal e tribos africanas autênticas. Imagens de padrões geométricos, animais estilizados e os povos da África que influenciam as artes do mundo contemporâneo.

O padrão de acabamento das imagens segue a vertente do Vaporwave (gênero musical e movimento artístico estético que surgiu no início da década de 2010) como licença poético/estética”. Texto de Jorge Bweres – projeto de iluminação e cenografia.

Os Orixás e a Dança – “Orixá – essência originária que nos lança a questões, nos faz refletir sobre o que é, o que somos. Dança – movimento no espaço que nos lança a perceber e enxergar a potência do corpo. Corpo, Mundo, Terra – morada primordial dos Orixás, do humano do homem, espaços abertos em constante relação. A dança em diálogo com os Orixás como fala e linguagem que entrelaça Corpo, Mundo, Terra. Como princípio de questionamentos, possibilidades de caminhos, questões incessantes. A dança dos Orixás, força, potência, onde nos descobrimos e realizamos Corpo, Mundo, Terra, Arte e Dança”. Texto de Sérgio Oliveira – coreografia e consultoria sobre Orixás e Candomblé.

Maria Juliana Linhares – Soprano – Cantora e professora de canto. Atualmente trabalha como professora substituta do departamento de Educação Musical da Universidade Federal da Paraíba, mesma instituição onde se graduou (bacharelado em música) e fez mestrado (etnomusicologia). Como cantora lírica trabalhou com orquestras e grupos de câmara do Brasil, especialmente com conjuntos de música antiga.

Tem experiência também em canto popular, tendo um trabalho autoral intitulado “Pétalas Vocais”, o qual se tornou CD lançado neste ano de 2015. Atualmente integra o casting do espetáculo “Rotas da Escravidão”, concerto dirigido pelo maestro catalão Jordi Savall o qual tem excursionado pela Europa. Sua primeira premiação em música popular brasileira foi no festival MPB/SESC 2006, ganhando prêmio de artista revelação, na cidade de João Pessoa. 

Luiz Carlos Durier – Regente – Natural de João Pessoa (PB), Luiz Carlos Durier é o regente titular da OSPB Jovem há 17 anos. Seu trabalho direcionado para jovens músicos em formação tem reconhecimento em todo o Brasil. As suas interpretações produzem sempre sucesso de público e crítica. Sob sua batuta já se tornou tradição a Jovem apresentar estreias mundiais. Em setembro de 2013, foi nomeado diretor artístico e regente titular da OSPB.

Na UFPB, concluiu o ensino superior de música nos cursos de Licenciatura e Bacharelado. Desde que chegou a Escola de Música Anthenor Navarro – EMAN, em 1991, lidera atividades de educação musical. Participou das XIX e XX Semana da Música da UFRN como professor da classe de regência. Na UEPB, realiza o Curso de Especiação Em Fundamentos da Educação – Práticas Pedagógicas Interdisciplinares.

Como regente convidado conduziu a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, Orquestra Sinfônica do Estado de Sergipe, Orquestra Sinfônica da UFRN e Orquestra Criança Cidadã do Recife. Regeu a Orquestra de Cordas da 29ª e 30ª Oficina de Música de Curitiba. Na sua formação como regente foi aluno de Wolfgang Groth, Nelson Nuremberg e Guilhermo Scarabino. Desde 2005 estuda com o maestro Osvaldo Ferreira. Participou de Master Class com os maestros Kurt Masur e, recentemente, com Dante Anzolini. Ainda teve como mestres o maestro José Siqueira, José Alberto Kaplan, Iara Bernette, Violeta de Gainza, Guilhermo Campos e Horácio Schafer.

Conduziu a OSPB na gravação ao vivo do CD da cantora Marines e sua Gente, do DVD Sivuca e os Músicos Paraibanos. Tem acompanhado com frequência artistas populares com a OSPB e OSPB Jovem em grandes concertos populares, tais como: Ângela Ro Ro, Arnaldo Antunes, Tico Santa Cruz e Renato Rocha (Detonautas), Flávio José, Genival Lacerda, Alcione, Toninho Ferragutti, Geraldo Azevedo, Dominguinhos e Zélia Duncan, sempre com grande sucesso de público e crítica. No ano de 2012 recebeu a Comenda de Honra ao Mérito, pelo desempenho frente à OSPB.

Serviço: Orixás – 14º e 15º concertos oficiais da Temporada 2015 da OSPB

Regência: Luiz Carlos Durier

Participações: Maria Juliana Linhares (soprano) | Coro Sinfônico da Funesc – preparação vocal: Maestro Chiquito | Intervenções de dança

Cenografia e iluminação: Jorge Bweres

Coreografia: Angela Navarro e Sérgio Oliveira

Figurinos: Ruth Aragão (CE) em conjunto com as alunas Karin Picado, Itamira Barbosa e Angélica Lemos (Curso de Criação de Figurino | Funarte)

Consultoria sobre Orixás e Candomblé: Sérgio Oliveira

Coordenação geral: Angela Navarro | Anastácia Alencar

Data: quinta-feira (19) às 20h30 e sexta-feira (20), às 21h

Local: Praça do Povo do Espaço Cultural José Lins do Rego

Entrada: gratuita

Informações: 3211-6225 | 3211-6201