João Pessoa
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Órgão realiza cursos, recupera vegetação nativa e ajuda a preservar o meio ambiente

quarta-feira, 5 de maio de 2010 - 18:50 - Fotos: 
Um projeto da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecúaria (Empa) está recuperando áreas devastadas no município de Santa Cecília, localizado a 221 quilômetros de João Pessoa. O lugar tem população estimada em 7.244 pessoas, segundo o Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Considerado um município carente, a principal fonte de renda dos moradores é a extração do caucário.

A substância, usada na fabricação da cal, é retirada do solo e queimada em cerca de 30 fornos movidos a lenha que existem na localidade. O problema é que a madeira usada nesse trabalho é retirada de forma irregular do meio ambiente e deixa grandes áreas degradadas.

Mudanças – Para mudar essa situação, pesquisadores da Emepa viajaram até o local e promoveram cursos de capacitação, além de implantar três hectares com vegetação nativa, como forma de recuperar o meio ambiente. Houve ainda a distribuição de sementes e treinamentos sobre as formas de preservar os recursos naturais do local.

A pesquisadora da Emepa, Ivonete Berto Menino, coordenou os trabalhos. Ela conta que a maior dificuldade encontrada na cidade foi a resistência dos trabalhadores. “Os gesseiros não queriam dar informações com medo de que nós pudéssemos prejudicá-los, já que essa atividade é totalmente irregular em Santa Cecília. Não há registro na Sudema e nem no Ibama”, conta.

Para romper essa barreira, os pesquisadores da Emepa precisaram conquistar a confiança das pessoas e criar estratégias de aproximação. “Entramos em contato com a Emater-PB para ter acesso aos filhos dos gesseiros. Passamos as informações para os filhos que transmitiram tudo aos pais. Depois de muito esforço, conseguimos chegar até os gesseiros”, afirma.

Treinamentos
– Foram promovidos vários treinamentos. Nessas ocasiões, os pesquisadores explicaram a importância de adotar cuidados para preservar o meio ambiente. Uma dessas orientações mostrava a necessidade de fazer remanejamento da área degradada. Ou seja, retira-se madeira de determinado local e faz um intervalo. Em seguida, migra-se para outra parte. Isso permite que a primeira região desmatada tenha tempo para se recuperar e, assim, evitar o enfraquecimento do solo.

Ao mesmo tempo em que realizou os treinamentos, a Emepa também implantou três áreas com mudas de vegetação, a exemplo, de jurema, sabiá e angico. Essas espécies foram plantadas em três unidades de preservação. O objetivo é recuperar parte da reserva que foi devastada.

Resultados – O trabalho teve o apoio do Banco do Nordeste do Brasil. Começou a ser feito em 2001 e será concluído até o final deste mês. A pesquisadora considera os resultados bastante positivos. “É muito dificil ter acesso a uma área onde existe uma atividade clandestina. Os trabalhadores não dão informações e nem auxiliam nosso trabalho. É complicado de fazer alguma ação de conscientização sobre os perigos para o meio ambiente numa região como essa”, observa Ivonete.

“Mas, apesar disso, conseguimos entrar nessa área e plantar uma semente. Fizemos trabalho de educação ambiental e acredito que alcançamos nosso objetivo social. O projeto será encerrado agora, mas pretendo, depois, voltar à cidade para promover novas atividades de sensibilização junto aos gesseiros”, adianta.

Nathielle Ferreira, da Secom