João Pessoa
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Oficina realizada no Hospital de Trauma da capital aborda assistência em casos de violência contra a mulher

quarta-feira, 29 de novembro de 2017 - 11:59 - Fotos:  Secom-PB

Aproveitando o ensejo do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, lembrado no último dia 25, o Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, promoveu nessa terça-feira (29), em parceria com a Secretaria Estadual da Mulher e da Diversidade Humana, uma oficina com o objetivo de treinar os profissionais para prestar a assistência adequada diante desses casos. Durante o evento, foram apresentados relatos de mulheres e entregues guias de orientação para encaminhamentos.

Na ocasião, foi apontado que é necessário desenvolver um olhar aguçado dos profissionais para identificar e lidar com essas situações, como explicou Joyce Rodrigues, representante da Secretaria. “A intenção é tentar sensibilizar os profissionais na percepção daquela mulher que sofre violência, seja doméstica ou sexual, e conhecer um pouco da rede também para poder fazer os encaminhamentos”, ressaltou.

Já Kaliandra de Oliveira, também membro da Secretaria, destacou que a unidade de saúde é porta de entrada para muitos desses casos e, por isso, uma importante ferramenta no combate à violência. “Muitas vezes a mulher vem ao Hospital de Trauma, por ser uma referência, com um trauma proveniente da violência doméstica, ela vem espancada, esfaqueada, sofreu um tiro. Então, muitas vezes o agressor vem junto com essa mulher, dizendo que salvou e acolheu numa situação que, na verdade, ele provocou. Logo, se e a equipe estiver sensível para a situação, vai poder identificar se é verdade ou não, acionar a polícia ou indicar um serviço em que ela possa ser atendida e depois fazer a denúncia, se decidir”, afirmou.

A iniciativa, promovida pela instituição por meio da Comissão de Atenção a Mulheres Vítimas de Violência, foi o primeiro de uma série de eventos que visa aperfeiçoar a assistência prestada nessas situações. “Nós atendemos os casos de violência, psicológica ou física, e a mulher é encaminhada para outro serviço. A partir daí, a gente tem essa articulação com a rede de assistência, seja com as delegacias, Secretaria da Mulher, Conselhos, Casa Abrigo, ONG’s e todas as instituições que trabalham nesse contexto de atenção às mulheres”, enfatizou Neuma Ribeiro, representante da comissão e coordenadora do Serviço Social da unidade de saúde.

De acordo com Fagner Dantas, Gerente Médico do Hospital de Trauma de João Pessoa, é preciso trabalhar para que esse processo de conscientização e justiça ocorra também dentro dos lares. “O Serviço Social, os psicólogos, médicos, enfermeiros, dentre outros profissionais, que atendem essa paciente, não devem só fazer a sutura, a radiografia ou a cirurgia, mas também devem notificar e estimular que as autoridades tomem medidas cabíveis, por meio de uma orientação e um encaminhamento direto. Porque, se não houver isso, essas mulheres vão ser assassinadas dentro dos lares e a gente não vai poder fazer mais nada”, pontuou.