João Pessoa
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O mais antigo teatro de João Pessoa faz aniversário no dia 3 de novembro

sexta-feira, 30 de outubro de 2009 - 14:28 - Fotos: 

Uma programação à altura da importância da mais antiga casa de espetáculos de João Pessoa e a quinta do país marcará o aniversário de 120 anos do Teatro Santa Roza, celebrado no próximo dia 3 de novembro. Uma série de apresentações culturais foi programada pela Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) para o período de 3 a 28 de novembro, com espetáculos de teatro, dança e música, além de uma homenagem à dramaturga Lourdes Ramalho, com a estreia do espetáculo teatral “O Romance do Conquistador”, de sua autoria.

As comemorações serão abertas oficialmente no dia 11 de novembro, às 19 horas, com a presença do governador José Maranhão, do secretário de Educação e Cultura, Sales Gaudêncio, e do presidente da Funesc, Maurício Burity, entre outras autoridades, além de artistas e o público em geral. Na solenidade de abertura, haverá apresentações de Beto Brito, Pinto do Acordeon e Orquestra Sinfônica da Paraíba, que receberá, no palco, a cantora Renata Arruda. A cerimônia acontecerá dentro do teatro, mas o público terá acesso à programação através de um telão que será instalado em frente ao prédio.

A noite também será brindada pelo lançamento do livro ‘Santa Rosa: Um Teatro de 120 Anos (1889-2009)’, de autoria da jornalista e escritora Fátima Araújo. Não é a primeira vez que Fátima escreve sobre o Santa Roza. Em 1989, ela lançou o livro ‘Santa Rosa, Um Teatro Centenário’, na ocasião do aniversário de 100 anos do teatro. Nesse trabalho atual, a autora conta mais 20 anos de história, com inovações, descobertas e depoimentos de atores e autores cênicos, fazendo uma panorâmica do que aconteceu na casa do início dos anos 90 até hoje. O primeiro livro tem cerca de 160 páginas e esse novo trabalho contém 268.

 Com “S” ou com “Z”?

Fátima Araújo explica que o nome do teatro, cuja grafia tem gerado polêmica, é uma homenagem ao presidente da província, Francisco Luís da Gama Rosa (que assinava assim, com s). “O vocábulo ‘Santa’ era uma alusão religiosa, muito comum naquela época em que se tinha o hábito de trocar o s pelo z, nas palavras, por força do som e do arcaísmo que também grafou ‘theatro’ com ‘th’ no frontispício e nos documentos do Santa Rosa”, afirma.

O teatro Santa Roza tem estilo arquitetônico neoclássico, com influência greco-romana, possuindo colunas gregas com seus capitéis, na fachada, e esquadrias em arco pleno. “Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ao longo de sua história sofreu reformas que não chegaram a descaracterizá-lo, como a de 1917, no governo Camilo de Holanda, a de 1955/56, no governo José Américo, a de 1971, no governo Ernani Sátyro, e as reformas de 1979 e 1989/91, empreendidas, respectivamente, na primeira e segunda administração Tarcísio Burity”, lembra Fátima Araújo.

Por seu valor histórico, o Teatro Santa Roza é da maior importância cultural, social e política: além de servir de palco para as companhias de artes cênicas, concertos, recitais e artistas de renome que ali se apresentaram, funcionou como cine-teatro, de 1911 a 1941, abrigando ainda a Assembléia Legislativa do Estado, entre 1929 e 30.

“A emoção de adentrar suas dependências e passear por seus jardins é como revisitar o tempo e ouvir as belas vozes do canto lírico, que faziam o público delirar. O Teatro Santa Rosa é enfim um dos maiores amigos da cultura, um dos mais belos saldos de uma época de magia e sensibilidade”, afirma a escritora.

Palco foi erguido onde era a “forca dos condenados”

O fotógrafo e também historiador Arion Farias destaca algumas particularidades sobre o Santa Roza. Ele lembra que o prédio foi construído na Mata Negro, região pertencente aos frades do Mosteiro de São Bento. “Ali foi o local onde existia primitivamente a forca dos condenados, exatamente onde hoje é o palco”, informa.

Segundo Arion, o teatro levou 37 anos para ser construído, de 1852 a 1889. “O madeiramento é composto de sucupira e pinho de Riga e a primeira iluminação era através de um lustre de 12 braços, com pingentes de forma esférica piramidal em cristal, com centenas de pedras em forma elíptica, engastadas como uma grinalda de flores. O lustre ficava no teto e nas noites de espetáculo era descido por uma corda, através de roldanas”. O historiador explica que a energia elétrica só chegou ao Santa Roza em 1912.

Artistas falam da importância do Santa Roza para a Paraíba

Dentre o grande número de autores e atores que passaram pelo palco do Santa Roza, muitos ainda mantém uma relação afetuosa com a casa. Um deles é o ator e diretor Fernando Teixeira. “Da boca de cena do teatro Santa Roza, olhando-se profundamente para o espaço ocupado pelos camarotes, seus torneados, os lustres e o vazio da platéia, pode-se, sensivelmente, perceber que naquela pequena arca o que se estabelece é um encontro natural para que a criação possa surgir”, diz Teixeira. “Exponho meu amor por esse templo maravilhoso que faz parte dessa cidade como um significativo marco cultural que durante seus 120 anos tratou-se ali, da elevação do pensamento, da diversão e da reflexão de todos nós”, completa o diretor, que atuou no Santa Roza em espetáculos como ‘Navalha na Carne’, ‘15 anos Depois’, ‘Fogo Morto’, e dirigiu ‘Anayde’, ‘Curricaca’, ‘A Bagaceira’ e ‘Papa Rabo’, entre outros.

Para a atriz Soia Lira, que esteve no palco do Santa Roza encenando o premiado espetáculo ‘Vau da Sarapalha’, a casa é especial. “É o teatro mais importante do país, não tem igual. Já viajei bastante com ‘Vau da Sarapalha’, inclusive para fora do país, e posso afirmar que o Santa Roza é o teatro mais bonito que conheci”, declara, lembrando que a atriz Fernanda Montenegro, quando veio para uma palestra em João Pessoa, também deu um depoimento nesse sentido. “Ela disse que é uma das casas de espetáculo mais bonitas do Brasil. Eva Wilma também disse isso e muitos outros artistas famosos. Sempre que amigos meus, de outros estados, visitam João Pessoa, eu levo para conhecer o Santa Roza. É uma alegria muito grande estar naquele palco. É muito bom ser paraibana e ter uma casa de espetáculo como o Santa Roza”, afirmou.

A atriz Fabíola Lira, coordenadora de Artes Cênicas da Funesc, também viveu as alegrias de estar no palco do Santa Roza em espetáculos como ‘15 Anos Depois’, ‘Fogo Morto’, ‘Cronos’, ‘Mort'e Famme’ e ‘A Farsa do Poder’. “O Teatro Santa Roza é a minha segunda casa. Lá passei por vários momentos de muita emoção. Desde a primeira vez que entrei naquela nave para assistir a um espetáculo, lembro que não foi o espetáculo que me encantou, e sim o teatro. No ‘Santa’ vivi grandes momentos de minha vida, várias emoções, muitas alegria e algumas tristezas e é naquele palco que me sinto plena e capaz de tocar o divino e o profano com todo o meu ser. Parabéns Velho Santa pelos seus 120 anos!”.

O Santa Roza, que também funcionou como cinema, está na memória de quem vive a sétima arte, como é o caso do presidente da Academia Paraibana de Cinema, Wills Leal. “Hoje, quando o cinema passa por transformações físicas e culturais extraordinárias, é sempre oportuno se lembrar que foi no centenário Teatro Santa Roza onde foi exibido, na Paraíba, pela primeira vez, um filme falado. Mais do quer um templo cultural, este teatro é um extraordinário depositário de marcantes acontecimentos históricos paraibanos. E que assim seja para sempre”, completa.

Festival de Teatro e Dança encerra programação com chave de ouro

A XV Mostra Estadual de Teatro e Dança da Paraíba terá início dia 21 de novembro, encerrando, com chave de ouro, a programação comemorativa pelos 120 anos do teatro Santa Roza. O festival segue até o dia 28, no palco do tradicional teatro pessoense.
Nesta edição, a Mostra de Teatro e Dança vai homenagear o próprio teatro Santa Roza. Os troféus, que serão concedidos aos três primeiros lugares de cada categoria, receberão o nome do teatrólogo paraibano Thomás Santa Rosa. Os espetáculos vencedores também receberão prêmios de R$ 3 mil (1º lugar – teatro e dança), R$ 2 mil (2º lugar – teatro e dança) e R$ 1 mil (3º lugar – teatro e dança). O espetáculo classificado em 1º lugar também estará, automaticamente, selecionado para o XIV Festival Nacional de Arte (Fenart), previsto para abril do próximo ano no Espaço Cultural.

Além do sentido competitivo, a Mostra Estadual de Teatro e Dança realiza atividades pedagógicas e debates entre os grupos selecionados. As atividades pedagógicas são oficinas, workshops e demostrações técnicas e acontecerão no período de 21 a 28 de novembro, pela manhã. A taxa é de R$ 10. Os integrantes dos espetáculos inscritos terão entrada livre. Já os debates acontecerão à tarde entre os atores e diretores dos espetáculos.

 Confira a programação:

• 03/11/2009 – TERÇA-FEIRA
 
HORA EVENTO LOCAL
17h Aula Pública de Dança do Ventre Praça Pedro Américo
18h Fragmentos do espetáculo Guiomar, Filha da Mãe Praça Pedro Américo
19h30 Homenagem a Lourdes Ramalho Palco
20h00 O Romance do Conquistador  Palco
21h Show de Encerramento com LAS COQUETES BLUTÔNICAS Bar dos Artistas
 
•        04/11/2009 – QUARTA-FEIRA
 
HORA EVENTO LOCAL
17h Aula Pública de Balé Clássico Praça Pedro Américo
18h Grupo Folclórico do SESC Praça Pedro Américo
20h O Romance do Conquistador  Palco
21h Show de Encerramento com Maria Juliana e Michel Costa Bar dos Artistas
  •        10/11/2009 – TERÇA-FEIRA
HORA EVENTO LOCAL
17h Aula Pública de Hip-Hop Praça Pedro Américo
18h Maria Luiza Pires Palco
18h30 Enquanto o Tempo Chega Palco
19h A Farsa do Poder Palco
20h Show de Encerramento com MAYRA MONTENEGRO Bar dos Artistas
 
• 11/11/2009 – QUARTA-FEIRA – ABERTURA OFICIAL

HORA EVENTO LOCAL
17h Performance da Trupe Arlequin Praça Pedro Américo
17h30 Lançamento do Livro “Santa Rosa – Um Teatro de 120 Anos”, de Fátima Araújo Teatro
18h Aula Pública de Balé Clássico Praça Pedro Américo
19h Abertura Oficial Palco
20h Beto Brito e Pinto do Acordeom Palco
20h30 Orquestra Sinfônica da Paraíba  Palco
21h Renata Arruda  Palco
21h30 Orquestra Sinfônica da Paraíba  Palco
22h30 Show de Encerramento com Carlos Dowling Bar dos Artistas
•        12/11/2009 – QUINTA-FEIRA
HORA EVENTO LOCAL
17h Aula Pública de Dança Flamenca Praça Pedro Américo
18h Meidifêra Praça Pedro Américo
19h Coro Infantil da Paraíba
Coral da Funesc Palco
20h ESPARRELA Palco
21h Show de Encerramento com DJ INOCÊNCIO Bar dos Artistas
 
 
• 18/11/2009 – QUARTA-FEIRA

HORA EVENTO LOCAL
17h Aula Pública de Balé Clássico Praça Pedro Américo
18h Malazarte, Cancão, Trupizupe Praça Pedro Américo
19h Saída Praça Pedro Américo
20h Os Sete Mares de Antônio Palco
21h Show de Encerramento com Flamarion Bar dos Artistas

 
 Assessoria de Imprensa da Funesc