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3 de abril de 2014

Notificações de dengue registram queda de 64% em relação ao ano passado



No período de 1 de janeiro a 22 de março, foram notificados 962 casos suspeitos de dengue na Paraíba, sendo 145 descartados e 281 confirmados; 536 casos estão em aberto e/ou inconclusivos. Na comparação com o número de notificações no mesmo período do ano de 2013, foi observada uma redução de 64,30% (2.695 notificações). No entanto, 75% dos 120 municípios avaliados apresentam situação de alerta e risco para dengue.

Os números constam no Boletim Epidemiológico nº 03, divulgado nesta quinta-feira (3) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), segundo o qual 156 casos foram classificados como dengue, três como casos de Dengue com Sinais de Alarme e dois como dengue grave. Foram notificados três óbitos no período, nos municípios de Patos, Campina Grande e João Pessoa, sendo este último inicialmente classificado como causa dengue grave, mas depois de realizada a análise da área técnica, o caso foi descartado para dengue. No mesmo período de 2013 foram confirmados quatro óbitos por dengue, o que representa uma redução de 50%.

Esses dados demonstram o resultado do trabalho realizado pelo Estado no ano passado, quando foram realizadas várias ações, dentre elas, a qualificação no manejo clínico da dengue oferecido para profissionais da assistência, trabalho esse que segue também sendo realizado em 2014”, explicou a gerente executiva de Vigilância em Saúde, Talita Tavares.

Ainda segundo informações do boletim, em 2013, dos 223 municípios da Paraíba, 100 estavam sem registros no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Levando em consideração o mesmo período de 2014, 168 municípios se encontram sem registro no sistema, no entanto deve-se salientar que do BE02 para o BE03 houve um aumento de 32 para 55 municípios com casos registrados no sistema. Segundo Talita Tavares, esse avanço pode estar relacionado com a qualificação dos profissionais (médicos, enfermeiros e coordenadores de vigilância epidemiológica) no manejo clínico e nova classificação da dengue, realizado pela SES-GEVS nas 5ª, 6ª, 7ª, 8ª, 9ª, 10ª e 11ª gerências, totalizando 105 municípios, ou seja, 47,08% do Estado capacitado. Os demais municípios da 1ª, 2ª, 3ª e 4ª gerências serão qualificados no Manejo Clínico da Dengue no mês de abril, com agendas a serem definidas.

Durante a qualificação os profissionais adquiriram o conhecimento sobre o mosquito, a doença, sinais e sintomas, tratamento, fluxos laboratoriais, assistenciais e ainda a Nova Classificação da Dengue, com o objetivo de melhorar a assistência ao paciente com suspeita de dengue como forma de reduzir os casos graves e evitar os óbitos”, explicou.

Amostras de Sorologia – Ainda segundo o Boletim Epidemiológico, o Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) recebeu 313 amostras de sorologia, destas 111 reagentes, 186 não-reagentes e 16 indeterminadas. Dos 223 municípios, apenas 64 enviaram amostras ao laboratório estadual.

Observamos assim que em 2013 os municípios enviaram um número maior de amostras (606), uma vez, que a mesma contribui para a melhoria do diagnóstico da dengue no Estado. Para 2014 o Estado recomenda aos municípios um maior empenho no sentido de enviar amostras às gerências, visto que o Estado envia semanalmente um carro para o recolhimento das sorologias como forma de viabilizar a chegada ao Lacen-PB”, explicou Talita.

LIRAa – Durante o mês de março, 120 municípios realizaram o 2º levantamento de índices para avaliar a infestação predial pelo Aedes aegypti, através do LIRAa (Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti) e LIA (Levantamento de Índice Amostral), sendo este último para municípios que possuem até 2000 imóveis. Segundo dados enviados pelos municípios, 30 apresentaram índice satisfatório, ou seja, menor que 1% (o que representa 25% dos municípios do estado), 38 apresentam situação de alerta, ou seja, índices entre 1% e 3,9% (31,6% dos municípios) e 52 municípios apresentaram situação de risco, com índices maiores que 3,9% (43,3% dos municípios). Esses números mostram que 75% dos municípios avaliados apresentam situação de alerta e risco.

Segundo a gerente de Vigilância em Saúde da SES, é importante que a população tenha acesso aos dados sobre o IIP, para que possa contribuir contra a proliferação do mosquito. “Se a população não tem acesso aos dados sobre o índice de infestação predial e do número de casos suspeitos e confirmados do bairro onde mora, ela não se sente mobilizada nem incentivada para a eliminação dos focos do vetor”, disse Talita.

Recomendações – Com a queda das temperaturas em algumas regiões da Paraíba, a SES renova o alerta para que a população e os gestores municipais mantenham as medidas de prevenção da dengue. “Com as temperaturas mais baixas geralmente ocorre um descuido por parte de uma boa parcela da população e de gestores públicos, que tendem a minimizar o perigo. Mas é durante esse período que se acumulam criadouros que mais tarde, do final da primavera até meados do outono (quando as temperaturas são mais elevadas) contribuirão de forma decisiva para a ocorrência de nova epidemia, expondo toda a população ao risco de contrair a doença, inclusive nas formas graves”, explicou a gerente de saúde.

Para evitar a proliferação do mosquito transmissor da dengue a SES continua recomendando que a população faça a sua parte. É importante eliminar locais de reprodução. Pratos de vasos de plantas devem ser preenchidos com areia, tampinhas, latinhas e embalagens plásticas devem ser jogadas no lixo. Latas, baldes, potes e outros frascos devem ser guardados sempre com a boca para baixo. Caixas d’água devem ser mantidas fechadas com tampas sem rachaduras. Piscinas, se tratadas adequadamente, com cloro, não causam problemas. Deve-se colocar uma bóia sob a lona da piscina para facilitar o escoamento da água da chuva. Pneus devem ser furados ou guardados em locais cobertos. Lonas, aquários, bacias, brinquedos devem ficar longe da chuva.

UBV – O tratamento a Ultrabaixo Volume (UBV), que consiste na aplicação espacial de inseticidas a baixíssimo volume, mais conhecido como carro Fumacê, é usado para eliminação do mosquito adulto transmissor da dengue, e sua utilização só é indicada em localidades onde existe alto índice de infestação do Aedes aegypti, equivalente a 4%, e transmissão da dengue com casos confirmados laboratorialmente, de acordo com as normais do Ministério da Saúde. O veículo só pode circular à noite (18 às 22h) e pela manhã (das 4 às7h), períodos onde não há presença do sol. Além disso, a velocidade do vento não pode ultrapassar 6 km/h (monitorado por equipamento), enquanto a velocidade do carro só é permitida até 10km/h. Isso é importante para que a aspersão aeroespacial seja feita adequadamente e tenha eficácia.

Outro aspecto importante é a contribuição da população, como por exemplo, abrir as portas na hora da passagem do carro fumacê, inclusive portas dos quartos e movimentar objetos que possam servir de esconderijo do mosquito, para facilitar a exposição deles ao inseticida. Segundo Talita, tudo isso é necessário para se atingir a mortalidade esperada, que é de 80% da infestação do vetor na área onde o veículo está circulando.

Ações 2014 – Este ano a SES continuará realizando diversas ações visando o combate à dengue, como Lançamento de Campanha Publicitária para 2014, realizada em 28/03, qualificação dos técnicos das GRS (Gerências Regionais de Saúde) e SMS (Secretarias Municipais de Saúde) nas áreas da Assistência (Médicos e enfermeiros), Vigilância Epidemiológica no Manejo Clínico da Dengue, divulgação das ações e informes técnicos através de boletins epidemiológicos, disponibilização de material informativo para profissionais de saúde, parceria com Secretaria Educação nas escolas do Estado trabalhando material educativo alusivo ao tema dengue, aquisição de 08 veículos tipo caminhonete para UBV pesado, monitoramento através de visitas técnicas, na execução das ações elencadas nos Planos de Contingência Municipais, entre outros.

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Índice de Infestação Predial