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18 de maio de 2009

MS e Estado garantem ações para reduzir mortalidade infantil



Gestores de 21 municípios paraibanos, que registram mais da metade das mortes de crianças menores de um ano de idade, participaram nesta segunda-feira (18) da Oficina para Redução da Mortalidade Infantil, promovida pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), no Hotel Caiçara, em João Pessoa. A meta é reduzir 5% das mortes, a cada ano, nessas cidades. O secretário estadual de Saúde, José Maria de França, disse que a Paraíba tem condições de cumprir o desafio e por isso o aceitou. Representantes do Ministério da Saúde se colocaram à disposição do Estado para investir em ações que melhorem esse indicador e disseram que estão entusiasmados com a iniciativa da gestão.

“A redução da mortalidade infantil mexe com vários setores, começando no PSF, passando pelo Samu, Gerência de Regulação, Vigilância em Saúde, hospitais… Mas o desafio não é tão grande, se cada um fizer a sua parte. É o feijão com arroz. Se as equipes de Saúde da Família funcionarem bem, por exemplo, 80% dos problemas são resolvidos. Algumas vezes falta dinheiro, outras pode faltar um equipamento, mas na maioria das vezes o que falta mesmo é gestão. Falta compromisso, vontade de fazer”, disse o secretário José Maria de França, convocando os gestores a aceitarem o desafio de reduzir a mortalidade infantil no Estado.

Entusiasmo – O coordenador do Programa de Redução de Mortalidade Infantil do Ministério da Saúde, Adson França, que participou da oficina, disse que nesses 90 dias da gestão de José Maria de França, ele esteve em Brasília várias vezes para mostrar a disposição do governo em melhorar a saúde no Estado. “Ele nos levou preocupações concretas. A visão dele não é eleitoreira, é a visão correta do gestor, é a visão do Ministério. Ele tem um ano e sete meses para trabalhar e nós estamos apostando nesse trabalho. O Ministério da Saúde está entusiasmado com esse compromisso de José Maria. Os gestores dos municípios precisam fazer sua parte. Os prefeitos têm quatro anos para trabalhar, para ‘sair bem na foto’. Ninguém faz uma boa gestão, sem compromisso”, disse.

O diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde, do Ministério da Saúde, Otaliba Libâneo de Morais Neto, que também participou do evento, ressaltou a importância da qualidade da informação de saúde. “É preciso saber quantas crianças nasceram, quantas morreram, por que morreram, se eram prematuros. Não podemos mais ficar usando as estimativas do IBGE para calcular nossas taxas. Mas do que ter nossas informações, é preciso estimular que todos tenham acesso a elas e que entendam que muitas mortes poderiam ser evitadas. É preciso ter em cada município uma pessoa fazendo vigilância em saúde. Se pode contratar hospital, serviço, mas não se terceiriza vigilância”, destacou.

Otaliba Libâneo elogiou as ações planejadas na Paraíba para reduzir a mortalidade infantil. “As ações estão bem desenhadas. O Ministério da Saúde se coloca à disposição para financiar equipamentos, ampliar leitos, capacitar pessoas. Queremos só destacar que para reduzir mortalidade o PSF é a ação mais importante, mais do que os leitos, mais do que médicos pediatras… Mais importante do que o PSF nesse projeto é só a escolarização da mãe”, disse.

A oficina também contou com a presença do coordenador nacional de Banco de Leite, João Aprígio Guerra de Almeida, que deve permanecer em João Pessoa nesta terça-feira (19) para treinamento específico na área de banco de leite. Além dos técnicos e gerentes da SES, participaram do evento prefeitos e secretários de saúde dos 21 municípios que assinarão o pacto para a redução da mortalidade na próxima semana. O ato deveria ter acontecido durante a oficina, mas foi adiado devido à agenda do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que deve vir à Paraíba no próximo dia 25.

Dados – Segundo dados parciais da Gerência de Respostas Rápidas da Secretaria de Saúde do Município, em 2007 morreram 1.094 crianças na Paraíba antes de completarem um ano de vida. Dessas mortes, 570 aconteceram nos municípios contemplados no pacto, que são: Alagoa Grande, Alhandra, Areia, Bayeux, Cabedelo, Cajazeiras, Campina Grande, Esperança, Guarabira, Itabaiana, João Pessoa, Juazeirinho, Mamanguape, Monteiro, Patos, Princesa Isabel, Queimadas, Santa Rita, Sapé, Sousa e Taperoá. Essas cidades têm taxas de mortalidade infantil que variam de 12,82, por cada mil nascidos vivos até 37,74. Em 2007, a taxa de mortalidade na Paraíba era de 18,39 mortes, para cada mil nascidos vivos. Os dados ainda estão sujeitos à alteração.

Andréa Batista, da Secretaria de Saúde
Fotos:  Walter Rafael