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30 de junho de 2009

Mortes de Kaplan e Risoleta enlutam a música e a arte na Paraíba e no mundo



A cultura perde, quase ao mesmo tempo, dois ícones das artes na Paraíba: a artista plástica Risoleta Córdula, que faleceu na noite do domingo (28) em Recife (PE), aos 72 anos, vítima de insuficiência renal e nefropatia, e o maestro, professor, compositor e pianista José Alberto Kaplan, 73 anos, que morreu na tarde da segunda-feira (29), após longo período de enfermidade. Ambos foram cremados, nesta terça-feira (30), na Central de Velório e Crematório Caminho da Paz, localizada às margens da BR-230, em Cabedelo.

Risoleta Córdula vivia há mais de 20 anos em Paris, França, onde estudou Sociologia da Arte e fixou residência na capital francesa. Ela prestou assessoria ao Departamento Cultural da Embaixada do Brasil e trabalhou como crítica de arte internacional, além de difundir, pelo mundo afora trabalhos de vários artistas paraibanos.

O secretário de Educação e Cultura do Estado, Sales Gaudêncio, destacou que como exemplar funcionária da Embaixada do Brasil na França, “Risoleta foi uma incansável incentivadora dos artistas brasileiros, em particular dos paraibanos, dentro e fora do Brasil. Portanto, ficou para nós o seu exemplo de dedicação, carinho, incentivo e respeito aos artistas, pela sua excelente visão da arte e da criatividade”, acrescentou.

Para o subsecretário de Estado de Cultura, Flávio Tavares, a artista plástica “tinha dentro da alma um espírito muito nobre em relação às artes e, sobretudo, a pintura. Ela favoreceu não só a Paraíba, mas todo solo nacional, foi em vida a própria arte”, salientou. Ele lembrou ainda que Risoleta foi responsável pelo sucesso de vários brasileiros organizadores de exposições na França, a exemplo de Raul Córdula (seu irmão) e Cristina Oiticica.

Já para o presidente de Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), Damião Ramos, a Paraíba perdeu dois “grandes valores culturais: Risoleta Córdula, que se preocupava com a cultura da Paraíba e preservava grandes valores artísticos, e o maestro José Alberto Kaplan, considerado um dos maiores suportes da música no Estado. De maneira silenciosa, Risoleta participava do mundo cultural e temos isso na vida, valores que crescem, amadurecem e vão embora deixando sua obra, assim como o amigo Kaplan”, observou.

Legado – Considerado um dos maiores suportes da música no Estado, um dos fundadores e professor do Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e condutor da Orquestra Sinfônica da Paraíba (1986 a 1987), o maestro José Alberto Kaplan deixa um legado de compositores, músicos e educadores que desde algum tempo vem dando continuidade aos seus projetos, a exemplo do músico e compositor Eli-Ere Moura, que o definiu como “uma grande figura da arte nos deixa e temos que continuar com o trabalho reverenciando toda a trajetória de vida que o professor teve aqui na Paraíba”.

Ele informou que no dia 16 de julho, data do aniversário de Kaplan, o Departamento de Música da UFPB prestará uma homenagem, onde a idéia é que suas cinzas sejam enterradas, e por cima delas seja plantada uma árvore próximo ao Departamento “que era a grande paixão de sua vida”.

A vice-presidente da Fundação Espaço Cultural, Ana Gouveia, também lamentou a morte do maestro. “Uma grande perda, que nos deixa tanto ensinamento e uma vida de exemplo, não só como professor mais como ser humano”. Já o maestro da Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba, Luiz Carlos Durier, disse que Kaplan era um excelente professor, compositor e deixou uma boa lição de vida. “Tínhamos uma grande afinidade com o maestro que nos recebia em sua casa nos fins de semana para dar aulas”, lembrou.

Exemplo – Outras personalidades da música paraibana também estiveram presentes no velório e lamentaram a morte do maestro. “Um exemplo de dedicação e trabalho, Kaplan formou alunos que estão ocupando os mais brilhantes postos, não só na Paraíba como no mundo”, disse o maestro e chefe do Departamento de Educação Musical da UFPB, Tom K .

Para o coordenador da Coordenadoria de Extensão (Coex) da UFPB, a Paraíba perde o professor que educou uma geração de músicos que hoje são os mestres, professores de piano, regência, composição e de matérias teóricas. “Todo esse movimento que a gente vê tão forte na Paraíba de orquestras, corais, grupos musicais, ele ajudou decisivamente. E sempre dizia que o trabalho da música se divide assim: 5% de inspiração e 95% de transpiração”.

Para o chefe do Departamento de Música da UFPB e músico da Orquestra Sinfônica da Paraíba, Radegundes Feitosa, a Paraíba perde não só o músico, mas um mestre e compositor forte que educou três gerações.

Já o Coordenador de Curso de Licenciatura em Música da UFPB, Vanildo Mousinho, disse que a Paraíba perde “um maestro, professor e uma pessoa incentivadora da música nas várias situações que ela se apresenta”.

O maestro do Coral Universitário da Paraíba Gazzi de Sá, Eduardo Nóbrega, disse que Kaplan foi um exemplo de músico e professor, nunca se negando a repassar informações a quem necessitasse. “A maioria dos profissionais do Departamento de Música é fruto dessa antiga geração que hoje se encerra com Kaplan; a Paraíba te agradece maestro”, finalizou.

Mônica Nóbrega, da Secom, com fotos de Walter Rafael