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Ministério da Cultura vai investir no cenário literário de José Lins do Rego

sexta-feira, 18 de junho de 2010 - 09:01 - Fotos: 

O Engenho Corredor, cenário literário do escritor José Lins do Rêgo, será recuperado, também, com verbas do Ministério da Cultura ( Minc). “A ajuda para concluir a recuperação e revitalizar o Corredor é uma decisão pessoal do ministro Juca Ferreira. Já na próxima semana, estaremos analisando o projeto, elaborado pelos técnicos do patrimônio estadual, que prevê a criação de um espaço museal no local”, revelou Fred Maia, assessor especial do ministro.

Ao lado do diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP), Damião Ramos Cavalcanti, e do subsecretário de Cultura, David Fernandes, ele esteve na cidade de Pilar, visitando, em especial, o complexo da cana-de-açúcar, descrito em Menino de Engenho. “Estou maravilhado com o que estou vendo. E tenho a certeza de que, agora, o  projeto vai mesmo sair”, disse Fred.

Segundo o arqueólogo Ulisses Pernambucano, que avalia os projetos de interesses patrimoniais para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), todo o sistema de produção açucareira está presente no complexo do Engenho Corredor, formado pela Casa Grande, Casa de Purgar, galpões e casas de moradores, além de bens móveis com tachos e fornos. “A casa é um encanto”, disse. Ele destacou que a primeira parte da obra, a recuperação do imóvel central, está seguindo as normas exigidas para um bem patrimonial. “A parceria dos proprietários com o IPHAEP tem resultado em um trabalho realmente fantástico”.

Na ocasião, o diretor Damião Cavalcanti garantiu que os donos, Joaquim e Alba Soares, que não puderam ir ao encontro, já lhe revelaram a intenção de habitar o Engenho Corredor, tão logo sejam concluídas as obras na Casa Grande. “Depois disso, o próximo passo é abrir o bem para visitação pública e iniciar, com o apoio do Ministério da Cultura, a total recuperação e revitalização de Corredor”, revelou Damião. A arquiteta Darlene Karla Araújo, chefe do setor de fiscalização do IPHAEP, destacou que a obra está seguindo, integralmente, o projeto elaborado pelo patrimônio estadual. “Cada visita é motivo de grande satisfação”.
  
Até março de 2009, o cenário do Engenho Corredor era de abandono e desolação. O imóvel estava cercado pelo mato e com problemas de instalação, que comprometiam sua integridade física. “Hoje, o que vemos é o começo de uma outra realidade. Nossa ideia é ampliar a parceria com os proprietários e, com a supervisão do IPHAEP e agora que temos a certeza do apoio do próprio ministro Juca Ferreira, temos a certeza de que haverá, muito em breve, a recuperação total e a revitalização deste bem de valor inestimável”, garantiu Damião Cavalcanti.

Imóvel tombado desde 1998

O Engenho Corredor pertenceu ao avô do escritor José Lins do Rego e foi construído no século XIX, estando distante dois quilômetros da cidade de Pilar. O complexo patrimonial foi tombado pelo IPHAEP, através do Decreto nº 20.137, de 02 de dezembro de 1998. Quando menino, o autor de “Moleque Ricardo”, passava as férias no local. Já adulto, utilizou o cenário como matriz das narrativas de seus romances.

Promotor Público, José Lins do Rego estreou no mundo das letras em 1932, ao lançar “Menino de Engenho”, onde trazia à tona as mais remotas reminiscências de sua infância. Ao longo da vida, Zélins publicou dezenas de livros e crônicas e, ainda hoje, sua obra é traduzida nos mais diversos idiomas e publicada em países de todos os continentes.

Thamara Duarte, da Assessoria de Imprensa do IPHAEP