João Pessoa
Feed de Notícias

Mel produzido em Salgado de São Félix é destinado aos estados da PB, RN, PE e CE

terça-feira, 4 de maio de 2010 - 11:15 - Fotos: 

Nos últimos anos, a apicultura vem se tornando uma atividade cada vez mais atrativa para o Estado da Paraíba, devido, entre outros fatores, a sua menor vulnerabilidade à seca, quando comparada ao cultivo de outras culturas agrícolas. A vegetação do semiárido paraibano, apesar de não parecer viável, proporciona uma floração rica para a polinização das abelhas, a exemplo do marmeleiro, do silvestre e do juá. Como resultado, tem-se a produção de um mel com alto teor de pureza e bastante nutritivo, ou seja, um produto de qualidade com aceitação garantida no mercado consumidor.

A apicultura é considerada uma das grandes opções para a agricultura familiar por proporcionar a geração de emprego e o aumento de renda, aproveitando a potencialidade natural do meio ambiente e sua capacidade produtiva.

No município de Salgado de São Felix, região do Baixo Paraíba, um grupo de agricultores familiares deixou de plantar culturas como milho e feijão e está investindo na produção de mel, que vem dando lucro e melhorando a qualidade de vida dessas famílias do campo e a economia do município.

Virgínio Félix Alves é um dos agricultores que há mais tempo produz o mel na comunidade Dois Riachos. O incentivo para criar abelhas foi dado por um grupo de missionários que, ao visitar a localidade, no final da década de 80, deixou uma centrífuga e duas colmeias. Esse foi o material suficiente para Virgínio e sua família começarem a produção. De lá para cá, nunca mais pararam. Agora, na sua família, todos trabalham e vivem da renda gerada pela apicultura.

Virgínio conta que, no início, a extração do mel era feita de forma rudimentar. Para a criação das abelhas, por exemplo, eram utilizados caixotes ao invés de colmeias. Mas o interesse de outros agricultores pela cultura mudou esse cenário. É que, desde 2005, um grupo de 13 agricultores resolveu se unir e formar uma associação para organizar a produção e ampliar o acesso ao mercado consumidor do mel produzido no município.

Apesar da experiência de até 21 anos em atividade apícola, antes da associação, eles atuavam de forma desorganizada e sem aprimoramento das técnicas produtivas. Com apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB), eles se organizaram e já estão podendo colher os resultados desta iniciativa. A Associação de Apicultores de Salgado de São Félix começa a dar novo impulso à produção de mel na região.

Aumento de renda

De acordo com Virgínio, depois da união dos apicultores a produtividade e a renda aumentaram. “Quando começou a associação, com os 13 apicultores, nós estávamos produzindo em torno de 200 colmeias por ano e tínhamos uma produção estimada de 4.500 kg/ano de mel”, afirmou.

Ao longo desses anos, o escritório local da Emater, em Salgado de São Felix, foi responsável pela elaboração de dezenas de projetos do Pronaf do Banco do Nordeste. O dinheiro financiado ajudou na aquisição de equipamentos e materiais para aumentar a produção como colmeias, melgueiras, máquina de sachê e casa de extração de mel.

O técnico da Emater local, o zootecnista Paulo Emílio Souza, explica que a assistência feita pela empresa é muito ampla. “Uma vez por semana os integrantes da associação recebem a visita de um técnico do escritório que faz a revisão, orienta sobre a manutenção dos apiários e, recentemente, iniciamos um georefenciamento desses apiários a fim de não deixá-los tão próximos. Dessa forma, temos um aumento na produção”, disse.

Uma particularidade da apicultura é que não há necessidade de dedicação em tempo integral à produção. “As abelhas trabalham todos os dias, mas para o apicultor o trabalho é apenas mensal ou até quinzenal, o maior trabalho para ele é na época da colheita”, explica Paulo.

Comercialização garantida

Hoje com uma produção de 40.000 kg/litros de mel por ano e com 44 sócios, o mel produzido na Associação de Apicultores de Salgado de São Félix é destinado, além da Paraíba, para outros estados como Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, segundo informa Virgínio Félix Alves Silva, presidente da associação.

O associado entrega sua produção para a Associação, que a coloca diretamente no mercado, sem a interferência do atravessador. Esta operação direta do agricultor com os pontos de revenda permite o barateamento do produto e proporciona mais lucros aos apicultores. Cada associado ganha, na comercialização do mel, de acordo com a quantidade que fornece. “Eu tenho 80 colmeias, o Samuel 60, José Neves 60 e João Isídro 20. Cada um recebe pelo que produz proporcionalmente”, destacou o presidente da associação.

O trabalho na associação vem proporcionando uma venda garantida do mel produzido. É o caso de Samuel da Silva que possui 60 colmeias e afirma que antes tinha muita dificuldade de comercializar seu mel. “Teve anos que eu tive de armazenar, de um ano para o outro, o mel porque não tinha pra quem vender. Esse ano, toda a safra já foi vendida, antes mesmo da coleta, que ocorre de quatro a cinco vezes por ano. Tudo que produzimos é vendido”, assegurou Samuel, que participa da associação desde sua fundação.

Por ser uma atividade lucrativa e que dá certo, muitas pessoas estão querendo participar da associação, inclusive apicultores de outros municípios. Virgínio esclarece que para se filiar é preciso que o interessado participe das reuniões ocorridas mensalmente e passe pela aprovação da assembleia.

Alimentação escolar

Por ser um produto natural e menos calórico que o açúcar, o mel produzido pelos apicultores da Associação de Salgado de São Félix é destinado para programas como o de Aquisição de Alimentos que destina 14 mil litros da produção anual para a modalidade doação simultânea do PAA e, a partir deste ano, irão ingressar também no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

O produto líquido já faz parte do cardápio das escolas municipais e estaduais de Salgado de São Félix. Mas a novidade é que, este ano, as mulheres dos integrantes da Associação estão diversificando a produção com a introdução na alimentação escolar de produtos como pães, biscoitos e bolos à base do mel. 

Aperfeiçoamento

Além da assistência da Emater, a associação recebe apoio de diversos parceiros como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PB), a Secretaria de Agricultura do Estado, o Banco do Nordeste, o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado da Paraíba e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

De acordo com Paulo Emílio, essas instituições ajudam na capacitação dos integrantes e investem na divulgação da empresa – como é o caso do incentivo na participação de congressos e feiras. “Eles já participaram de eventos sobre apicultura em Aracaju, Minas Gerais e São Paulo e este ano vão para Cuiabá. Quando eles voltam, repassam os conhecimentos para o restante do grupo”, destaca.

Entreposto

A associação ganha novo impulso este ano. É que o projeto entreposto do mel, no valor de R$ 470.000,00, foi aprovado no convênio dos Arranjos Produtivos Locais (APL’s) do Governo do Estado em parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Com a aprovação, serão instalados quatro postos de coletas para recolher o mel no campo e duas casas de extração. Hoje, apesar de o mel ser colocado em sachês e envasado em litros dentro do padrão de vigilância sanitária, tudo é feito de forma artesanal. O entreposto também favorecerá a diversificação da produção com a fabricação de extrato de própolis, cera, geleia real entre outros.

Da Assessoria de Imprensa da Emater-PB