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Médicos e enfermeiros de 76 municípios recebem qualificação no manejo clínico da dengue

segunda-feira, 26 de maio de 2014 - 17:10 - Fotos:  Ricardo Puppe

Nesta segunda-feira (26), durante todo o dia, está sendo promovida mais uma etapa do manejo clínico da dengue, promovida pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), por intermédio da Gerência Executiva de Vigilância em Saúde, para 250 profissionais, entre enfermeiros, médicos e coordenadores de vigilância epidemiológica, que trabalham nas Unidades de Saúde da Família, hospitais, UPAs e SAMU dos municípios. A qualificação, que, desta vez, alcançou 76 municípios (1ª, 2ª, 4ª e 12ª Gerências Regionais de Saúde), está acontecendo no auditório da Associação dos Plantadores de Cana-de-Açúcar (Asplan), na capital.

De acordo com a programação, durante a manhã, foi realizado o manejo clínico, ou seja, como identificar o paciente com suspeita de dengue; como conduzi-lo na rede de assistência (atenção básica, UPA ou hospital) e o tratamento adequado para cada caso. À tarde, os profissionais serão informados quanto à vigilância epidemiológica; à situação do seu município, em relação ao número de casos; um reforço da nova classificação da dengue e terão um comparativo dos casos da doença entre 2013 e 2014.

A técnica responsável pela dengue no Estado, Izabel Sarmento, salientou que este é o momento dos profissionais tirarem todas as dúvidas, a fim de melhorar a situação em todos os municípios. “Desde janeiro nós estamos promovendo o manejo clínico da dengue e, a partir dele, os profissionais serão multiplicadores das informações recebidas nos seus respectivos municípios”, disse. Izabel informou que com esta capacitação já são 952 profissionais da meta de 1.000 qualificações.

Em 2013, até a semana de número 20, tinham sete óbitos confirmados. Neste ano, até então, são dois óbitos confirmados. Para Izabel, a redução reafirma a importância da qualificação, um reflexo do que o Estado vem fazendo. “O objetivo do Estado é disseminar as informações para que não ocorra mais nenhum caso de óbito. É importante lembrar, também, que dengue não se trabalha apenas de janeiro a junho – é um trabalho para o ano todo, para que possamos melhorar a qualidade da assistência direcionada ao paciente com suspeita de dengue”, falou.

Maria das Graças Gomes de Lima, coordenadora da Vigilância em Saúde do município de Pilar, é umas das profissionais participantes. “A cada dia que passa, nós pensamos que a dengue está sendo eliminada e, infelizmente, não é bem assim. Em eventos como este nós recebemos novas informações para que, na prática, possamos trabalhar melhor”, exclamou.

Nova Classificação – A partir de 2014, o Ministério da Saúde passou a adotar uma nova classificação da dengue. Não existe mais a classificação de dengue hemorrágica; dengue com complicações (DCC) e dengue clássica. Elas foram substituídas por dengue; dengue com sinais de alarme e dengue grave.

Nos casos suspeitos de dengue, os indivíduos apresentam febre, usualmente, entre dois e sete dias, e apresentem duas ou mais das seguintes manifestações: náusea ou vômitos; erupção cutânea, geralmente avermelhada; dores musculares e nas articulações; dor de cabeça; dor no fundo dos olhos; manchas avermelhadas na pele; e redução dos glóbulos brancos do sangue.

Já nos casos suspeitos de dengue com sinais de alarme, no período de efervescência da febre, a pessoa apresenta dor abdominal intensa e contínua, ou dor à apalpação do abdômen; vômitos persistentes; acumulação de líquidos; sangramento de mucosas; letargia ou irritabilidade; hipotensão postural (lipotimia); hepatomegalia maior do que 2 cm; e aumento progressivo do hematócrito.

Os casos suspeitos de dengue grave apresentam um ou mais dos seguintes resultados: choque devido ao extravasamento grave de plasma evidenciado por taquicardia; extremidades frias e tempo de enchimento capilar igual ou maior a três segundos; pulso débil ou indetectável; pressão diferencial convergente ≤ 20 mm Hg; hipotensão arterial em fase tardia; acumulação de líquidos com insuficiência respiratória; sangramento grave do sistema nervoso central; e comprometimento grave de órgãos tais como: dano hepático importante, sistema nervoso central (alteração da consciência), coração (miocardite) ou outros órgãos.

Tratamento – O tratamento da denguerequer bastante repouso e a ingestão de muito líquido, como água, sucos naturais ou chá. No tratamento, também são usados medicamentos antitérmicos que devem ser recomendados por um médico.

Balanço Nacional – Até o dia 3 de maio, foram notificados 394.614 casos de dengue, contra 1.218.306 em 2013, o que equivale a uma queda de 67,6%. Os casos graves da doença também caíram 56% no período – foram confirmados 2.478 casos graves da doença, contra 5.674, em 2013.

Balanço Estadual – Até o dia 26 de abril, foram notificados 2.531 casos suspeitos de dengue, contra 5.356 em 2013, registrando uma queda de 52,7%. Os municípios com maior número de notificações neste ano são: João Pessoa (625 casos), Pocinhos (270 casos), Campina Grande (223 casos) e Monteiro (172 casos).