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25 de maio de 2009

Maurício Burity anuncia reativação do Espaço Cultural



Maurício Burity anuncia revitalização do Espaço Cultural e diz que descaso da gestão anterior provocou sucateamento das instalações físicas do local.

O Espaço cultural voltará a ter destaque e importância no cenário cultural paraibano, com as funções de centro cultural, educativo e de lazer. Para isso, passará por ampla recuperação da sua estrutura física, com a eliminação de goteiras que afetam o funcionamento do teatro, do cinema e de vários outros setores.

Também serão retomadas as atividades do planetário e a reforma da biblioteca será concluída até o fim deste ano para voltar a atender o público. Aliás, a biblioteca, com acervo de 83 mil livros e que registrava um fluxo médio de 350 pessoas por dia, está sem funcionar há cinco anos.

Essa diretriz foi adotada pelo atual presidente da Fundação Espaço Cultural, Maurício Navarro Burity, filho do ex-governador Tarcísio Burity, que construiu e inaugurou o centro cultural, localizado no bairro de Tambauzinho, em João Pessoa.

Apesar dos inúmeros problemas de manutenção, o equipamento público não oferece riscos de desabamento. Mas, muitos setores e eventos estão prejudicados como o Festival Nacional de Arte (Fenart), que este ano não será realizado. No processo de recuperação do Espaço Cultural, ele observa que precisa de pessoas que vistam a camisa da instituição e vai trabalhar para elevar a auto-estima dos servidores.

Qual a diretriz, na área cultural?

O evento artístico de maior importância é o Fenart. Definimos, junto a classe artística que não adianta se promover este evento de grande porte sem termos a estrutura suficiente para ele, porque é amplo, envolve praticamente todos os segmentos da cultura e precisamos, na parte de literatura, por exemplo, de espaço físico, da biblioteca e outros espaços que temos, mas infelizmente estão com goteiras. Então vamos postergar essa data para abril do ano que vem. Antes mesmo de pensar na grandeza que o Fenart representa, a gente vai retomar as atividades que estão paralisadas dentro do Espaço Cultural e fazer com que ele volte a fazer parte da cena cultural da Paraíba, com a importância que tem.

Que atividades seriam essas?

Vou revitalizar setores que não estavam funcionando como o Planetário, que está parado há quase dois anos. Vamos retomar contatos com as escolas municipais para visita das crianças, até numa visão de inclusão social. As visitas trazem alegria aqui para o Espaço.

E a luteria?

Temos dois excelentes profissionais que trabalham em espaço pequeno, sem apoio nenhum. Então, estamos instalando ar condicionado e melhorando as condições. E também vamos retomar as aulas de luteria. Eles são referências para o Brasil e podem, sem sombra de dúvida, transferir esta experiência para terceiros. Assim, em mais dois meses estaremos com os equipamentos que estamos comprando para montar o setor, para que ele volte a ser a referência que sempre foi.

O que será feito pela escola de música ?

A Escola de Música Antenor Navarro está funcionando e temos um projeto para ser discutido, mas a idéia é também a inclusão de crianças especiais, que realmente o Espaço Cultural não oferece esse tipo de curso e o nosso grande desafio é a Biblioteca Juarez da Gama Batista, com acervo de 83 mil livros e cujas obras estão paralisadas há cinco anos. É um espaço belíssimo que até o final do ano vamos reabrir.

Temos ainda a Praça do Povo, que é um espaço de grandes eventos, com capacidade para até 20 mil pessoas, mas que está interditada pelo Ministério Público, limitando o horário até as 22 h. Esta foi uma decisão de oito meses para cá. Em abril do próximo ano, o Espaço completará 27 anos e nunca na sua história sofreu uma interdição que seja. Que descaso foi esse da gestão anterior a ponto de ter uma interdição do Ministério Público? Algumas pessoas falaram que foi por causa de um show…

Como ficarão o cinema e o teatro?

Lamentavelmente tanto o cinema como o teatro têm problemas estruturais sérios por conta exatamente da goteira e isso cada vez mais está depreciando e danificando o bem público e, infelizmente, temos que interditar esses dois patrimônios que são referência na Paraíba. O próprio superintendente da Suplan, Gilson Frade, esteve conosco e estamos fazendo um grande orçamento dos problemas estruturais que o Espaço tem para depois definir as prioridades.

E quanto à Orquestra Sinfônica da Paraíba?

A Sinfônica perdeu praticamente 60% dos seus quadros. Houve uma grande migração para outros Estados, devido à falta de apoio e a questão financeira, pois Estados circunvizinhos oferecem condições salariais em torno de 30% melhores do que a Paraíba e, como são profissionais que têm família e obrigações, infelizmente saíram. A orquestra chegou a ter 130 músicos e hoje tem apenas 46.

Anteriormente, o Espaço Cultural tinha dois elevadores panorâmicos que levavam ao restaurante, na área externa?

Dos elevadores não encontramos nada, da cozinha, apenas dois fogões em inox. Nada de pratos e talheres.

Como estão a galeria Archidy Picado, o Museu José Lins do Rego e o arquivo público?

Estas três áreas que, dentro do Espaço, apresentam menos problemas de ordem estrutural. A questão da Galeria é apenas o subdimensionamento do ar condicionado e, resolvido isso, ela voltará a ser uma das atrações do Espaço. Além disso, também está no subsolo a Escola de Dança, que precisa de recuperação, embora esteja funcionamento, porque o cheiro de mofo é grande e prejudica as crianças, causando problemas respiratórios. Algumas mães inclusive chegaram a tirar as crianças por conta disso.

Na praça, são realizados muitos eventos comerciais. Isso continuará a acontecer?

A tendência é que não. Aqui foram realizadas até feira com animais e isso descaracteriza e desvirtua a finalidade do Espaço Cultural. Estamos em dúvida com relação às feiras de veículos. O espaço tem repasse financeiro e precisamos de receita própria, mas isso tem que ser feito de outra forma.

Os boxes e unidades bancárias vão continuar?

Isso será repensado. Cerca de 90% dos comerciantes instalados estão em atraso com o valor do aluguel que pagam, além disso, há uma poluição visual muito grande, modificando o projeto arquitetônico original. O Tribunal de Contas recomendou uma revisão dos contratos que estão baixos e incluem até o consumo de luz. Também os bancos devem ter os contratos revisados por esse motivo.

O estacionamento tem espaço para 400 veículos e é terceirizado. Ele continuará dessa forma?

Também a empresa está em atraso no pagamento do arrendamento. Já chamamos o proprietário para conversar. A idéia é que ele volte a ser gerido por nós.

 

Nana Garcez, da Secom