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Maternidade Frei Damião implanta Acolhimento com Classificação de Risco

segunda-feira, 28 de novembro de 2011 - 10:56 - Fotos:  José Lins/Secom-PB

Um atendimento humanizado, em que a paciente é respeitada e recebe atenção especial. Esta é a filosofia do Sistema de Acolhimento com Classificação de Risco (ACCR), implantado pela Maternidade Frei Damião, que integra a rede hospitalar do Estado. Com 25 anos de existência, a Frei Damião é uma das maternidades de referência no Estado em atendimento à paciente obstétrica.

“Temos uma demanda de pacientes vindas de outros municípios, não restringindo o atendimento apenas às usuárias de João Pessoa”, explicou a diretora geral da maternidade, Maria de Fátima Oliveira dos Santos. Ela disse que o ACCR atende a todos os requisitos previstos pela Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde, com treinamento do quadro de funcionários da maternidade. O ACCR foi implantado em abril deste ano com o objetivo de melhor atender a população assistida na unidade de saúde.

“Ressaltamos os inúmeros benefícios para as pacientes, com atendimento agilizado para os casos de maior risco, com diminuição do tempo de espera para os casos agudos e os que demandam urgência, e a informação sobre o tempo de espera às usuárias e familiares, com melhoria da qualidade do atendimento”, destacou a diretora.

A comerciária Rosa de Fátima Peixoto, 32 anos, passou pelo serviço e gostou do atendimento. Grávida de dois meses, ela chegou à maternidade se queixando de dores abdominais. Depois de passar pela triagem e ser avaliada pela enfermeira Priscila Farias de Albuquerque, que coordena o setor de Acolhimento com Classificação de Risco, ela recebeu a fita azul e ficou esperando o atendimento. “A gente é bem atendida e a enfermeira escuta com atenção tudo o que a gente tem a dizer. Isso é muito bom”, observou.

A estudante Fernanda Pereira de Vasconcelos, 24 anos, também esteve no Setor de Acolhimento com Classificação de Risco. Ela estava sentindo enjôos e se queixando de dores na barriga. A exemplo de Rosa de Fátima Peixoto, a estudante também foi avaliada pela enfermeira Priscila Farias, recebeu a fita azul e ficou aguardando para ser atendida. “A gente percebe o cuidado e a preocupação que os funcionários têm com a nossa saúde e isso traz confiança em toda a equipe”, disse a estudante.

A diretora Maria de Fátima, que é médica com mestrado em Saúde Publica e doutoranda em Bioética pela Universidade do Porto, disse que o projeto parte dos seguintes princípios: acolher todas as pessoas que buscam por ajuda de saúde, garantindo o acesso universal; propiciar um tempo de fala e de escuta; informação e comunicação entre as usuárias e a enfermeira, para avaliação primária de classificação de risco.

Ela lembrou que, em 2006, o Ministério da Saúde implantou a Política Nacional de Humanização (PNH) HumanizaSUS, voltada para prevenir, cuidar, proteger, tratar e recuperar.  “Com base nas diretrizes da PNH, o acolhimento demanda uma atitude de responsabilidade de todos profissionais, as enfermeiras, os médicos, os técnicos e a recepção da Maternidade Frei Damião junto às usuárias. No acolhimento, o profissional ouve as queixas e as expectativas, identifica o risco e se responsabiliza por dar uma resposta ao problema”, disse Maria de Fátima.

A diretora explicou que o acolhimento é antes de tudo uma diretriz política e operacional do SUS e implica prestar um atendimento com resolutividade e responsabilização, orientando a paciente e a família, garantindo a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência quando necessário.  O ACCR é um dispositivo técnico-assistencial que permite a garantia de acesso, pois possibilita a identificação das prioridades para atendimento, ou seja, atender segundo a necessidade de saúde/gravidade/risco de cada usuária.

A classificação de risco do atendimento ocorre mediante protocolo, visando identificar as que necessitam de atendimento médico mediato ou imediato. O atendimento deve ser feito por uma equipe multiprofissional composta por enfermeiro, técnico de enfermagem, serviço social, equipe médica e profissionais da portaria/recepção. “É um processo dinâmico de identificação das mulheres que necessitam de intervenção médica e de cuidados de enfermagem, de acordo com o potencial de risco, agravos à saúde ou grau de sofrimento”, explicou Maria de Fátima.

Ao chegar à maternidade e, dependendo da necessidade aguda ou de urgência, a usuária é acolhida pelos funcionários da portaria/recepção e encaminhada para realização da ficha de atendimento. Após a sua identificação, ela é levada ao espaço destinado ao Acolhimento com Classificação de Risco, onde serão aferidos os dados vitais pela equipe de enfermagem (devidamente treinada para esta prática), apoiada pelo médico obstetra. Utilizando informações da escuta qualificada e da tomada de dados vitais, o médico se baseia no protocolo e classifica a usuária.

Prioridade Máxima (Vermelha) – Emergência – Atender mediatamente e encaminhar diretamente para atendimento médico, no Pré-parto ou Bloco Obstétrico.

Prioridade I (Laranja) – Muito Urgente – Atender em até 10 minutos e encaminhar para consulta médica priorizada.

Prioridade II (Amarelo) – Urgente – Atender em até 30 minutos e encaminhar para consulta médica priorizada. Reavaliar periodicamente.

Prioridade III (Verde) – Pouco urgente – Atender em até 120 minutos e encaminhar para consulta médica sem priorização. Informar expectativa do tempo de atendimento e reavaliar periodicamente.Pacientes classificados como ‘verde’ podem também receber encaminhamento à unidade básica de referência pelo serviço social, via contato telefônico, com garantia de consulta médica e/ou cuidados de enfermagem, situação que deve ser pactuada previamente.

Prioridade IV (Azul) – Não urgente – Atender em até 4 horas e informar a possibilidade de encaminhamento para a Atenção Básica (UBS). Pacientes classificados como ‘azul’ poderão ser encaminhados, através de documento escrito, para o acolhimento na Unidade Básica de Saúde de referência.