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Marcha do usuário encerra Semana Estadual de Luta Antimanicomial

sábado, 17 de maio de 2014 - 11:59 - Fotos:  Ricardo Puppe/Secom-PB

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, realizou na tarde dessa sexta-feira (16), uma marcha com os usuários dos serviços de saúde mental na Paraíba. A atividade marcou o encerramento da IV Semana Estadual de Luta Antimanicomial, que teve início na segunda-feira (12). Mais de 400 usuários desses serviços caminharam do anel interno do Parque Solon de Lucena (Lagoa), até a Praça dos Três Poderes, no centro de João Pessoa.

Maria Aparecida, usuária do serviço Caps, ressaltou o tratamento que os usuários recebem. “Todos aqui na rede de saúde mental da Paraíba cuidam de nós com amor, somos uma verdadeira família. Eles trabalham com amor, dão o seu melhor sempre para cada um de nós, e isso reflete na nossa recuperação”, disse.

Já Josilene Santos, também usuária do Caps, lembrou a importância da luta pelos direitos dos usuários de saúde mental. “Eu vim de Mari e estou aqui muito feliz, participando desta festa bonita, lutando por direito à liberdade, de sermos pessoas livres sim, porque não somos loucos, loucos são aqueles que pensam isso de nós”, disse.

De acordo com a coordenadora Estadual de Saúde Mental, Shirlene Queiroz, o Governo do Estado vem lutando em defesa da saúde mental. “Isso aqui é muito emocionante, faz valer a pena cada esforço, cada suor derramado nessa luta. Sentir esse reconhecimento por parte do usuário, saber que ele agradece, que é esse tratamento que ele quer, cuidado e liberdade, isso nos deixa muito felizes. E é isso que nós queremos, uma Rede Caps efetiva e leitos em hospital geral.  Mais de 43 municípios estão aqui,  junto com a gente nessa causa, defendendo a saúde mental”, disse.

Saiba mais – O Movimento Antimanicomial tem o dia 18 de maio como data de comemoração no calendário nacional brasileiro. Esta data remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no Estado de São Paulo, que reuniu mais de 350 trabalhadores na área de saúde mental.

Quando ainda não havia controle de saúde mental, a loucura era uma questão privada onde as famílias eram responsáveis por seus membros portadores de transtorno mental. Os loucos eram livres para circulação nos campos, mas também eram alvo de chacotas, zombarias e escárnio público.

Com o passar dos anos, começou a discussão e luta pela implantação de serviços de saúde mental no Brasil. Foi quando surgiram as primeiras instituições, no ano de 1841 na cidade do Rio de Janeiro, que era um abrigo provisório, logo após surgirem outras instituições como hospícios e casas de saúde. Somente no final do século XX é que a militância por serviços humanizados conseguiu as primeiras implantações de Centros de Atenção Psicossocial, os Caps .

As condições da saúde mental no Brasil evoluíram, porém a luta antimanicomial não parou. Ainda acontecem manifestações em todo o país no dia 18 de maio, para que se mantenha vivo o cuidado com os doentes, e para que fique claro que eles não devem ser excluídos da sociedade e maltratados como eram antigamente, mas sim orientados e acompanhados para que possam encontrar seu lugar no mundo.