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Maranhão externa pesar pela morte de Zilda Arns e de militares brasileiros no Haiti

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010 - 10:43 - Fotos: 

Nesta quinta-feira (14), no Cine Bangüê do Espaço Cultural, em João Pessoa, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade 2010, o governador José Maranhão expressou, em nome do povo paraibano, o sentimento de pesar que entristece toda a Paraíba devido ao trágico falecimento da Doutora Zilda Arns, ocorrido na cidade de Porto Príncipe, no Haiti.

Maranhão ressaltou a solidariedade dos paraibanos à família Arns e à própria família brasileira pela perda irreparável que o infausto acontecimento causa à Pastoral da Criança e à Pastoral da Pessoa Idosa, movimentos voluntários que tiveram no marcante trabalho da Doutora Zilda Arns sua motivação para promover ações sociais merecedoras de reconhecimento internacional.

"Quero, por fim, exprimir o desejo de que as sementes plantadas e germinadas pelas pastorais continuem sendo semeadas em nome do que essa grande mulher representou para a melhoria da qualidade de vida de inúmeros meninos, meninas e idosos brasileiros. Os votos de pesar e de solidariedade do Governo do Estado são extensivos aos familiares, parentes e amigos dos civis e militares brasileiros, especialmente os radicados na Paraíba, que também perderam suas vidas na tragédia do Haiti", complementou.

O governador foi recebido pelo arcebispo Dom Aldo Pagotto e assistiu a boa parte da palestra da socióloga e economista Tânia Bacelar, uma das palestrantes do II Congresso de Gestão Eclesial. Ele estava acompanhado da primeira-dama Fátima Bezerra, da secretária Lena Guimarães, da Comunicação, e do secretário Marcelo Weick, do Gabinete Civil, entre outros auxiliares.

Zilda Arns

A médica Zilda Arns Neumann, 75, coordenadora da Pastoral da Criança e três vezes indicada ao Prêmio Nobel da Paz pelo Brasil, foi inspirada a iniciar seu trabalho em 1982, depois de um membro das Nações Unidas incumbir seu irmão, o cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, de promover a redução da mortalidade infantil no país por meio da Igreja Católica.

Formada em medicina e com especializações em educação física e pediatria, o trabalho de Zilda com crianças começa no Hospital Cezar Pernetta, na capital paranaense, entre 1955 e 1964. Depois de trabalhar em outras instituições, ela reforça seus laços com os jovens e com a Igreja – também graças ao irmão cardeal, ícone da luta contra o Regime Militar (1964-1985) e desde o início um dos maiores advogados das ações da Pastoral.

Pouco depois da fundação da Pastoral da Criança, ligada à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), chegou o apoio do Unicef, agência da ONU que apóia técnica e financeiramente projetos e ações pela sobrevivência, desenvolvimento e proteção de crianças e adolescentes.

Zilda levou a primeira ação da entidade a Florestópolis, no Paraná, onde o índice de mortalidade chegava a 127 mortes a cada mil crianças. Após um ano de atividade, o índice recuou para 28 mortes a cada mil nascimentos. O sucesso inicial incentivou a Igreja a expandir a Pastoral da Criança para todos os Estados do país.

"Um projeto como esse seria essencial para ensinar as mães a cuidar dos filhos", disse Zilda em entrevista a uma publicação católica. "Sempre percebia que elas tinham filhos doentes porque erravam. Quando se inicia algo que vai ao encontro de uma necessidade, a perspectiva de sucesso é maior. E isso não tem fronteiras."

A Pastoral estima que cerca de 2 milhões de crianças e mais de 80 mil gestantes sejam acompanhadas todos os meses pela entidade em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania.

Coordenadora - Até sua morte no terremoto do Haiti na terça-feira (12), Zilda coordenava cerca de 155 mil voluntários, presentes em mais de 32 mil comunidades em bolsões de pobreza em mais de 3.500 cidades brasileiras.

Alexandre Nunes, da Secom