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Maranhão assina ordem de serviço e Centro de Convenções é iniciado

segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 15:28 - Fotos: 

A construção do Centro de Convenções de João Pessoa agora entra numa fase de realização de obras, depois de vencidas pendências junto ao Tribunal de Conta da União (TCU). A ordem de serviço foi assinada na manhã desta segunda-feira (28), pelo governador José Maranhão, no canteiro de obras na rodovia PB-008 no Pólo Turístico Cabo Branco, acesso às praias do Litoral Sul da Paraíba. Na ocasião, o governador informou que a meta é reduzir o cronograma da obra para 2010 e recuperar o tempo perdido.

“O projeto que começamos não é para fracassar. Temos pressa para crescer, por isso vamos recuperar o tempo perdido”, afirmou o governador. A obra custará R$ 106,5 milhões, dos quais 20% serão de recursos próprios do tesouro estadual. Já estão assegurados R$ 10 milhões e mais R$ 30 milhões são pleiteados junto ao Governo Federal. O Centro será composto de praças, espelho d’água, estacionamento, jardins, mais uma reserva legal de preservação ambiental.

Empresários do setor turístico, representantes de entidades ligadas ao comércio e a indústria e políticos deram testemunho de que se trata de uma obra que vai marcar a história administrativa e política da Paraíba, e poderá se transformar num marco na economia estadual. Junto com o Centro de Convenções, o governo trabalha na execução do Pólo Turístico Cabo Branco, que está sendo reavaliado por uma comissão.

Um momento de emoção marcou o início do discurso do governador José Maranhão, tendo pronunciado uma oração de agradecimento pela oportunidade que estava tendo de realizar uma obra deste porte. Ele fez um discurso que serviu também para a prestação de contas dos 180 dias iniciais do seu governo que, segundo revelou, “recebeu um caos”.

Inclusão social – Segundo ele, o primeiro desafio após chegar ao Palácio da Redenção foi restaurar o caráter público administrativo e sua reorganização. Para mostrar a forma de austeridade com que pretende continuar seu trabalho conduzindo os destinos da Paraíba, o governador em público mandou um recado para seus auxiliares: não permitirá desculpas para justificar a não realização de ações em torno do plano de reconstrução definido, que deve cumprido em um período curto.

Maranhão entende que somente com a geração de riquezas será possível oferecer uma melhor condição de vida para as famílias paraibanas. “Vamos trabalhar incansavelmente para recuperar o tempo perdido, começando por dotar o Estado de infraestrutura que garanta implantar uma rede de inclusão social”, comentou.

Obras reais – Também falou da necessidade de um diálogo democrático com as forças políticas paraibanas para avançar com esse plano de recuperação do Estado, porque é fundamental essa aproximação com as forças que representam a sociedade. “Uma nova Paraíba nasce com obras e ações, que todos já podem comprovar”, disse.

Criticando a gestão que o antecedeu, “que fazia a divulgação de obras mesmo que não fossem concluídas”, Maranhão disse que não quer fazer um governo virtual, mas somente levando ao conhecimento da sociedade quando a obra estiver terminada. Como foi o caso do Centro de Convenções, que por várias vezes se negou a comentar sobre as negociações para início das obras.

Estrutura – Ocupando uma área total de 34 hectares, sendo 19 hectares (38.947 metros quadrados) destinados para área de construção e 15 hectares para área preservada, o Centro de Convenções de João Pessoa faz parte do Pólo Turístico Cabo Branco. Serão 450 empregos diretos oferecidos a partir de agora. Contará com quatro blocos e espaços como torre/mirante, onde ficará o restaurante; bloco para feira de exposições e eventos; teatro/auditório (com de 3 mil assentos) e um Centro de Congressos, entre outros ambientes.

O Centro de Convenções pretende ser um marco na economia da Paraíba. O projeto do empreendimento foi elaborado pela arquiteta Isabel Caminha, do escritório mineiro Arte & Arquitetura, será executado pela construtora Via Engenharia e fiscalizado pela Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado da Paraíba (Suplan).

Preservação – O secretário dos Recursos Hídricos e Meio Ambiente, Francisco Sarmento falou do esforço de construção da obra, destacou os benefícios que trará e o cuidado com a preservação ambiental. Garantiu que todas as espécies de flores silvestres e árvores características do Litoral encontradas na área serão preservadas.  “Haverá um momento para o turismo da Paraíba, antes e depois do Centro de Convenções”, comentou.

O senador Roberto Cavalcanti também falou da importância da obra, recordando desde o início as discussões sobre sua implantação. “Só agora os empresários poderão vir a se instalar. O Centro de Convenções e o Pólo Turístico serão uma bandeira da Paraíba, independente do partido político”, disse.

Repercussão – O presidente do Sindicato da Indústria da Construção da João Pessoa (Sinduscon/JP), Irenaldo Quintans, disse que a construção do Centro de Convenções marca o efetivo ingresso da Paraíba no mercado turístico nacional e internacional. “Hoje é um dia histórico para toda a Paraíba, essa obra será a âncora para todos os projetos que possam ser realizados no Pólo Turístico Cabo Branco, além de constituir uma das maiores oportunidades de geração de emprego e negócios”, observou.

A arquiteta que assina o projeto do Centro de Convenções, Isabel Caminha, revelou que a obra pode ser classificada como um dos projetos arquitetônicos mais modernos do Brasil. “O projeto foi elaborado de forma que após a construção da feira de exposições e do estacionamento, o espaço já poderá abrigar eventos. Cada prédio será construído de forma independente e seu funcionamento deve acontecer logo após finalização da obra”.

Já o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), Paulo Laércio Vieira, disse que o Centro de Convenções será um orgulho para a Paraíba em termos de obras de construção civil, pelo seu porte e conceito de idealização arquitetônica.

A cantora Renata Arruda, que apresentou o show na solenidade de assinatura da ordem de serviço para o início das obras do Centro de Convenções de João Pessoa, nesta segunda-feira (28), no Pólo Turístico Cabo Branco, ressaltou que estava faltando uma obra como esta na Paraíba.

Ela iniciou o show com a música ‘Foi Deus quem fez você’, de Luiz Ramalho, e continuou com um repertório onde predominavam músicas de artistas paraibanos. “A música da Paraíba é muito rica e bonita, assim como lindo será o Centro de Convenções, que será erguido aqui, que sai do projeto para virar realidade”, ressaltou.

A avaliação do trade turístico

“Estamos em estado de graça”, afirmou o empresário Tadeu Pinto, síndico do Condomínio do Pólo Turístico do Cabo Branco, representante dos hoteleiros, ao analisar a assinatura da ordem de serviço da construção do Centro de Convenções de João Pessoa, nesta segunda-feira (28). Ele acompanha o projeto desde sua concepção, há 22 anos, e considera que o centro será o grande ponto de atração para o novo complexo turístico hoteleiro, que se concretizará com investimentos de grande porte.

Na mesma linha de pensamento, o jornalista Willys Leal, presidente da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo na Paraíba (Abrajet-PB), afirmou que o Centro de Convenções vai mudar a história do turismo paraibano, equivalente ao que ocorreu quando da inauguração do Hotel Tambaú. Ele foi mais além, acrescentando que o Centro de Convenções está integrado a um projeto mais amplo que é o Pólo Turístico do Cabo Branco, que será uma referência para o turismo nacional. Ele disse, ainda, que o empreendimento vem num momento adequado, pois a duplicação da BR-101 atrairá mais visitantes à Paraíba. Na visão de Willys Leal, o centro terá um enorme efeito multiplicador.

Já a presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira na Paraíba (ABIH-PB), Manuelina Hardman, entende que Centro de Convenções colocará João Pessoa e a Paraíba em condições de competitividade com outros estados e cidades para atração de grandes eventos, pois atualmente não é possível captar seminários, exposições e feiras que tragam à cidade cerca de 1.000 participantes diretos, por falta de um auditório de grande porte, o que será feito no Centro de Convenções. Ela também considera que, apesar da distância entre os hotéis existentes na orla e o futuro Centro de Convenções, este não será um fator negativo, citando como exemplo o Rio de Janeiro, onde o RioCentro fica na Barra da Tijuca e muitas pessoas se hospedam em Copacabana ou Ipanema e participam de eventos naquele equipamento. Ela também ressaltou que o empreendimento será um diferencial para o turismo local.

A construção do Centro de Convenções em João Pessoa é uma reivindicação antiga dos empresários ligados diretamente ao turismo, especificamente os da área de eventos e negócios. O gestor executivo do Convention & Visitors Bureau de João Pessoa, turismólogo Ferdinando Lucena, disse que a cidade perde em competitividade no processo de atração de grandes eventos por não contar com esse equipamento, que agora vira uma realidade.

Dados do Convention Bureau apontam que a perda em recursos que poderiam ser injetados na economia da cidade gira em torno de R$ 35 milhões por ano. “A construção do Centro de Convenções, além de injetar dinheiro na economia local, vai criar expectativas reais de geração de empregos”, disse Lucena.

Lucena enfatiza, ainda, que o Centro de Convenções de João Pessoa, anunciado pelo governador José Maranhão, “vai provocar uma verdadeira revolução na área de realização de eventos, multiplicar a quantidade de investimentos empresariais e gerar entre 7 mil e 10 mil empregos, em diversos setores, já que suprirá uma necessidade da área e, por isso, perdemos a cada ano cerca de 40 congressos para outros destinos e estados vizinhos, o que significa, em dinheiro, cerca de R$ 100 milhões anualmente”.

Continuando sua análise, Lucena considera que o anúncio do governador “chega num momento extremamente importante para o Estado, porque o nosso destino passará a ter a mesma condição de competitividade que os demais do Nordeste, de forma que com o seu funcionamento teremos mais montadoras de estandes, mais locadoras de automóveis, mais empresas de eventos, mais bares, restaurantes, agências etc. Com isso serão criados, no mínimo, mais 10 mil empregos”, ressaltou.

José Nunes, Gleydjane Maciel e Mônica Nóbrega, com fotos de manodecarvalho e Walter Rafael, da Secom-PB