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Livro sobre obra polêmica de Monteiro Lobato será lançado nesta quinta

quarta-feira, 27 de abril de 2011 - 10:23 - Fotos: 

Professor Simão Farias Almeida, autor do livro. Foto: Divulgação

Uma obra publicada durante a Segunda Guerra Mundial, que trata do universo fantástico e realista criado por Monteiro Lobato, considerada polêmica, transformou-se em dissertação de mestrado e, consequentemente, em livro. “Monteiro Lobato e a problemática da nação: um projeto dialógico e negociado”, da autoria do pesquisador e professor universitário paraibano Simão Farias Almeida, será lançado, nesta quinta-feira (28), às 18h, na Fundação Casa de José Américo (na orla do Cabo Branco – 3336).

A Fundação Casa de José Américo promove o evento dentro das comemorações do Dia Nacional do Livro Infantil, que transcorreu no dia 18 deste mês, coincidindo com o aniversário de Monteiro Lobato.  A obra trata da novela de aventuras “A Chave do Tamanho” e será apresentada pela professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), especialista em literatura infantil, Neide Medeiros Santos.

O livro é fruto da dissertação de mestrado de Simão, concluída na UFPB e é boa opção de leitura para professores, bibliotecários e amantes da literatura em geral.

Na obra de 1942, os personagens do Sítio do Pica-pau amarelo ficam divididos em torno de um projeto para um mundo sem guerras. Emília tenta acabar com o conflito armado abaixando a chave da guerra, porém ela escolhe a chave errada, reduzindo o tamanho da humanidade em 40 vezes, provocando novos problemas como a dependência de pequenos insetos, para se locomover e não morrer de fome, mas também a falta de perspectiva de vida diante do ataque desses mesmos insetos.

Os personagens então votam num plebiscito pela permanência da situação tão trágica quanto a guerra ou pela volta do tamanho da humanidade.

“Trata-se de uma alegoria literária tão fantástica quanto trágica e realista, uma alegoria da nação brasileira durante o Estado Novo de Getúlio Vargas. Emília e Dona Benta aparentam ser democráticas para não se revelarem implicantes e autoritárias na disputa dos votos de outros personagens no plebiscito. Visconde de Sabugosa, como o intelectual do grupo, muda de opinião para não ser pau-mandado de Emília, representando o livre exercício do pensamento”, afirma Simão Farias. Ele chama atenção para a mudança sofrida pela personagem boneca na obra: “Ela já foi panfletária do progresso, mas em ‘A Chave do Tamanho’ defende as aventuras sem pensar na tragédia do fim do tamanho, que está muito distante do progresso. Na verdade, ela quer defender uma ordem mundial que ela criou. Neste ponto, ela continua vaidosa e geniosa”.

Autor – Natural de João Pessoa e apaixonado por duas áreas de formação, Letras e Comunicação Social, Simão é professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima (UFRR), mestre em Literatura Brasileira e aluno do doutorado em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Paraíba.

Iniciou a trajetória de escritor em 2009, com o livro “De literatura e cinema” contendo contos, poemas e roteiros de cinema. A seguir publicou “Tramas de sujeitos e identidades” (2010), com artigos críticos sobre narrativas jornalístico-literárias, televisivas e cinematográficas, além de contos com roteiros adaptados para o cinema.