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Livro aborda formas variadas de tratar a dependência química

segunda-feira, 11 de julho de 2016 - 16:51 - Fotos: 

Mostrar as mais variadas formas de tratar a dependência química que são utilizadas no Brasil e no exterior e que vêm dando certo. Esse é o principal objetivo do livro: “Drogadição e Redução de Danos – Uma visão Biopsicossocial no Tratamento da Dependência Química”, escrito pela diretora do Centro de Atenção Psicossocial Jovem Cidadão (Caps-AdIII), em João Pessoa e que pertence a rede estadual de saúde, Marileide Martins, e pelo psicólogo Ricardo Guedes, que também trabalha na unidade saúde.

Marileide Martins explicou que o livro surgiu da necessidade de mostrar para outros profissionais de saúde que com o tratamento da dependência química se pode ter bons resultados e a prova disso é esse livro que mostra resultados positivos.

“A nossa preocupação desde 2011 foi aplicar aqui no Caps, em João Pessoa,  o que se tem de tratamento em nível mundial. Pesquisamos o que se tem na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Canadá e que está funcionando e dando certo e com isso nós fomos adaptando essas ideias e vendo o que realmente dá certo e como não se tem uma receita para a dependência química foi mesmo que dar um tiro no escuro, mas os resultados foram positivos e tudo está dando certo e sendo mostrado agora nesse livro”, afirmou.

Como prova dessa metodologia de tratamento, Marileide Martins cita vários casos de pacientes que receberam tratamento no Caps e que hoje estão tendo uma vida normal como pessoas ativas, produtivas e que estão no mercado de trabalho e estudando.

No livro os escritores chamam a atenção para casos de estudantes universitários que são um público complexo e que fazem uso da maconha por ter a ilusão de ser uma coisa normal, natural e que não faz mal, “e nós recebemos e tratamos muitos casos desses aqui no Caps por meio da psicoeducação”, completou Marileide.

Marileide Martins explica que cada caso é tratado de acordo com as suas peculiaridades e necessidades de cada um porque, segundo ela, a pessoa que faz uso de drogas tem os seus motivos e não se pode fazer o tratamento de maneira generalizada, porque o tratamento que dá certo para um pode não dar certo para o outro.  “Aí está o grande problema, o grande erro do país na questão da dependência química, ou seja, achar que todo usuário é igual e que o tratamento tem que ser igual para todos  e a gente está  mostrando,  por meio de resultados,  que não é assim. Estamos mostrando nesse livro  para o mundo  como deve ser tratada a dependência química  e  que cada caso deve ser tratado de forma particular e de maneira singular”, defendeu.

Para a diretora do Caps, o primeiro passo para o tratamento é identificar os motivos que levaram a pessoa a usar drogas, depois é feito um acompanhamento junto à família dessas pessoas para, a partir daí, definir quais formas de tratamento a serem adotadas. “Se é um pai de família que perdeu o emprego e que não acredita mais em nada aí temos que mostrar os valores dessas pessoas, o que elas estão perdendo e a partir daí partirmos para terapia individual e alguns casos a gente consegue articular com as empresas para que essa pessoa volte ao mercado de trabalho, volte a estudar, ou seja, voltem a ter uma vida normal e agora mesmo, na Feira Brasil Mostra Brasil e na Feira do Artesão, teremos artesãos que se profissionalizaram aqui no Caps”, destacou.

Ainda como forma de tratamento, Marileide Martins explicou que é usado o teatro e a arterapia, “que são formas de colocar para fora aquela dor, aquele sentimento que você não consegue falar, ou seja, são várias formas de tratamento  e isso quem vai dizer é o seu perfil, o seu jeito a sua forma de ser, a sua necessidade e por isso a gente pegou tratamentos que vêm sendo usados e dando em vários países e aqui no Caps a gente já recuperou muita gente das ruas, pessoas essas que para a família era irrecuperáveis e isso para gente é uma grande satisfação”, completou.

“O que a gente trabalha aqui no Caps não é a droga em si, mas o ser humano, a pessoa, para ela ter consciência e saber o que ela está perdendo e fazer a escolha certa. Escolher usar drogas é um direito delas, mas mostrar o que a droga pode fazer para destruir a vida dessas pessoas e ajudá-las a sair desse mundo é nosso dever e o que a gente faz aqui no Caps é formar cidadãos.”, explicou Marileide Martins, ao destacar que o tratamento pode durar até seis meses dependendo da complicação de cada caso.