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Livro ‘O que os netos dos vaqueiros me contaram’ será lançado nesta quinta

quarta-feira, 9 de junho de 2010 - 11:33 - Fotos: 
Publicado pela editora Anna Blume, o livro mescla documentos originais, textos historiográficos  com depoimentos de personagens do mundo social e político originado da criação extensiva do gado. O lançamento, apoiado pela Editora da  Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB), acontecerá na Sala dos Conselhos, no prédio da Administração Central, localizado no Campus I da Instituição, no bairro de Bodocongó, em Campina Grande.
       
Conforme o autor, pelo que ouviu dos netos dos vaqueiros, não é difícil concluir que tanto os coronéis como seus supostos opositores integraram a linha de frente da modernidade brasileira. A pobreza do sertanejo nordestino seria uma das faces desta modernidade. Neste sentido, o país não inovaria: a civilização moderna, produtora das comunidades conhecidas desde a segunda metade do século XIX como "nacionais", acionou sofisticados recursos literários para encobrir a desigualdade perversa que lhe são inerentes.
           
"A responsabilização dos potentados locais pela pobreza do interior, à revelia da fragilidade empírica e das intenções de seus propositores, apenas encobre os efeitos deletérios da modernização e dilui a responsabilidade dos que ditaram os rumos do país. Às elites nacionais hegemônicas devem ser cobradas as consequências sociais da divisão espacial do trabalho geradora de grotões. Os potentados das áreas empobrecidas atuaram em desfavor de sua gente porque acompanharam as oligarquias brasileiras na promoção de uma modernidade que combinou desenvolvimento com desigualdades sociais e regionais", ressaltou.
      
Na apresentação do livro, a professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Linda M. P. Gondim, diz que o recurso à poesia, combinado a clareza e concisão da escrita, torna prazerosa a leitura da publicação, sem comprometer o rigor acadêmico. Para ela, Manuel Domingos Neto mostra que o ‘coronelismo’ é uma categoria incapaz de dar conta dos fundamentos, da diversidade e longevidade do domínio oligárquico no Nordeste.

Linda destacou que estudiosos viram no ‘coronel’ um arcaísmo que seria liquidado com a urbanização e modernização. Mas os políticos estudados neste livro destoam desse estereótipo: aceitaram a Revolução de 1930 e as transformações promovidas desde então, inclusive pela ditadura militar, como a institucionalização do planejamento e a criação de empresas e órgãos estatais "modernos".
       

O autor

Manuel Domingos Neto é doutor em História pela Universitè de Paris III. Realizou estágio de pós-doutorado na Ècole des Hautes Études en Sciences Sociales. Foi deputado federal e presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Atualmente, é professor de Ciência Política do Programa de Pós Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense. É líder do grupo de pesquisa Observatório das Nacionalidades e editor da revista Tensões Mundiais.

Da Assessoria de Imprensa da UEPB