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7 de março de 2016

Lançamento de livro sobre o cotidiano dos catadores integra programação do Mês da Mulher



O Governo da Paraíba realizará nesta terça-feira (8), às 19h, no hall de entrada do Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural, em João Pessoa, o lançamento do livro “Catação: olhar juvenil sobre os catadores e catadoras”. Tendo como destaque os shows de Flávia Wenceslau e o concerto do Prima Mulheres, o lançamento faz parte da programação do Mês da Mulher, realizada pela Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana.

O evento é promovido por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano, Secretaria Executiva de Estado de Segurança Alimentar e Economia Solidária, Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste e Incubadora de Empreendimentos Solidários/UFPB, em parceria com a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), Programa de Artesanato Paraibano (PAP) e Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana.

O livro relata, através de fotografias, a estória e o cotidiano dos catadores, com registros de momentos inesperados da realidade vivenciada na luta pela sobrevivência. As imagens foram captadas em vários municípios da Paraíba, como Uiraúna, Patos, Itabaiana, Pedras de Fogo, Campina Grande, Cajazeiras e Bananeiras, entre outros. Dois segmentos norteiam esse registro: contribuir para efetivar a política nacional de resíduos sólidos e conscientizar e sensibilizar a população, produzindo, com isso, uma mudança cultural. O livro teve a participação especial de cinco membros do projeto Capacitação de Jovens em Fotografia, do Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste.

Atualmente, na Paraíba, existem 14 organizações que se encontram sistematicamente e participam da Rede Estadual Lixo e Cidadania (Relici–PB). São grupos de associações e cooperativas e outros informais que estão em processo de organização e têm o objetivo de discutir e elaborar projetos.

Pesquisa do IBGE em 2010 aponta a existência de 10.445 catadores em todo Estado, sendo 66% homens e 34% mulheres. Assim como no Brasil, na Paraíba a maioria dos catadores permanece nos lixões e nas ruas, trabalhando individualmente e em condições de vulnerabilidade social.

Íris Silva, 18 anos, colaboradora dessa criação, considera que foi uma experiência única, cheia de desafios e rica em aprendizado. Ela descreve o quanto sua visão mudou em relação à vida difícil dos catadores. “Uma coisa que nunca esqueço é que no trajeto que fizemos ouvi um deles falar: o meu sonho é assinar a carteira. Fiquei parada sem palavras. Ir para o lixão foi uma transformação dentro de mim. Em cada click vinha uma reflexão, de como nós, seres humanos, ainda não valorizamos essas pessoas, não consideramos que são agentes transformadores e que eles como catadores e nós como jovens queremos mudanças e a mudança que eles procuram é que a visão sobre eles seja transformada”.

De acordo com a secretária executiva de Segurança Alimentar, Ana Paula Almeida, essa produção é uma ação integrada, que visa fortalecer e dar visibilidade ao trabalho dos catadores organizados através de associações e cooperativas. “O livro vem promover uma reflexão para a população sobre a dura realidade, mas são catadores que lutam por dias melhores e por esperança. Mostra ainda que esse público está lutando pela sua autonomia, e que essa é uma ação colegiada de vários atores que traz um pouco dos sonhos e desafios dessa categoria”.

A assistente social e organizadora do livro, Luciene Martins, considera que apesar das marcas deixadas pela história de negação de direitos e dos desafios que ainda se apresentam no atual contexto brasileiro, esse produto veio com uma dimensão de contribuir com a política de resíduos sólidos e uma nova visão de cultura de separação de gestão adequada de resíduos. “A criação desse livro veio para agregar parceiros importantes e estratégicos. Trabalhar com os jovens foi fundamental, sobretudo porque a ideia veio para valorizar a ação deles no processo de produção desse livro. Foi um trabalho educativo, no qual eles vivenciarem uma realidade pouco conhecida”.