Fale Conosco

8 de setembro de 2009

Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais da Emepa realiza trabalho pioneiro



Um trabalho de fôlego, que vai contribuir para a melhoria da alimentação dos rebanhos em época de estiagem, está sendo desenvolvido pela Emepa na Estação Experimental José Irineu Cabral, em Mangabeira.

Trata-se da reprodução em laboratório de 4 milhões de raquetes (cladódios) de palma forrageira, resistente à cochonilha do carmim. A metodologia de propagação, feita a partir de pedaços retangulares retirados da palma, foi desenvolvida pelo pesquisador Ailton Melo de Moraes, biólogo e Doutor em Agronomia.
          
O trabalho pioneiro, realizado no Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais da Emepa, será concluído no prazo de dois anos e vai atender a demanda dos agricultores dos mais de 41 municípios do semi-árido paraibano onde a palma gigante vem sendo dizimada pela cochonilha do carmim.
            
Segundo Ailton, o objetivo é atender com a distribuição de genótipos ou variedades resistentes os agricultores das microrregiões onde a cochonilha do carmim encontra-se estabelecida, dizimando a palma forrageira que é a base de sustentação alimentar dos rebanhos bovino, ovino e caprino nos períodos críticos de estiagem.
            
Com relação aos recursos que envolvem a pesquisa nesses dois anos em que será realizado o projeto de revitalização da palma forrageira, Ailton declarou que os custos serão baixos se for comparado com o método convencional de propagação vegetativa da palma. “Esse trabalho de multiplicação em laboratório é de baixo custo, fica em torno de 1 centavo por muda e a reprodução acontece em torno de 45 dias quando a mudinha já pode ser levada para o campo. No plantio convencional de 20 mil plantas, por exemplo, são gastos  R$ 1.600. Pelo método de reprodução em laboratório os custos caem para 200 reais”, declarou ele. 

O que é cochonilha

        
As cochonilhas são insetos que se alimentam da seiva das plantas. Geralmente elas se associam em grupos de vários indivíduos chamados colônias. Além de sugarem as plantas, podem introduzir vírus ou toxinas que matam as culturas agrícolas. Pesquisa realizada pela Emepa constatou que o tipo de cochonilha que vem atacando as plantações de palma na Paraíba é denominada de Dactylopius opuntiae, um tipo muito agressivo que pode destruir a planta dentro de poucos meses.
         
Na verdade, foi o pesquisador Edson Batista Lopes quem deu o pontapé inicial para o surgimento desse trabalho. Ele identificou variedades de palma resistentes ao inseto. Sabe-se que a utilização de produtos químicos para o controle da cochonilha do carmim é ambientalmente incorreta, pois tem grande probabilidade de ocasionar desequilíbrios populacionais e resistência do inseto-praga aos produtos químicos utilizados, podendo levar também a contaminação do meio ambiente.
       
O pesquisador Ailton Melo explica que a cochonilha tornou-se a principal praga no semi-árido nordestino e vem ameaçando a sobrevivência de cerca de 2.500 famílias que trabalham na atividade e também a dos rebanhos que dependem da palma como única fonte  de alimento nos períodos críticos de seca. “Se esse processo de propagação não for rapidamente controlado, será desastroso para o já precário equilíbrio econômico e social do Estado da Paraíba”.

A praga

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa), o Estado chegou a ocupar 25% do semi-árido com o plantio de palma. Com a chegada da cochonilha do carmim, mais da metade dos palmais foram dizimados, restando pouco mais de 80 mil hectares dos 180 mil existentes. De acordo com um levantamento da Secretaria do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca do Estado (Sedap), a praga devastou a palma em mais de 50 municípios. O Cariri Ocidental foi o mais afetado. Lá, a praga destruiu 60 mil hectares.
       
O prejuízo imposto aos agricultores na Paraíba já chega a R$ 400 milhões, segundo Edson Batista Lopes, pesquisador da Emepa. Ele afirma que, caso o avanço da cochonilha não seja interrompido o mais rápido possível, as atividades pecuárias de corte e de leite das outras microrregiões do Estado onde a palma ainda está isenta da praga, poderão ser inviabilizadas, pois o desaparecimento da palma forrageira levaria a redução drástica dos rebanhos bovinos, caprinos e ovinos da região.

Wilma Wanda, da Assessoria de Imprensa da Emepa