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Juliano Moreira implanta centro de convivência terapêutico para usuários

quarta-feira, 20 de maio de 2015 - 18:30 - Fotos: 

O Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira anunciou a implantação do projeto terapêutico “Centro de Convivência Nise da Silveira- Praça Beija-Flor”, cujo espaço físico vem sendo construído na instituição e tem previsão de conclusão nos próximos 30 dias. O anúncio fez parte da programação da V Semana da Luta Antimanicomial, que acontece até esta sexta-feira (22) em todo estado.

O projeto constituiu-se em um ambiente para convivência dos usuários entre si, com seus familiares e com a equipe multiprofissional da unidade. Trata-se de uma área aberta de 800m² que está sendo adaptada para tornar o espaço natural num centro de convivência, com intervenções no piso, que terá revestimento cerâmico; construção de bancos de praça e vias de percurso; instalação de caixas de som; paisagismo idealizado com materiais reciclados, a fim de tornar o ambiente harmônico e receptivo aos usuários e visitantes.

O objetivo do Centro de Convivência é oferecer aos usuários do serviço um espaço acolhedor para a prática de terapias integrativas e complementares em saúde, como meditação, ioga, tai chi chuan, relaxamento, rodas de conversa; dança, teatro, fotografia; além de psicoterapia, educação física, socioterapia, audição de música ambiente, de conteúdo instrumental e que estimule o relaxamento, a sensibilização e a integração com a natureza; e oficinas de artesanato e que promovam a educação ambiental, com a participação dos usuários no cuidado com a natureza.

Ainda de acordo com o projeto terapêutico, a praça terá um espaço com plantas medicinais, como alecrim, hortelã, camomila, que serão cuidadas pelos próprios pacientes. “O contato com a terra, com as cores, o ar puro, ouvir os passarinhos, mudam o emocional do paciente e isso ajuda muito no tratamento”, disse a psiquiatra Marinalva Brandão.

O Centro de Convivência alinha-se com as diretrizes da Política de Humanização do Sistema Único de Saúde e da Reforma Psiquiátrica, que vem sendo executada pelo Governo do Estado com forte adesão daquela instituição psiquiátrica, que, nos últimos três anos, já reinseriu no convívio sociofamiliar mais de 40 pacientes, que moravam no hospital há meses, anos e, em vários casos, há décadas.

A Reforma Psiquiátrica preconiza o tratamento humanizado da pessoa com transtorno mental, de forma comunitária, com a participação da família e da sociedade, com a finalidade permanente da reinserção do usuário em seu meio. Assim, o Juliano Moreira, que nesse contexto nada mais é do que um suporte para os momentos de crise dos pacientes, deseja com esse projeto aliado às práticas humanizadas já oferecidas pela equipe multiprofissional transformar o tempo da internação, cada vez mais abreviado, num momento de tratamento da mente e do corpo de forma holística, numa experiência menos traumática possível para a pessoa que precise da hospitalização, livre dos estigmas e preconceitos, de uma vez por todas.

“Humanização é uma marca dessa gestão e a própria secretária de Estado da Saúde, Roberta Abath, tem dado exemplo. Um aspecto forte e necessário. A medicação é valiosa, mas sozinha não resolve. Quando se tem profissionais atendendo de forma amorosa e acolhedora, se estabelece um relacionamento interpessoal com os usuários que batem à nossa porta”, disse o diretor geral do Juliano Moreira,  Walter Freire Franco.

Além do projeto do Centro de Convivência, que está em execução, o Juliano Moreira já instalou no espaço interno da instituição uma sala de audiovisual, onde os pacientes assistem filmes e cantam no karaokê, e ainda participam das discussões a respeito de alguns filmes reflexivos, com assistentes sociais e psicólogos. De acordo com um dos assistentes sociais do Complexo, Severino Mendes, também são realizados passeios externos com os usuários, para as praias da cidade, a Bica, Jardim Botânico, Estação Ciência, Espaço Cultural, dentre outros locais, toda quinta-feira, das 9h às 11h. “Estamos proporcionando um despertar no usuário para uma integração consigo mesmo. Nenhum ser humano pode auxiliar outro ser humano se não tiver humanidade em si mesmo”, disse o diretor do Juliano.

O “Centro de Convivência Nise da Silveira” funcionará de segunda a sexta-feira, durante todo o dia. Terá 12 bancos de praça e vários jarros. O Complexo lançou uma campanha para que a população faça doação de plantas ornamentais. A pessoa que queira cooperar deve ir até o Juliano Moreira, na Av. D. Pedro II, na Torre, nesta capital, na recepção da Direção Geral, ou ligar para 3218-7574.