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Jovens montam fábrica em Areia com apoio da Emater

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 - 12:31 - Fotos:  Antonio David/Secom-PB

Os jovens da Comunidade Chã de Jardim, no município de Areia,  criaram uma convivência pacífica com a natureza, gerando oportunidade de renda com o beneficiamento de frutas sem conservantes e livres de agrotóxicos, fabricação de artesanato e o turismo ecológico rural, tornando a lavoura autossustentável. Com acompanhamento da Emater Paraíba, os trabalhos hoje atraem grupos de agricultores familiares de outros municípios que vêm conhecer os resultados do projeto.

São 20 integrantes da Associação  para o Desenvolvimento Sustentável da Chã de Jardim (Adesco), com idades que vão de 18 a 30 anos, além de mulheres que formam o Grupo Arte na Mão. O projeto remonta à década passada, quando um grupo de jovens frequentava a Igreja Católica em Areia, ajudando nas pastorais, até que, em 2006, surgiu a ideia de iniciar atividades que garantissem renda. “Nós ajudamos a reconstruir uma casa, em forma de mutirão, e foi aí que decidimos nos unir em torno de um projeto coletivo”, afirmou Luciana Balbino de Souza.

Liderado por Luciana, o projeto logo obteve o reconhecimento do gestor da Mata do Pau Ferro, onde a comunidade está localizada, criando-se a associação para congregar os jovens residentes da região. No local existia uma fábrica de beneficiamento de polpas de frutas, construída pela Prefeitura, e o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba (CCA). A fábrica, que estava fechada há dez anos, foi reaberta com a criação da entidade e passou ser gerida pelo grupo de jovens.

Cerca de 30 pessoas estão envolvidas nos trabalhos, que têm como produto principal a polpa de frutas. Pelo menos mais 100 famílias são beneficiadas, além de sete assentamentos existentes na redondeza, com o fornecimento de frutas, turismo rural e artesanato.  A polpa de fruta é fornecida pelos pequenos agricultores da região, que produzem no modelo de agricultura familiar.

No local, que fica na margem da rodovia denominada Anel do Brejo, a cinco quilômetros da cidade de Areia, são comercializados doces caseiros, coco verde, mel de abelha e de engenho, rapadura e frutas. Nas quartas-feiras, sextas e sábados, é realizada a Feira Agroecológica de Chã de Jardim, com a participação de agricultores de toda a região. São dez barracas.  “Por conta de nossa fábrica de polpa de frutas, atingimos um público de Alagoa Grande, Juarez Távora e de Areia”, afirmou Luciana.

Ela destacou que a produção de polpa é orgânica, sem nenhum tipo de conservante ou produto químico. Todos os produtos são provenientes da agricultura familiar e as pessoas são orientadas a não fazer uso de agrotóxicos, em um trabalho que conta com a participação da Emater Paraíba. “Estas famílias encontram na venda das frutas uma fonte de renda”, comentou. Na fábrica trabalham cinco jovens para produzir  160 quilos de polpa por dia, de sabores diferentes.

Conscientização – O grupo está trabalhando também com a conscientização das famílias agricultoras  da região para fazer o replantio com mudas de fruteiras que, inclusive, servirão para suprir a demanda da  fábrica. Luciana destacou que, além da Emater, o Cooperar, o Sebrae e o Senar tiveram papel importante na consolidação do projeto.

Outro grupo de dez jovens cuida do turismo rural, recepcionando os visitantes que todos os dias comparecem ao local, caminham pelas trilhas e mostram a diversidade de árvores ali existentes. Outras pessoas trabalham na confecção e comercialização de artesanato produzido com palha de bananeira e o aproveitamento de outros materiais da região.

“Há uma média de 800 visitantes por mês, sendo na grande maioria para fazer trilhas. Desse total, cerca de 200 são participantes de piquenique, que deve ser agendado um dia antes”, explicou Luciana. Segundo ela, são nove roteiros com guias preparados para atender ao turista, que devem seguir rigorosamente as recomendações. A ação começa com café da manhã, caminhada ecológica de dois quilômetros, banho de bica, caminhada ecológica de cinco quilômetros,  contemplação da barragem, cesta de piquenique com produtos regionais; caminhada ecológica de 400 metros pela barragem e trilhas ecológicas.