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Jovem que foi o último caso de pólio no Brasil participa da abertura de campanha na Paraíba

sexta-feira, 18 de setembro de 2009 - 15:03 - Fotos: 
O último caso de paralisa infantil do Brasil aconteceu há 20 anos, no município de Sousa, na Paraíba. Hoje, Deivson Rodrigues Gonçalves, 22 anos, dá o seu recado aos pais das 316.743 crianças menores de 5 anos, que vivem no Estado: “Vacinem seus filhos. Eu tive a doença e acho que se não fosse as duas doses da vacina que tomei não teria me recuperado”. O jovem deverá participar da abertura da segunda etapa da Campanha de Vacinação contra a Poliomielite, que acontece neste sábado (19), às 8h30, no Complexo de Pediatria Arlinda Marques, no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. O evento será aberto pelo governador José Maranhão e pelo secretário de Saúde, José Maria de França. Será uma manhã de lazer para a criançada.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) preparou uma estrutura de festa para receber as crianças, que serão recepcionadas pelo Zé Gotinha e pela Mamãe Gotinha e terão direito a um café da manhã especial. Elas também vão ganhar camisetas da campanha e poderão brincar em duas camas elásticas (pula-pula). A Banda de Música da Polícia Militar e o Coral Jovem UniGente, da Unimed, farão apresentações durante o evento.  “Tudo foi preparado para mobilizar a sociedade para o ato importante da vacinação contra a poliomielite”, disse o chefe do Núcleo de Imunização da SES, Walter Albuquerque.

Há 20 anos… – A dona-de-casa Devaneide Rodrigues Gonçalves contou que a agonia que passou quando descobriu que seu filho, com 1 ano e 5 meses, tinha contraído o vírus da paralisia infantil, em 1989. “Ele gripou, teve febre e começou a perder as forças. Nem sentado ficava. O médico mandou eu ir pra João Pessoa imediatamente e fui para o HU. Primeiro, os médicos suspeitaram de meningite e, só depois descobriram que era a pólio. Fiquei com muito medo do meu filho nunca mais andar. Começamos o tratamento em João Pessoa e, quatro meses depois, ele começou a andar”, contou.

D. Devaneide disse que considera a recuperação do seu filho um milagre. Ela disse que ele tinha tomado duas doses da vacina e faltava a terceira. “Ninguém soube explicar o problema dele, mas eu acredito muito na vacina e que as duas doses que ele tomou serviram, sim. Não tenho netos ainda, mas quando eles nascerem vou insistir para que não percam uma campanha”, disse. Ela o filho aceitaram o convite da Secretaria de Estado da Saúde para participarem da abertura da campanha, em João Pessoa.

Estrutura – Em todo o Estado, além dos mil postos fixos de vacinação, serão instalados mais 520 provisórios. Instituições privadas e filantrópicas, a exemplo do Rotary Clube, Maçonaria, Unipê, Unimed, redes de supermercados também se engajaram na campanha. Nestes locais, haverá postos de vacinação e distribuição de material educativo.

Walter Albuquerque lembra que todas as crianças com menos de 5 anos de idade devem ser vacinadas, mesmo as que não foram imunizadas na primeira etapa da campanha, no dia 15 de junho. Pelo calendário básico de vacinação, a criança precisa tomar três doses da vacina contra a pólio, aos 2, 4 e 6 meses de vida, além de um reforço aos 15 meses. “Mas isso não é suficiente para que ela fique imune à doença. É fundamental que a criança tome todas as doses recomendadas pelo Ministério da Saúde nas campanhas realizadas todo ano”, disse Walter.

Ele também recomenda que as crianças com febre acima de 38º, diarréia e vômito intensos só sejam vacinadas quando melhorarem. Os pais de crianças com imunodeficiência devem procurar o Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie), que funciona no ambulatório do Complexo de Pediatria Arlinda Marques.  

No ‘Dia D’, as crianças com vacinas atrasadas poderão colocar o cartão de vacinação em dia já que, além da pólio, estarão disponíveis as vacinas contra hepatite B, BCG (contra as formas graves da tuberculose), tetravalente (contra tétano, coqueluche, difteria e meningite por Haemophilus tipo B), DPT ou tríplice (contra difteria, tétano e coqueluche), DT (contra tétano e difteria), tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) e rotavírus humano (contra infecção por rotavírus).

O último caso de poliomielite no país foi registrado em 1989, em Sousa, no Alto Sertão da Paraíba, mas ainda há risco de reintrodução do poliovírus no país, por causa da importação de casos provenientes de países endêmicos, como Nigéria, Índia, Paquistão e Afeganistão. A vacina oral contra pólio é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a única capaz de viabilizar a erradicação global da doença.  

Assessoria de Imprensa da SES-PB, com fotos de João Fábio