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José Maranhão quer campanha para combater embriaguez no trânsito

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 - 16:16 - Fotos: 

Uma intensa campanha de conscientização da população quanto ao respeito às leis de trânsito, sobretudo com relação à proibição de dirigir embriagado, será empreendida pelo Governo do Estado, conforme anunciou nesta segunda-feira (25) o governador José Maranhão, durante o velório da defensora pública geral Fátima de Lourdes Lopes Correia Lima, que morreu em acidente de carro na Avenida Epitácio Pessoa, em João Pessoa, na manhã do domingo (24). Ela foi sepultada no Cemitério Senhor da Boa Sentença.

O governador, acompanhado de sua esposa, a desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti, disse que será uma campanha com um apelo de conscientização as pessoas para o perigo de dirigir em alta velocidade e principalmente depois de ingerir bebida alcoólica. Ele convocou todos os setores da sociedade organizada para também colaborarem com essa iniciativa, como as igrejas, a Ordem dos Advogados do Brasil e outras instituições.

“É necessário que exista uma campanha para conscientizar as pessoas do respeito às leis do trânsito e vamos fazê-la. Os acidentes são uma questão de responsabilidade. Nem mesmo o rigor da lei tem sido suficiente para evitar os acidentes graves”, afirmou. Durante o velório e o sepultamento de Fátima Lopes, o governador apelou para que as pessoas não dirijam, especialmente após o consumo de bebidas contendo álcool.

Prevenção – O apelo do governador foi repetido duas vezes em momentos diferentes. Quando estava na Central de Velórios, onde foi celebrada missa de corpo presente, e no cemitério.  Ele criticou a forma como são feitas as propagandas destinadas a vendas de veículos que estimulam a velocidade. Lembrou o slogan ‘não faça do seu carro um arma’, que era veiculado nos meios de comunicação e teve efeito positivo na época de sua divulgação. “Só uma ação consciente e forte pode permitir a ação preventiva”, comentou.

A desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti falou da amizade que tinha por Fátima Lopes, a quem considerava uma incentivadora na vida profissional, intransigente na defesa dos direitos da mulher. “Ela defendia os pobres a toda hora, principalmente as mulheres”, afirmou. Apontou três virtudes dela: solidariedade, liderança e fidelidade. A ministra Eliane Calmon, do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), também compareceu ao sepultamento.

Ainda na Central de Velórios Morada da Paz, onde o corpo estava sendo velado desde às 15h do domingo, às 9h foi celebrada uma missa, presidida pelo arcebispo dom Aldo Pagotto, e concelebrada por padre José Carlos Serafim, com a participação de familiares, servidores da Defensoria Pública e dos poderes Judiciário e Legislativo.

Depoimentos – Dom Aldo comparou a defensora pública vitimada por acidente automobilístico à médica Zilda Arns, que morreu durante o terremoto no Haiti. “Foi uma mulher que projetou o rosto do povo e nela devemos nos inspirar. Defendeu o bom uso do erário público”, comentou. Também defendeu um trabalho de conscientização da importância de se obedecer as leis do trânsito e cobrou mais rigor no seu cumprimento.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção da Paraíba (OAB-PB), Odon Bezerra, disse que o órgão está defendendo que não seja mais um crime sem punição. Uma comissão está acompanhando as investigações e, por isso, a entidade apóia uma apuração rigorosa dos fatos que envolveram a morte da defensora. Já o presidente da Associação dos Defensores Públicos, Levi Borges, que falou em nome da categoria, disse que Fátima Lopes “deixou exemplo de mãe, cidadã e de líder”.

A defensora – Fátima Lopes era graduada em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desde o ano de 1978. Foi juíza substituta do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), assumindo o cargo de titular daquela Corte no período de 2005 a 2007, além de ter presidido a Comissão de Geração de Mídias nas Eleições 2006.

Entre outros cargos e funções, também foi conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PB) no triênio 2007/2009; era defensora pública do Estado desde 1982, atuando no Projeto de Atendimento e Acompanhamento Jurídico Psicossocial às Mulheres Vítimas de Violência; presidiu a Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ), durante os biênios 2003/2004 e 2005/2006.

Atualmente, era diretora do Instituto Brasileiro de Direito de Família. Desde o dia 19 de fevereiro de 2009, nomeada pelo governador José Maranhão, Fátima Lopes tornou-se a primeira mulher a assumir o cargo de Defensora Pública Geral da Paraíba.

O acidente – Fátima Lopes, 55 anos, sofreu um acidente automobilístico na manhã deste domingo (24) na Avenida Epitácio Pessoa, por volta das 6h. Ela seguia com seu marido Carlos Marinho Correia Lima para participar de uma missa, quando o carro deles foi atingido por outro que avançou o sinal vermelho no cruzamento entre as avenidas Epitácio Pessoa e João Domingos, no Bairro de Miramar. Ele ainda chegou a ser socorrida no local, com massagens cardíacas, e depois para o Hospital de Emergência e Trauma, mas não resistiu e teve parada cardiorespiratória. Seu marido também foi internado, mas não corre risco de morte.

José Nunes, com fotos de Walter Rafael, da Secom-PB