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Jornalista da Folha de S. Paulo visita UEPB

sexta-feira, 5 de novembro de 2010 - 15:00 - Fotos: 
O Núcleo de Estudos em Genética e Educação (NEGE), formado por professores e pesquisadores de Mestrado e Doutorado, além de alguns estudantes da graduação em Biologia da Universidade Estadual da Paraíba, realizou nesta quinta-feira (04) uma visita ao município paraibano de Queimadas – uma das cidades escolhidas pelo Núcleo para efetuar um mapeamento sobre doenças genéticas recorrentes na região. A jornalista da Folha de S. Paulo, Sabine Righetti, especialista em comunicação científica, esteve presente a ocasião, posto que o NEGE será um dos focos do Caderno de Saúde daquele periódico.

A visita foi comandada pelos professores  do Departamento de Biologia da UEPB, Mathias Weller e Silvana Santos, contando com a participação do médico neurologista Jovany Medeiros, também coordenador do Mestrado em Saúde Pública e professor do Departamento de Fisioterapia da Instituição. A matéria sobre o mapeamento de doenças genéticas na Paraíba será publicada na Folha do próximo domingo (14) e tratará especificamente da consanguinidade entre moradores de municípios paraibanos e da prospecção dessas doenças no Estado.

Sobre a ideia de visitar Campina Grande, Sabine Righetti contou que em uma conversa com o professor Mathias Weller, durante um Congresso de Genética na cidade de Guarujá (SP), interessou-se pelo projeto desenvolvido na UEPB, manifestando seu desejo de conhecer de perto a iniciativa.

Para ela é interessante esse contato que a UEPB mantém com a comunidade, por revelar que a Instituição se importa com o que está ao seu redor. "Isso não é muito comum, pois muitas pesquisas são desenvolvidas sem que as pessoas enxerguem o que está ao redor da universidade", disse.

"Nesses congressos, mais do que assistir palestras, conhecemos diversos trabalhos conversando com os pesquisadores. Assim, o professor Mathias me contou da atividade desenvolvida na UEPB e, de volta à redação, conversei com meu editor, que me incentivou a ir em busca das informações", lembrou a jornalista, que passou dois dias a serviço da Folha de S. Paulo na Paraíba.

Outro ponto destacado por ela foi o fato da pesquisa encabeçada pelos professores Mathias Weller e Silvana Santos envolver profissionais de diversas áreas, a exemplo do neurologista Jovany Medeiros.

"Eles conseguem identificar com mais facilidade um problema trabalhando com uma equipe multidisciplinar e, com isso, todos aprendem juntos, construindo o conhecimento e norteando problemas que ainda nem existiam na literatura científica. Isso é um trabalho dificílimo, mas extremamente inovador, com o qual a população ganha e a Universidade também", afirmou.

Segundo os pesquisadores, o município de Queimadas foi um dos primeiros a serem visitados pela equipe, que já promoveu treinamentos com agentes de saúde para identificar e cadastrar possíveis casos de doenças genéticas na localidade – trabalho que também vem sendo efetuado em outras cidades da Paraíba. Na visita desta quinta, os pesquisadores conheceram um grupo familiar com seis filhos, dos quais quatro apresentaram as mesmas alterações físicas após os 20 anos de idade.

Desde que iniciou a pesquisa, o NEGE já identificou alguns casos de Mucopolissacaridose no Estado, cujos pacientes já estão recebendo as enzimas necessárias para o controle dos sintomas, através do Sistema Único de Saúde (SUS). A Mucopolissacaridose é uma doença metabólica hereditária, causada por erros inatos do metabolismo, que determinam à diminuição da atividade de determinadas enzimas, atuantes na estrutura da célula lisossomo.

De acordo com a professora Silvana Santos, no Brasil é detectado um caso da enfermidade para cada 340 mil pessoas. "Além disso", acrescentou a professora, "a frequência de doenças derivadas da consanguinidade na região Nordeste é maior devido ao grande número de casamentos entre pessoas da mesma família, como primos ou uniões entre outros parentes".

Outros exemplos de problemas relativos à consanguinidade encontrados em campo foram 20 casos de surdez em uma mesma família em Queimadas; 28 casos de retardo mental em Coxixola, na divisa com Caraúbas, e casos recorrentes de Síndrome de Spoan – condição neurodegenerativa geneticamente determinada – no Rio Grande do Norte (RN). A partir de agora, o grupo focará a pesquisa no Sertão paraibano, onde tentará realizar uma prospecção maior naquela região.

Ascom/UEPB