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João Pessoa vai ganhar Jardim Sensorial

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010 - 09:51 - Fotos: 

O espaço, que vai funcionar no Jardim Botânico Benjamim Maranhão, situado às margens da Avenida Pedro II, está previsto para ser inaugurado até o final de fevereiro. O parque ainda vem passando por outras obras e deve ser reaberto à visitação pública com a inauguração de uma galeria, auditório equipado com datashow, lanchonete, ponto de apoio médico e loja para revenda de produtos de material reciclável. O investimento, que chega a R$ 150 mil, é oriundo da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema). 

O jardim sensorial é uma novidade na Paraíba. Numa área de 12 metros quadrados, serão plantadas, inicialmente, 20 espécies de vegetação. Ao lado delas, serão colocadas placas com todas as informações sobre o tipo da flora escritas em braille. O recurso irá auxiliar os portadores de deficiência visual a conhecer e ter melhor contato com as espécies.

De acordo com o diretor do Jardim Botânico, José Targino Segundo Neto, além de serem informados sobre família, gênero e origem das plantas, os visitantes com deficiência visual também poderão sentir o aroma, a textura e o perfume das espécies, já que o jardim sensorial terá diferentes tipos de flora. “Nossa intenção é colocar espécies nativas da Mata Atlântica, mas também poderemos plantar leguminosas. O nosso objetivo é dar ao visitante a opção de sentir vários tipos de cheiros e texturas”, explica. Além da preservação ambiental, o biólogo ressalta que o jardim sensorial também irá proporcionar o direito à acessibilidade

Outros investimentos

Além do jardim, José Targino está realizando outras obras de reforma e ampliação do Jardim Botânico. O local, que está fechado para visitação pública, só será reaberto para os visitantes a partir de fevereiro, quando os trabalhos forem concluídos. Estão sendo construídos quatro quiosques que irão funcionar como ponto de apoio, lanchonete, unidade de primeiros socorros e loja para venda de produtos feitos à base de material reciclável. Moradores das comunidades São Rafael e Paulo Afonso, instaladas próximas do Jardim, irão produzir e revender esses objetos no local. Além disso, estão sendo feitas obras em outras áreas do parque.

“O auditório, com capacidade para 100 pessoas, será climatizado e equipado com datashow e tela de projeção para exibição de filmes e palestras educativas. A sala de vidro será transformada numa galeria para exposição de trabalhos artísticos. Também reforçamos a segurança e iremos montar um ponto de apoio médico”, destacou José Targino.

Além dos muitos hectares de Mata Atlântica, que são cortados por 13 trilhas bem sinalizadas para evitar que alguém se perca, o Jardim Botânico ainda conserva o prédio da primeira empresa de abastecimento de água que funcionou ali por volta dos anos de 1901.

No entanto, apesar de histórica, essa construção também estava abandonada e precisando de intervenção. “Essa construção está sendo recuperada e poderá ser visitada por qualquer pessoa, assim que as obras ficarem prontas”, salientou José Targino.

Jardim Botânico: local de descanso
 
Quem passa às pressas pela Avenida Dom Pedro II, em João Pessoa, nem percebe que perto dali, às margens dessa via, a natureza faz o relógio correr mais devagar. Contrastando com o ferrenho trânsito da pista, o Jardim Botânico, instalado dentro da Mata do Buraquinho, é um convite ao descanso e lazer. Além do verde intenso, o local tem clima agradável, ar fresco e um silêncio que só é interrompido pelo som dos pássaros. É um cenário ideal para caminhadas, corridas, passeios e programas em família.

Quando o parque for reaberto ao público, após a conclusão das obras, as pessoas poderão desfrutar das muitas atrações do lugar. A natureza exuberante do jardim lembra que não é a toa que João Pessoa mantém o título de cidade mais verde do Brasil. A Capital abriga, ‘1sozinha, 520 hectares de Mata Atlântica, a maior área em zona urbana no país. E bem no coração dessa floresta tropical pessoense que está o Jardim Botânico.

Andando em meio às árvores, as pessoas se encantam a cada passo. Há nascentes de águas cristalinas, grutas, rios, pontes e até curiosidades, como a trilha do “Abraço”, que recebeu este nome por causa de uma árvore da espécie Jequitibá que abraçou uma palmeira. As duas cresceram juntas e continuam assim até hoje.

Trilhas para todos os gostos

As trilhas são muitas e têm tamanhos diferentes. Algumas podem chegar a dez quilômetros e podem até sair em outra parte da cidade. Há trilhas que partem das proximidades do bairro do Castelo Branco e chegam ao Cristo e Rangel. Se existe preocupação no local, ela se deve só à segurança. Para trilhar pelo mato, as pessoas devem, obrigatoriamente, trajarem calças compridas em jeans e tênis.

Além disso, um policial acompanha todo o passeio. Há trilhas para todos os gostos: para prática de esportes, como corrida orientadas, e também para quem deseja apenas manter a saúde. Há trilhas para crianças, mas sempre são feitas com acompanhamento de policiais florestais.

Mas o parque não é apenas indicado a quem gosta de se aventurar pelo mato. Quem preferir ficar à sombra, fazendo um lanche e descansando também vai encontrar ambiente ideal para isso. O Jardim mantém sala com exposição de produtos feitos de artesanato. Ainda há vários poços artesianos que eram usados para fazer a filtragem da água, antes da criação da Companhia de Abastecimento de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa).

O Parque existe desde 2000. Além de área de lazer, é também usado para estudos de espécies da fauna e da flora. O local abriga várias espécies animais e vegetais típicas da mata atlântica. Entre as plantas estão sucupira, cajazeira (a árvore do cajá), copiúba (que serve de alimento para os sagüis), orquídeas e bromélias. Já os animais são tamanduá-mirim, cotia, raposa, preá, preguiça, borboletas e pássaros (pica-pau, sabiá, anum-preto e jacu).

“Apesar da beleza, esse lugar vinha recebendo cerca de 1.800 visitantes por ano. Quando assumimos, há menos de um ano, já aumentamos esse número para mais de 3.800 pessoas ao mês. Isso mostra que as pessoas estão gostando de nosso trabalho”, observa o diretor, José Targino Neto.

Nathielle Ferreira, da Secom-PB