Fale Conosco

23 de maio de 2013

Governo realiza fórum para discutir etnicidade e memória e a presença do povo nômade na Paraíba



Eles são nômades, têm, em comum, a origem indiana e a língua romani. Uma minoria étnica, conhecida como gitanos, boêmios, calons e quicos, mas, principalmente, como ciganos, e estão espalhados por 291 municípios do Brasil. Segundo levantamentos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2011, na Paraíba, os maiores acampamentos estão em quatro cidades – Brejo do Cruz, Cajazeiras, Riacho de Santo e em Sousa (onde o contingente populacional é mais significativo). Nesta sexta-feira (24), quando se comemora o dia da padroeira, Santa Sara Kali, e também o Dia Nacional dos Ciganos, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba realiza uma palestra com a cientista social e professora da UFPB, Patrícia Goldfarb.

A partir das 15h, no Auditório do Iphaep (Av. João Machado, 348, Centro de João Pessoa), a pesquisadora vai falar sobre “Etnicidade e Memória: Ciganos na Paraíba”. O evento é aberto ao público e inaugura o Fórum de Ciência e Cultura do Iphaep. “O fórum vai acontecer todos os meses para estabelecer uma ponte, que liga a comunidade aos especialistas, que vão expor temas ditos “científicos”, de uma maneira simples e acessível a todos”, explica o antropólogo e coordenador do evento, Carlos Alberto Azevedo.

Considerada uma das maiores especialistas em direitos e história do povo cigano – especialmente a comunidade calon, que se concentra no interior do Estado – , a pesquisadora Patrícia Goldfarb vai enfatizar que, na Paraíba, a maior concentração está em Sousa. No município do Sertão, desde 2006, existe o CCDI – 1º Centro Calon de Desenvolvimento Integral. “Entretanto, nossa pesquisa também mapeou famílias que vivem em Patos, Marizópolis, Teixeira, Monte Horebe, São João do Rio do Peixe, Mamanguape, Juazeirinho e Guarabira”, diz Goldfarb. “Durante a nossa explanação desta sexta-feira, teremos a presença de Caroline Leal Dantas do Nascimento, mestranda em Antropologia da UFPB, que vem realizando pesquisas, artigos e trabalhos científicos sobre Ciganos Calon em Patos”.

Potiguara – “Nas edições dos próximos encontros, dentro do tema geral, “Etnicidade e Memória”, vamos discutir as questões relacionadas ao povo Potiguara e aos quilombolas da Paraíba”, revela a historiadora Sylvia Brito, responsável pela secretaria geral do fórum do Iphaep.

Segundo o coordenador Carlos Azevedo, os temas estão ligados a uma série antropológica, que leva em conta que eles são relevantes para a comunidade que, cada vez mais, se interessa pela temática exposta pela mídia. “O fórum volta-se, antes de tudo, para assuntos polêmicos e de interesse social. Nossa meta é um debate amplo. Por isso, temos esse lado didático; comunicativo”.

O próximo encontro do Fórum de Ciência e Cultura do Iphaep está marcado para o dia 27 de junho, às 15h, no Auditório de João Pessoa. O professor Lusival Barcellos, da UFPB, vai falar sobre “Etnicidade e Memória: O povo Potiguara”. Autor do livro “Práticas educativas-religiosas dos Potiguara da Paraíba”, o pesquisador vai lembrar a história do povo indígena que habita o Litoral Norte, numa área de 33.757 hectares, nos municípios de Rio Tinto, Baía da Traição e Marcação. São mais de 15 mil habitantes, que vivem em 32 aldeias paraibanas.