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9 de dezembro de 2016

Iphaep encerra Acordo Cultural neste domingo com pinturas, atividades culturais e homenagens



Durante todo este domingo (11), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), estará “pintando” no Centro Histórico de João Pessoa. A partir das 14h00 e até às 20h00, estará sendo encerrado o Projeto Acordo Cultural, quando serão entregues as pinturas das fachadas referentes às edificações que se encontram pichadas no Largo São Frei Pedro Gonçalves e Praça Anthenor Navarro. Já os imóveis que ficam na Rua da Areia e o prédio da Associação Comercial da Paraíba ficaram para a segunda parte do projeto, que terá continuidade a partir da segunda-feira.

Mas, dando prosseguimento ao evento deste domingo, às 17h30, a vice-governadora Lygia Feliciano estará entregando comendas em homenagens aos padrinhos e patronos “Amigos do Patrimônio”. Os padrinhos e madrinhas são: Abelardo Jurema, Alex Filho, Astrid Bakke, Gerardo Rabello, Goretth Zenaide, Ricardo Castro e Thereza Madalena. Enquanto que os patronos são algumas empresas governamentais e privadas que estão engajadas e participando, ativamente, desta primeira etapa do Acordo Cultural: Energisa, São Braz, Iesp,Grupo Elizabeth, Mundo das Tintas, CDL/JP e Armazém Paraíba.

Durante a tarde, o público vai poder desfrutar de várias atividades – música, dança, pintura, grafite, gastronomia, artesanato, literatura, arquitetura, saúde, oficinas e exposições -, que estarão acontecendo em dois imóveis seculares da capital paraibana: a Praça Anthenor Navarro e o Largo de São Frei Pedro Gonçalves. Haverá, ainda, uma intervenção de grafite, com o tema de “Preservação do Patrimônio Cultural”, no muro do Conventinho, localizado na Praça Anthenor Navarro.

“O objetivo essencial do Projeto Acordo Cultural é “pintar” o Centro Histórico de João Pessoa, através de parcerias com setores da iniciativa privada, que apoiam a ideia pelo sentimento de responsabilidade social”, revela a diretora executiva do Iphaep. Segundo Cassandra Figueiredo, “esse é um projeto do Governo do Estado, elaborado e concretizado pela equipe do Iphaep, mas, efetivamente, é resultado da união de várias mãos: do poder público e dos setores privados, junto com a imprensa, moradores, artistas e grupos organizados da área histórica”.

A ação começou no início da semana passada, quando técnicos do Iphaep, com o apoio do S.O.S Patrimônio Histórico, se uniram a moradores e comerciantes da região do Varadouro, para realizar os trabalhos de limpeza e preparação dos imóveis, no intuito de que fosse realizada a pintura de fachadas das edificações que se encontravam pichadas.

“Todos nós, setores privados e públicos, estamos imbuídos do mesmo propósito e motivados pelo mesmo desejo: a preservação, valorização e proteção dos bens culturais, reconhecidos pela sua importância histórica e social para a nossa cidade”, explicou a diretora do Iphaep. “Nossa proposta é que, a partir do Acordo CulturaL, haja a construção de políticas públicas que permaneçam e que tornem ativa e pulsante a área inicial da capital paraibana”.

No entanto, a diretora do Iphaep explicou que o Acordo Cultural é mais do que a realização de uma pintura ou a retirada das pichações. “Ela busca fortalecer o sentimento coletivo de pertencimento, a partir do envolvimento de todos. A partir dessa união, passarmos a cuidar, ocupar e proteger os espaços públicos da nossa capital”, disse Cassandra.

Quanto ao Ministério Público da Paraíba, os esforços do Iphaep foram no sentido de que o órgão chamasse os diversos setores públicos para que, posteriormente à ação de pintura, seja definido um compromisso de responsabilidade, onde haja a participação direta de cada uma das entidades. “Isso se traduz na manutenção e segurança do local e, também, no incentivo e na promoção de atividades culturais permanentes no Centro Histórico de João Pessoa”, revelou a diretora do Instituto do patrimônio estadual.

Compromisso – “O Projeto Acordo Cultural surgiu da consciência de nosso compromisso com a sociedade e com os princípios de responsabilidade ética para com o patrimônio histórico, artístico e cultural da Paraíba”, ressaltou a diretora do Iphaep, adiantando que “é desta maneira que a nossa instituição quer incentivar a população a tornar-se guardiã de seu patrimônio, na prática da conservação, preservação e fiscalização dos bens culturais”.

A partir desta constatação, foi firmado que o público-alvo do Acordo Cultural seria formado por uma tríade: os moradores, os comerciantes e os transeuntes do Centro Histórico de João Pessoa. A área, delimitada e tombada pelo Iphaep, contempla, de um lado, o Varadouro ou Cidade Baixa, que fica localizado em torno do Porto do Capim, e, do outro, a Cidade Alta, que se desenvolveu com núcleo residencial e administrativo, ao redor das grandes edificações religiosas da capital paraibana.

A Educação Patrimonial é um dos pilares da atual gestão do Iphaep. E ela poderá ser efetivada por meio da arte dos grafiteiros de João Pessoa, que irão colorir alguns espaços previamente autorizados pelo Iphaep. A ação começa neste domingo, com o muro do Conventinho, no qual os artistas farão sua arte inspirados na temática da importância da preservação do Centro Histórico.

Terceira cidade mais antiga do Brasil, a capital paraibana foi fundada em 1585. Mais de quatro séculos depois, possui um conjunto de monumentos que preservam o seu traçado urbano original. Mas, já há algum tempo, João Pessoa vem sendo tomada pelas pichações, que entreveem em seus monumentos mais representativos. Os pichadores enfeiam a cidade e danificam os bens patrimoniais: em especial as edificações seculares, mas também os bens móveis e integrados, a exemplo do Obelisco da Praça da Independência.

A diretora executiva do Iphaep, Cassandra Figueiredo, lembrou os 45 anos do Instituto e sua função, no sentido de atuar na preservação e fiscalização do patrimônio histórico, artístico e cultural do Estado da Paraíba. “Suas atribuições estão dispostas na Lei 9.040/2009, afirmando que toda intervenção realizada em áreas protegidas, sejam em bens isolados ou em áreas delimitadas como Centro Histórico, deve passar pela análise e deliberação do Instituto e do Conpec, que é o órgão deliberativo do Iphaep”, disse a diretora. “Todas as propostas de intervenções são avaliadas de acordo com as diretrizes normativas da legislação vigente, de forma a preservar a imagem tradicional das áreas históricas e os elementos originais das edificações e espaços públicos”.

Segundo a Carta do Lyceu(documento lançado pelo Iphaep em 19 de agosto passado), a pichação não é uma intervenção positiva, pois interfere, negativamente, na paisagem da cidade, desrespeita monumentos e arquiteturas históricas e não agrega valor. Cassandra lembrou que: “Ao contrário das pichações, porém, os trabalhos de grafite já são considerados como obra de arte e meio de profissão para muitos artistas”. A partir desta visão, a ideia é que o Instituto estimule suas realizações, mas somente em áreas previamente especificadas pelo Iphaep. “Iniciaremos o trabalho dos grafiteiros neste domingo, com o muro do Conventinho. A intervenção é artística e integra a programação de encerramento da primeira fase do Projeto Acordo Cultural”.