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8 de junho de 2016

Iphaep discute intervenção dos pichadores e grafiteiros, nesta quinta-feira, no Lyceu



O que diferencia um pichador de um grafiteiro? Porque a pichação é considerada uma intervenção que danifica o bem público (em especial quando se trata de um imóvel tombado)? O que leva um grafite a ser visto como uma “obra de arte”? Estes são os temas que vão permear a discussão que acontece na tarde desta quinta-feira (9), a partir das 13h, no Auditório do Lyceu Paraibano (Av. Getúlio Vargas, Centro de João Pessoa). O Fórum “Arte das ruas e Cidadania: Grafiteiros e Pichadores em João Pessoa” terá como público os professores e estudantes da instituição de ensino. É uma realização do Governo do Estado, através do Iphaep – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba, e integra a Série: Antropologia Urbana & Cidadania.

Segundo o professor e antropólogo Carlos Azevedo, que coordena o Fórum do Iphaep, três são os objetivos do encontro: distinguir pichação/pichador de grafite/grafiteiro em ação nos centros urbanos, esclarecer sobre a proteção e a preservação da memória através do patrimônio histórico material e identificar a arte exposta nas “telas” urbanas como promoção de Educação Patrimonial. Na oportunidade, Azevedo fará uma palestra abordando o seguinte viés: “Dos grafites no Muro de Berlim à Arte das ruas em João Pessoa”.

A diretora executiva do Iphaep, Cassandra Figueirêdo, também é professora e arte educadora. Ela explica: “A pichação é uma intervenção que interfere negativamente na paisagem da cidade, desrespeita monumentos e arquiteturas históricas e não agrega valor, diferentemente dos trabalhos de grafitagens, que, hoje, já são considerados como obra de arte e profissão para muitos artistas”.

Segundo ela, o verdadeiro artista, que intervém em espaços urbanos, respeita o ambiente e as expressões culturais que representam a identidade de um lugar. “”Por isto, neste Fórum desta quinta-feira iremos tratar de um tema que vem afetando não apenas a cidade de João Pessoa, mas a Paraíba como um todo. As pichações estão presentes em muitos dos nossos municípios”, atesta a diretora do instituto do patrimônio estadual.

Além do Centro Histórico de João Pessoa, o próprio Lyceu Paraibano vem sendo alvo das pichações, que enfeiam e descaracterizam os imóveis históricos, tombados pelo Iphaep devido aos seus valores artísticos, arquitetônicos e históricos. No entanto, a área também abriga belos grafites. “Muitos deles são obras-primas da arte das ruas”, comenta Azevedo, destacando alguns dos artistas grafiteiros: Juan Ramos (neto do ativista cultural Pedro Osmar), Shiko, Lego, Zeca, Cyber, Jonta, Maíra Rosas, Gorpo e Rosivaldo Tavares de Santana.

Homenagem - O Fórum desta quinta-feira, no Auditório do Lyceu Paraibano, terá como mediadora a professora e historiadora Márcia de Albuquerque Alves, além de quatro debatedores: Carolina Batista de Souza (socióloga) Cassandra Figueirêdo (arte-educadora) Gabriela Pontes (arquiteta e urbanista) e Juan Ramos (grafiteiro). O cerimonial estará a cargo de Thyago Henriques. Antes da discussão começar, haverá a participação especial de Vant Vaz e o Coletivo Tribo Éthnos.

“Arte das ruas e Cidadania: Grafiteiros e Pichadores em João Pessoa” é uma homenagem, in memoriam, a Pablo Scobá Dub. O cantor e ativista cultural do hip hop foi assassinado no mês passado, na área do Centro Histórico de João Pessoa.