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10 de fevereiro de 2012

Internos do Juliano Moreira caem na folia para festejar o carnaval



A tarde desta sexta-feira (10) foi de muita alegria e descontração para dezenas de internos do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, que integra a rede hospitalar do Estado. Eles caíram na folia para comemorar o Carnaval. A festa foi animada pela banda Cabo Branco Frevo Orquestra e contou com a participação de estudantes do curso de enfermagem da Faculdade de Enfermagem Santa Emília de Rodat.

Havia homens vestidos de mulher e vice-versa, outros de cigano, palhaço, periguete, noiva, animais, super heróis e até mascarados – os internos caíram na folia assim que a orquestra começou a tocar frevo e marchinhas carnavalescas.

A dona de casa Maria do Livramento, que tem um filho internado por causa do uso de drogas, disse que essa foi uma das poucas vezes em que viu seu filho tão feliz. “Olha como ele está radiante de alegria, nem parece aquele rapaz que vivia pelos recantos das paredes de casa dizendo que queria se matar”, disse, sem conseguiu conter as lágrimas.

Quem também não conseguiu esconder a alegria foi a funcionária pública Josefa Domingues da Silva. A filha dela sofre de problemas mentais, por motivos que ela não quis revelar. “Eu não gosto de lembrar o que aconteceu para que minha filha ficasse assim”, afirmou a mãe, que chorou ao ver a jovem, de 22 anos, tão animada dançando frevo com um companheiro.

De acordo com o gerente de Ações Estratégicas do Juliano Moreira, Madson Souza, o objetivo do evento foi trabalhar o Carnaval como manifestação cultural da nossa região, buscando proporcionar um espaço para reinserção das pessoas em sofrimento mental com a sociedade.

Madson disse que, a partir das ações culturais desenvolvidas pelo Juliano Moreira, busca-se uma saída para enfrentar as diferenças existentes sem torná-las desigualdades, aprendendo a conviver com a diversidade. “A cultura popular agrega e desperta sensações que ultrapassam o tempo. É nesse clima carnavalesco, quando as pessoas transbordam de felicidade, que celebramos no Juliano Moreira”, comentou.

Segundo ele, o portador de distúrbios mentais passa a vida dentro de uma unidade saúde e esquece até do tempo, ficando alheio ao que está acontecendo lá fora. “Dentro na nova política de saúde mental, o paciente tem um tratamento especial, que transcende o uso de medicamentos. Ele tem carinho, respeito e, acima de tudo, será tratado com dignidade”, comentou Madson Sousa.