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25 de setembro de 2013

Inovação permite retirada segura dos respiradores artificiais de pacientes em UTI



Pacientes graves que respiram com a ajuda de aparelhos na UTI do Hospital Estadual de Emergência e Trauma, em João Pessoa, recebem inovação na assistência para retirada eficiente de ventiladores mecânicos, graças a uma rotina implantada no primeiro semestre deste ano no setor.

Trata-se do “Protocolo de Desmame” – como é chamada a rotina – vem garantindo maior rotatividade nos leitos e a consequente aumento no número de atendimento pela UTI. Antes da implantação do protocolo, 28 pacientes nos primeiros três meses foram beneficiados com a retirada dos tubos para respiração, enquanto que, após a rotina, 41 usuários, em igual período não precisaram fazer uso do equipamento.

O coordenador médico das UTI do hospital, Laécio Bragante, lembrou que além da implantação da nova rotina, a Cruz Vermelha Brasileira e Governo do Estado também reforçaram a prática através da aquisição de equipamentos modernos que têm tornado mais eficiente a conduta, como seis ventilômetros e seis manuvacuômetros – aparelhos utilizados na fisioterapia respiratória dos pacientes.

Ele informou que na área médica os protocolos servem para normatizar a assistência clínica e cirúrgica que dentre inúmeras vantagens, permitem que todos os profissionais com atuação na área passem a ter uma rotina mais homogênea e atualizada a seguir, de acordo com o que foi recentemente descoberto no ramo de assistência à saúde.

Qualidade de vida – A fisioterapeuta da UTI, Elane Fabíola de Sousa comemorou a iniciativa adotada na unidade. Segundo ela o “Protocolo de Desmame” tem gerado um ganho expressivo na qualidade de vida dos pacientes e na melhoria da assistência.

Elane explicou que a rotina na unidade começa com a busca e identificação diária de pacientes aptos clinicamente à retirada dos respiradores artificiais, onde uma junta de profissionais da enfermagem, medicina intensiva e fisioterapia realiza um check-list para avaliar se o paciente atende aos critérios mínimos visando retirar dele o ventilador mecânico.

Ainda de acordo com a fisioterapeuta, a segunda etapa do protocolo avalia a capacidade respiratória do paciente e após essa conduta inicia-se então a retirada dos aparelhos para respiração artificial e são adaptadas máscaras com a função de auxiliarem, se necessário, no suporte de oxigênio. “Após essa retirada, se o paciente ficar respirando sozinho por mais de 48 horas, o protocolo foi realizado com sucesso, caso contrário, são investigadas as causas do insucesso”, lembrou.

Elane informou que quase 100% dos usuários de uma UTI fazem uso de ventilação mecânica, e o maior problema nisso é o risco potencial de se desenvolver uma pneumonia associada ao uso do equipamento. “Graças à nova rotina buscamos diminuir a incidência deste tipo de patologia e suas complicações ao paciente”, disse.

Aparelhos de ultima geração – O Hospital adquiriu seis manovacuômetros e seis ventilômetros. O uso dos equipamentos permitirá avaliar, com precisão, a função respiratória e força da musculatura inspiratória e expiratória.

A avaliação realizada com o manovacuômetro oermite diagnosticar problemas como insuficiência respiratória decorrente de fraqueza, fadiga e de falência muscular, comuns em pacientes intubados ou que sofreram trauma pulmonar, ou ainda os que têm que permanecer por muito tempo deitados.

Já o ventilômetro funcionará como importante aliado no que diz respeito à avaliação de capacidade pulmonar. Junto com o manovacuômetro, consiste em importante recurso para os profissionais de fisioterapia que trabalham na instituição.

De acordo com a coordenadora da Unidade de Fisioterapia do Hospital de Trauma, Jardênia Marçal, os equipamentos são fundamentais: “Eles ajudarão não somente os pacientes em processo de desmame ventilatório (extubação), como também poderão favorecer treinamento de força muscular”, afirma.