João Pessoa
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Hospital Edson Ramalho participa de atividades alusivas ao Dia Mundial na Voz

quarta-feira, 16 de abril de 2014 - 18:15 - Fotos:  Walter Rafael / Secom-PB

Cantar muito alto, gritar, cochichar, pigarrear. Se para você estas atitudes são comuns e rotineiras, cuidado: elas podem alterar e trazer riscos à sua voz! Anualmente, em 16 de abril, é comemorado o “Dia Mundial da Voz”. A celebração já está em sua 16ª edição no Brasil – onde foi iniciada – e desde 2003 passou a ter expressão internacional. O resultado tem sido a realização de ações socioeducativas no Brasil e em diversos países como EUA, Espanha, Portugal, Bélgica, Suíça, Itália, Argentina, Chile, Venezuela e Panamá. Em 2014, mais nações estão integradas à causa.

Em João Pessoa, as atividades foram realizadas, das 8h às 17h, em vários pontos da cidade – uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde, por meio do Hospital General Edson Ramalho, a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia e a Sociedade de Otorrinolaringologia Paraibana, em conjunto com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Centro Universitário de João Pessoa (Unipê). O foco da campanha este ano é atingir os ciclos da vida, da criança até o idoso, portanto, há fonoaudiólogos em escolas, – trabalhando com crianças e professores – em asilos, institutos de longa permanência, nas clínicas e escolas da UFPB e do Unipê, no Hospital Edson Ramalho e no Hospital Napoleão Laureano.

De acordo com a fonoaudióloga coordenadora do curso de Fonoaudiologia do Unipê, uma das representantes da campanha em João Pessoa, Ana Karina Alves Fani, as pessoas fizeram uma espécie de triagem e, quando necessário, uma consulta com um otorrinolaringologista. “Estamos fazendo uma triagem vocal e, caso detectemos alguma alteração vocal, encaminhamos o paciente para fazer uma videolaringoscopia e, em seguida, verificamos se é necessário realizar alguma intervenção cirúrgica”, explicou. Na triagem, é feito um levantamento de sintomas vocais, queixas e o histórico delas. “Fazemos uma avaliação perceptiva-auditiva para saber se existe, ou não, uma alteração vocal”, disse Karina.

O sintoma mais constante nas avaliações é a rouquidão e, na maioria dos casos, ela acontece pelo mau uso da voz. Adriana Eugênia da Silva tem 43 anos e há três foi ficando rouca com cada vez mais frequência. “Eu sempre achei que ia melhorar e nunca busquei tratamento. Com o passar do tempo, fui ficando cada vez mais rouca e com dificuldades para falar”, comentou. “Faz um mês que procurei um otorrino e ele constatou um problema na garganta. Vou iniciar o tratamento o mais rápido possível”, disse Adriana.

De acordo com a Dra. Ana Karina, o “problema” mencionado por Adriana trata-se de um pólipo de prega vocal, decorrente de um abuso da voz. Um otorrinolaringologista fará um procedimento cirúrgico e a fonoterapia pré e pós-operatória atuará como coadjuvante no processo – diminuindo um edema, por exemplo. “A rouquidão pode ser temporária, mas se o abuso vocal persiste, pode acabar gerando alguma lesão e patologia na prega vocal”, alertou Karina. Se a rouquidão ou qualquer queixa vocal persistir por mais de 15 dias, é indicado marcar uma consulta com um fonoaudiólogo. “O importante é a prevenção, mas, caso aconteça alguma alteração, nós fonoaudiólogos estamos à disposição, especialmente nos hospitais, clínicas e escolas da UFPB e Unipê, com exames gratuitos”, comentou.

Hoje, no Hospital General Edson Ramalho – o único hospital da rede pública estadual que oferece os serviços desde a primeira edição da campanha – após a triagem, alguns pacientes estão indicados para consulta com um otorrinolaringologista. De acordo com a otorrino Keylla Cavalcante Alves, a intenção é observar através da videolaringoscopia alterações patológicas, detectar precocemente doenças neoplásicas da laringe (câncer de laringe) e também doenças benignas. “O fumo associado ao álcool (um potencializa o outro) é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de laringe. O sexo masculino, por estar mais associado ao fumo, é o mais acometido, são sete homes para cada uma mulher com câncer de laringe”, alertou. O tratamento depende de como está a lesão.

Pode ser mais conservador, como a quimio ou radioterapia. O diagnóstico precoce eleva consideravelmente as chances de cura – 80 a 90% dos pacientes são curados”, disse Keylla. Para ela, a maior forma de prevenção é não fumar. “Além de não fumar, é importante o indivíduo procurar um profissional quando percebe uma alteração na voz por mais de duas semanas. Caso o câncer de laringe seja diagnosticado, o paciente entra em contato com uma equipe multidisciplinar para iniciar o tratamento rapidamente e da melhor maneira possível”, concluiu.

Dia Mundial da Voz – Ao longo destes dezesseis anos, têm sido inúmeras as acções destinadas a promover a saúde vocal – rastreios, folhetos, entrevistas, reportagens nos media, conferências, jornadas, workshops, espetáculos. O objetivo da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia neste dia e na semana que o circunda é promover a conscientização da população sobre a importância da voz humana para a promoção da saúde, bem como realizar conscientização de sinais e sintomas que favoreçam o diagnóstico precoce de doenças, como o câncer de laringe, que podem comprometer a qualidade de vida e a própria sobrevida dos indivíduos.

A celebração do “Dia Mundial da Voz” é de extrema importância e representa uma oportunidade única de disseminar conhecimento, orientar a população, promover ações de saúde e auxiliar no encaminhamento adequado de problemas potenciais ou reais.

Sintomas

- Rouquidão persistente

- Perda da voz

- Pigarro

- Dor ou ardência na garganta

- Dificuldade para engolir

- Dificuldade para respirar

Dicas para cuidar da voz

- Não fumar;

- Não forçar a voz;

- Não gritar e cochichar;

- Manter o volume normal da voz e articular bem as palavras;

- Evitar falar excessivamente durante exercícios físicos, quando gripado ou com alguma crise alérgica;

- Não pigarrear excessivamente;

- Ingerir muito líquido fresco ou em temperatura ambiente;

- Evitar bebidas alcoólicas;

- Evitar alimentos que causem azia ou má digestão;

- Evitar ambientes com muita poeira, mofo ou cheiros fortes.