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Hospital de Trauma vai desafogar leitos com mutirão de cirurgias eletivas

quarta-feira, 11 de maio de 2011 - 19:20 - Fotos:  Claúdio César/Secom-PB

Quase 20 mil pessoas já foram atendidas esse ano no maior hospital da rede pública na Paraíba. O Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena atende hoje 50% acima da sua capacidade operacional, com 220 pacientes internos. Apesar disso, a unidade vem cumprindo determinação governamental de prestar socorro às vítimas que procuram a unidade com problemas que vão desde uma simples dor de cabeça a uma fratura exposta por acidente de trânsito, pois segundo o governador Ricardo Coutinho é preferível atendê-los nas macas a vê-los padecendo nas calçadas sem atendimento médico.

De acordo com estatísticas do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (SAME) do HETSHL, diariamente, a unidade presta assistência a 180 pessoas, e por mês uma média de 6.500 atendimentos nos setores de urgência e emergência. Quanto ao número de procedimentos cirúrgicos, dados revelam que mensalmente, 400 são feitos por profissionais na unidade.

Alguns pacientes internos revelam e dados estatísticos comprovam que a superlotação não é novidade na atual conjuntura do Estado, pois, em outubro do ano passado, por exemplo, o hospital atingiu uma média superior de cinco vezes da sua capacidade de internação com 797 internos. O mês de outubro foi quando ocorreu o maior registro com 894 pacientes internados.

Esse é o caso do motorista de 46 anos, José de Arimatéia Nogueira, vítima de acidente de moto. “Foi para este lugar que vim (extensão da área verde) quando dei entrada pela primeira vez no Trauma, em novembro do ano passado. Tudo que vejo hoje, vi ainda na primeira vez que estive aqui. As mesmas macas, os pacientes com os mesmos problemas”, disse.

Ele relatou que passou 10 dias internos e acusou o hospital de mandá-lo para casa, sem concluir o tratamento, pois exames de RX e ultrassonografia não diagnosticaram a fratura da coluna que tem, e o problema foi evidenciado com ressonância em fevereiro deste ano.

Já o motorista de caminhão, José Osman, revelou que também presenciou a mesma superlotação, no dia 13 de dezembro do ano passado quando foi internado no Trauma, vítima de acidente de caminhão e na época não fez cirurgia por conta da paralisação dos anestesistas da unidade, conforme alegaram.

O Jornal da Paraíba evidenciava à época, a criação da extensão masculina e feminina (com macas nos corredores) no 1º andar da unidade, em edição que circulou no dia 27 de janeiro de 2010 quando foi “criada ainda em 2009 uma sala especial com 19 leitos para atender a demanda do hospital”.

A diretora Geral do HETSHL, Fabiana Fernandes de Araújo, reconhece a superlotação da unidade, e disse que as primeiras medidas de sua gestão já estão sendo adotadas para resolver o problema, como um acordo selado na última quinta-feira (5), com o presidente da Cooperativa dos Ortopedistas (Coort) Luciano Lira, que essa semana com equipes extras iniciou a realização de cirurgias eletivas para desafogar a unidade.

Os cuidados na infra-estrutura do Trauma também foram iniciados na semana passada com a substituição da cobertura da unidade que há nove anos não sofria reparos. “As infiltrações e mofos, decorrente do período chuvoso também estão sendo retirados pelo setor de manutenção do hospital”, garantiu o diretor administrativo do Trauma, Ginaldo Lago.