João Pessoa
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Hospital de Trauma prioriza trabalho humanizado com pacientes, acompanhantes e funcionários

terça-feira, 26 de junho de 2012 - 12:12 - Fotos:  João Francisco/Secom-PB

Atenção, acolhimento e respeito à vida, desde a porta de entrada. É desta forma que os pacientes que chegam ao Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, são recebidos. Desde 2011, a unidade intensificou o programa de Acolhimento por Classificação de Risco, priorizando não apenas o atendimento nas emergências por ordem de chegada, mas, sobretudo, pela gravidade da condição clínica do paciente.

Sob os cuidados de uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais de saúde e assistentes sociais, ainda na recepção do hospital os pacientes são identificados e têm o atendimento definido. Ninguém fica sem receber atenção, mesmo nos casos daqueles que, por não se encaixarem no perfil de assistência médica do Trauma, são encaminhados para outra unidade de saúde.

Segundo a enfermeira Brunna Beatriz, ao chegar ao hospital, os pacientes logo recebem pulseiras com código de barra, que irá identificá-los. Num sistema informatizado, com o uso de cores – verde, amarelo, vermelho e azul – é definida a ordem prioritária de atendimento, conforme gravidade do caso. “Assim, otimizamos tempo e salvamos muitas vidas. Sem contar que humanizamos o contato inicial, fazendo as pessoas se sentirem acolhidas e bem assistidas”, destacou.

No sistema, as informações básicas armazenadas no código de barras da pulseira dão base para um registro virtual, que será completado pelos recepcionistas na hora de levantar os dados sobre o paciente, com o próprio ou com o acompanhante dele. “Antes levávamos cerca de três minutos para fazer uma ficha. Com os dados informatizados, o tempo caiu pela metade”, explicou o recepcionista Daniel Lemos.

Além disso, a instituição criou o Grupo de Trabalho em Humanização. Um dispositivo que tem como objetivo intervir na melhoria dos processos de trabalho e na qualidade da produção de saúde. É considerado um espaço coletivo, organizado e democrático que se destina a empreender uma política institucional de resgate da humanização na assistência à saúde, em consonância com a política nacional de humanização do Ministério da Saúde.

Segundo a coordenadora do GTH, Gorete Rezende, o grupo reúne, no mesmo fórum, profissionais de diferentes áreas do hospital. “O grupo é composto por recepcionistas, porteiros, seguranças, serviços gerais, pessoal administrativo, copeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, enfermeiros e médicos, permitindo que cada um vivencie a realidade do outro e contribua com sugestões que visem contínua melhoria do atendimento ao usuário”, explicou.

Para o diretor geral do Trauma, Ginaldo Lago, tratar os pacientes e acompanhantes com respeito e cordialidade, levando em consideração seus limites e sua cultura, deve ser prioridade para todos que fazem parte do Trauma. “Humanizar seres humanos pode parecer um paradoxo, mas precisamos sair da idéia de que o paciente é só enfermidade. Cada pessoa é um mundo, e nós, como humanos, precisamos aprender a lidar com as particularidades de cada um, suas crenças, estilo de vida e rede social. Ainda estamos em fase de planejamento, mas espero que possamos sair do discurso e pôr em pratica o que almejamos”, disse.

A gestão também realiza palestras sobre procedimentos e normas da unidade de saúde. A medida diária busca esclarecer dúvidas quanto aos direitos e deveres dos pacientes, além do funcionamento do Hospital. A ação faz parte do programa realizado pelo GTH.

Para a acompanhante Suzineide Nascimento, atividades como estas são importantes, pois, além de humanizar o ambiente hospitalar, esclarece dúvidas sobre procedimentos realizados com os pacientes. “Muitas vezes não sabemos como nos comportar diante dos nossos enfermos. Hoje obtive uma informação essencial para recuperação do meu parente, já que eu não sabia que não era permitido trazer alimentos para pacientes”, ressalta a acompanhante.

O acolhimento acontece todos os dias, na recepção administrativa, cerca de meia hora antes dos visitantes entrarem na unidade de saúde. Todo o processo é acompanhado por uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos e assistentes sociais da própria instituição.