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17 de fevereiro de 2016

Hospital Arlinda Marques participa de campanha internacional sobre Motricidade Orofacial



O Complexo de Pediatria Arlinda Marques, que integra a rede hospitalar do Estado, participa durante todo o dia desta quarta-feira (17) das atividades alusivas ao Dia Internacional de Motricidade Orofacial, um ramo da fonoaudiologia responsável pelo tratamento de disfunções relacionadas à articulação temporomandibular, mastigação, sucção e deglutição, que são as chamadas funções estomatognáticas, conjunto de estruturas bucais com funções em comum.  A ação acontece em todos os países que têm a especialidade de Motricidade Orofacial. O público alvo são as crianças que estão em atendimento para essas especialidades em parceria com o Centro Universitário de João Pessoa (Unipê).  A equipe de atendimento é formada por profissionais do Arlinda Marques e por estudantes do 7º e 8º períodos da disciplina Motricidade Orofacial.

O Hospital Arlinda Marques atende a cerca de 80 crianças por semana. De acordo com a fonoaudióloga Cecília Cavalcanti Bernardo Guedes, coordenadora do Setor de Fonoaudiologia, 90% apresentam problemas de Motricidade Orofacial. Cecília Cavalcanti ressaltou que os atendimentos ocorrem todos os dias, nos setores de clínica médica e cirúrgica, assim como na unidade de terapia intensiva (UTI).

Uma das crianças que passou pela avaliação médica foi Júlio César, de quatro anos. A mãe, Ivone Luciana, que mora no Bairro do Rangel, em João Pessoa, disse que percebeu dificuldades do filho em pronunciar as palavras corretamente. Ela contou que tentou por diversas fazer marcar uma consulta com um especialista pelo Programa de Saúde da Família (PSF), mas não obteve sucesso.  “Eu tomei conhecimento dessa campanha pelos meios de comunicação. Por isso, não perdi tempo e vim em busca de ajuda para o meu filho. Está sendo oferecido um atendimento especializado, o que me deixa confiante de que encontraremos a solução para esse problema”, disse.

Homenagem -  A coordenadora do Setor de Fonoaudiologia do Arlinda Marques, Cecília Cavalcanti, destacou que a campanha também é uma homenagem a Irene Marquezan, fonoaudióloga que trouxe a Motricidade Orofacial para o Brasil. “Tivemos uma grande adesão. Contamos com parceiros como a Universidade Federal da Paraíba e Funad, só para citar alguns”, afirmou ao destacar que o evento tem como proposta difundir a especialidade de Motricidade Oral e a importância da fonoaudiologia na adequação das funções de sucção, mastigação, deglutição e respiração.

Ainda de acordo com Cecília Cavalcanti, a Paraíba optou por focar a campanha na área pediátrica, com ênfase no teste da língua. As crianças com microcefalia terão atenção especial. Após detectados problemas de motricidade orofacial, os pacientes serão encaminhados para tratamento no Arlinda Marques e nas clínicas-escola da UFPB e do Unipê.

Motricidade orofacial -  O paciente que tem problemas de motricidade orofacial   sente fortes dores de cabeça que irradiam para o ombro e pescoço, busca diversos tratamentos e não obtém resultados. O trabalho do fonoaudiólogo aliado ao do odontólogo possibilita a eliminação desses sintomas, proporcionando melhor qualidade de vida. A motricidade orofacial trata de pessoas com problemas de bruxismo ou deslocamento mandibular. Muitos pacientes com problemas mentais têm disfagia (dificuldade de deglutição) ou fissura labiopalatina, que dificultam a mastigação, deglutição e sucção. Atualmente, a motricidade orofacial abrange também a estética facial, modelando a musculatura do rosto de acordo com o paciente. Essa terapia só pode ser feita por um fonoaudiólogo, de acordo com o Conselho Federal de Fonoaudiologia.

Deve-se ressaltar a enorme importância do trabalho conjunto entre a fonoaudiologia e a ortodontia. Sabe-se que alterações dentárias e ósseas podem interferir nas funções de mastigar, deglutir, falar e respirar. Assim, quando não estão sendo realizadas de maneira adequada, podem causar ou contribuir para o surgimento de alterações dentárias.

A fonoaudiologia tem como um de seus objetivos o restabelecimento destas funções visando o equilíbrio oromiofuncional. O trabalho da fonoaudiologia visa, sobretudo, prevenir, habilitar ou reabilitar as funções estomatognáticas. Sendo assim, deve-se sempre levar em consideração a tão discutida relação forma x função. Prioridade é a ortodontia, quando a forma está interferindo na função.

A prioridade é o tratamento fonoaudiológico e, por isso, a parceria entre fonoaudiologia e ortodontia é fundamental quando possibilita a discussão de casos, cabendo aos profissionais envolvidos analisarem as prioridades de tratamento para cada paciente.