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15 de maio de 2009

Hospital Arlinda Marques melhora qualidade de assistência



O Hospital Infantil Arlinda Marques iniciou um ciclo de treinamentos, através da Comissão de Controle da Infecção Hospitalar (CCIH), que foi reativada pela atual gestão para melhorar a qualidade da assistência prestada a quase 500 pacientes que procuram mensalmente a unidade. O hospital é considerado referência estadual no atendimento de alta complexidade para pacientes de 0 a 14 anos. A capacitação serviu para reciclar quase 80 profissionais e comemorar a Semana Nacional de Controle da Infecção Hospitalar, que terminou nesta sexta-feira (15).

Durante cinco dias, os profissionais que trabalham na unidade receberam instruções para diminuir os riscos de infecção hospitalar, principalmente em locais considerados vitais para sua propagação (como o setor de higienização e limpeza, laboratório, enfermagem e UTI). Os pacientes mais propensos ao problema são aqueles com longa permanência no âmbito hospitalar, em especial nas Unidades de Terapia Intensiva.

De acordo com a presidente da CCIH do Arlinda Marques, Emília Gonçalves, os profissionais foram orientados para realizar a coleta e transporte de culturas, receberam recomendações para o controle da infecção hospitalar e sobre como evitar e proceder diante de acidentes ocupacionais e tratamento das feridas. “Além da capacitação, nós iremos desenvolver um trabalho chamado de busca ativa para levantar os dados e taxas de infecção hospitalar que não era feito pela gestão anterior”, lembrou.

Agravantes – Ela informou que além da falta de treinamento e reciclagem, outros fatores agravam o problema dentro dos hospitais, como a higienização incorreta das mãos, o uso inadequado de antibióticos, a falta de estrutura ou estrutura inadequada, a inexistência de laboratórios de microbiologia no serviço para orientar o uso correto dos antibióticos e consequentemente o tratamento, e finalmente, a falta de produtos de higiene e limpeza de boa qualidade com registro no Ministério da Saúde, além da inexistência de normas e rotinas.

Segundo Emília Gonçalves, os pacientes mais vulneráveis à infecção hospitalar são os bebês, as pessoas com imunodepressão ou àquelas que estão nas UTIs. Quando instalada no organismo, a infecção hospitalar traz problemas como infecção urinária e respiratória e infecção na corrente sanguínea.

A presidente da CCIH do Arlinda Marques destacou que dados do ministério da Saúde apontam que os índices de infecção hospitalar nas unidades públicas brasileiras variam entre 11 a 13%, considerados ainda elevados quando comparados a outros países, como os Estados Unidos, que possui 3,5%. No mundo se confirma uma taxa de 5%.

Não existe ‘infecção zero’ – Já a presidente da Comissão Estadual de Controle da Infecção Hospitalar, Helena Germóglio, informou que não existe ‘taxa zero’ de infecção hospitalar e que o problema vai sempre existir. “Existem casos que são preveníveis, tratáveis e outros que levam o paciente a óbito”, argumentou.

A comissão estadual monitora, treina, normatiza, orienta e avalia as comissões de 34 hospitais públicos e privados de alta complexidade, sendo 22 em João Pessoa e 12 em Campina Grande. Os demais hospitais recebem esse mesmo tipo de assistência pelos órgãos municipais de Vigilância Sanitária.

A comissão, em parceria com o Ministério Público e Vigilância Sanitária de João Pessoa e Agevisa, vem inspecionando as centrais de esterilização de material, terceirizadas pelos hospitais para esterilizar materiais com óxido de etileno, que não podem ir para a autoclave. “Cada unidade, recebe a inspeção uma vez por ano. Caso haja alguma irregularidade, nós notificamos o hospital, depois retornamos para averiguar se houve cumprimento ou não das normas”, disse Helena Germóglio.

Lavar as mãos – Segundo a infectologista, o princípio básico de controle da infecção ainda é a higienização das mãos, pois é através delas que o problema é transmitido de paciente para paciente, caracterizando a chamada ‘infecção cruzada’. Outro grande problema das comissões é controlar o uso de antibióticos prescritos para as infecções que provocam a chamada superinfecção.

A médica informou que não basta abrir uma CCIH. É responsabilidade de cada diretor de hospital fazê-la funcionar bem, para que possa atuar de forma eficaz, através de uma parceria com todos os setores, principalmente com a enfermagem, considerada peça-chave. “Não existe taxa ideal de infecção hospitalar, pois cada unidade tem suas peculiaridades”, pontuou.

É nos hospitais de alta complexidade que existe maior probabilidade de desenvolvimento do problema, cuja porta de entrada ainda está nos procedimentos invasivos, como as cirurgias. Para Germóglio, a quantidade de vezes que o paciente é manipulado e a patologia básica que ocasionou a sua internação são determinantes para o desenvolvimento do problema.

Prejuízos – “Além dos prejuízos para os portadores da doença, a infecção hospitalar traz prejuízos para os cofres dos hospitais, pois, dependendo do caso, aumenta em até 10 vezes os investimentos para o tratamento. Uma infecção urinária multiplica em até 4 vezes os custos, uma pneumonia associada à ventilação chega a sete vezes. Há pacientes que utilizam geralmente dois tipos de antibióticos mais um antifúngico de última geração, sendo que cada ampola do último medicamento chega a custar R$  1 mil”, argumentou.
 
Dicas para a população
– Procurar sempre um hospital que tenha Comissão de Controle de Infecção Hospitalar
– Evitar visitar pacientes quando estiver com qualquer tipo de infecção
– Não sentar na cama, nem utilizar pertences dos pacientes
– Evitar levar alimentos e flores para dentro dos apartamentos
– Higienizar as mãos antes e após as visitas
 
Dicas para hospitais
– Treinar e reciclar os profissionais
– Realizar a busca ativa dos casos de infecção e investigar as causas
– Monitorar o perfil bacteriano do hospital, através dos coeficientes de sensibilidade e resistência
– Aconselhar sobre o uso prudente de antibióticos