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História do município de Rio Tinto começa a ser preservada pelo IPHAEP

quinta-feira, 20 de maio de 2010 - 09:28 - Fotos: 
A história do município de Rio Tinto começa a ser preservada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba. O Conselho Deliberativo do órgão aprovou, por unanimidade, o tombamento da Igreja de N.S. dos Prazeres, conhecida como Igreja dos Índios.  

O imóvel está localizado em Monte-Mor (antiga Vila Regina), área habitada por remanescentes dos potiguaras, e, segundo relatos orais dos antigos indígenas, tem mais de 200 anos de existência. O pedido de tombamento foi feito em 2000, pelo cacique Adailton Cordeiro Campos, sendo instruído pelos então técnicos do patrimônio estadual.

Somente dez anos depois, como resultado de um mutirão realizado pelo IPHAEP, para agilizar processos antigos de outras gestões, é que ele foi posto na pauta do Conselho Deliberativo.

No parecer, o conselheiro Carlos Alberto Azevedo explicou como se deu a tramitação do processo, salientando que, “normalmente, os gestores e teóricos de políticas de patrimônio histórico quase nunca pensam no patrimônio cultural das minoras étnicas, isto é, afro-brasileiras, indígenas, ciganos e de outros grupos participantes de nosso processo civilizatório. Afinal, todos eles têm direito à memória, como é o caso do Sítio Acais, em Alhandra, cujo tombamento já foi aprovado por este Conselho”.

Núcleo Fabril
- Na mesma reunião, foi aprovado o cadastramento de outro imóvel localizado no município de Rio Tinto: o Casarão Lundgren, também conhecido como Palacete dos Lundgren.

E, seguindo o parecer de Carlos Azevedo, os conselheiros aceitaram a ampliação da ação preservacionista, incluindo todas as construções erguidas pela família no antigo núcleo fabril, inclusive as vilas operárias.

O documento do conselheiro justificava que o patrimônio industrial da Paraíba encontrava-se sem proteção legal e que a salvaguarda do bem deve acontece através do cadastramento, que assegura, consequentemente, ao tombamento definitivo.

 “Não se deve esquecer de que Rio Tinto é talvez a única cidade-fábrica que sobreviveu aos “destroços urbanos” (a expressão é Alberto Mawakdiye), conseguindo até o momento manter-se mais ou menos intacta, com seu desenho urbano original, tornando-se, assim, um exemplo vivo de patrimônio industrial da primeira metade do século XX”, explicou Carlos Azevedo. “Além disso, Rio Tinto é um sítio histórico-industrial que reflete a construção da memória empresarial e é de suma importância para qualquer estudo e pesquisa de arqueologia industrial”.

Thamara Duarte, da Assessoria de Imprensa do Iphaep