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17 de novembro de 2011

Hemocentro realiza mutirão para detectar risco de AVC em pessoas com anemia falciforme



O Hemocentro está participando da campanha nacional de prevenção de derrame cerebral em crianças com anemia falciforme, intitulada “Doppler Transcraniano contra o AVC”. Nesta sexta-feira (18), a partir das 8h, o médico Camilo Viera, pediatra e neurologista do Hospital das Clínicas de Salvador, estará no hemocentro fazendo exames de doppler transcraniano (DTC), gratuitamente, em crianças e adolescentes dos 2 aos 16 anos de idade que já tenham sido diagnosticadas com anemia falciforme.

Vieira é especialista na realização desse procedimento, no qual o paciente é submetido a um ultrassom da cabeça. Por meio dele, é possível verificar a probabilidade de essas crianças sofrerem um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. Crianças e adolescentes das cidades de Salvador e Itabúna (BA), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Natal (RN), Maceió (AL), São Paulo e Marilia (SP) já foram beneficiados pela campanha.

O exame evita o desencadeamento do AVC e, consequentemente, o surgimento de sequelas graves para os falcêmicos. Segundo a coordenadora dos médicos do Hemocentro da Paraíba, Sandra Cibele, o mutirão será importante para salvar a vida de crianças e adolescentes paraibanos. “Nossa intenção é fortalecer o cuidado às crianças e aos adolescentes com anemia falciforme, para que tenhamos mais controle e menos consequências da doença”, destacou.

Tratamento – Os pacientes com anemia falciforme podem receber tratamento no Hemocentro da Paraíba e também nos hospitais universitários Lauro Wanderley (em João Pessoa) e Alcides Carneiro (em Campina Grande). No Hemocentro, os pacientes passam por exames periódicos de hemograma, sorologia e eletroforese de hemoglobina pelo método Cromotografia Líquida de Alta Resolução (HPLC), além de receber medicação. O tratamento é realizado por uma equipe multiprofissional, formada por médico (hematologista), enfermeiro, assistente social, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista e odontólogo.

Só no Hemocentro da Paraíba são atendidos 45 pacientes com anemia falciforme – e aproximadamente 30 deles são crianças. A expectativa é que pelo menos 20 dessas crianças realizem o exame nesta sexta-feira. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) está organizando um grupo de cuidado às pessoas com doença falciforme que permitirá a estruturação da rede de atenção envolvendo laboratórios, hemocentros, hemonúcleos, maternidades e controle social.

Teste do pezinho – A anemia falciforme é diagnosticada por meio do teste do pezinho, que é feito em todas as maternidades do Estado. Mas os adultos que não tiveram o diagnóstico da doença quando criança podem procurar o Hemocentro da Paraíba para realizar o exame de verificação, que se dá pela coleta de cinco mililitros de sangue para análise no ambulatório de hematologia.

O Estado conta atualmente com 163 postos de coleta que fazem o teste do pezinho na fase 2 (exame que detecta a doença falciforme, além de fenilcetonúria e hipotireoidismo em recém-nascidos). Segundo dados fornecidos pelo Lacen/PB, no período de março de 2010 a fevereiro de 2011, foram realizados 39.093 exames, sendo que seis recém-nascidos foram diagnosticados com a anemia.

Doença falciforme – A anemia falciforme é uma doença hereditária que afeta os glóbulos vermelhos. Nas pessoas que apresentam essa patologia, a hemoglobina dentro dessas células assume formato de foice ou meia-lua, enquanto a hemoglobina normal é arredondada e maleável. Por isso, essas células acabam ficando presas nos vasos sanguíneos, atrapalhando a circulação e provocando dor.

É uma doença hereditária, mais comum na população negra ou de ascendência africana. Uma pessoa pode herdar dos pais o gene característico da doença falciforme e, dependendo da combinação genética, este pode não apresentar a anemia, e sim um traço falciforme. As pessoas que apresentam traço falciforme são saudáveis e, portanto, não precisam de tratamento, porque a doença não se desenvolverá. Entretanto, é necessário ter orientação e informação genética.