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21 de outubro de 2011

Hemocentro e Secretaria de Saúde de JP realizam curso sobre herança falciforme



O Hemocentro da Paraíba e a Secretaria de Saúde de João Pessoa realizam, no próximo dia 25, o Curso de Orientação Genética em Herança Falciforme. O evento será no auditório do Hemocentro, das 8h às 17h, e terá como principal objetivo capacitar profissionais de saúde e membros de equipe multidisciplinar, envolvidos direta ou indiretamente com as pessoas com doença falciforme ou portadoras de traço falciforme, e seus familiares. O público desta qualificação serão as equipes da triagem neonatal dos postos de coleta do teste do pezinho, bem como equipes da atenção básica e demais profissionais envolvidos com  doença falciforme.

De acordo com Dandara Correia, coordenadora da Atenção Básica da Secretaria de Saúde de João Pessoa, na área temática da saúde da população negra, o curso integra as ações do Ministério da Saúde (MS) voltadas para a política de atenção à saúde da população negra. “Vamos discutir as formas de orientação e informação genética dos portadores de doença ou traço falciforme, esclarecendo sobre os riscos, consequências, tratamento e sequelas que, por ventura, possam ocorrer”, disse.

Anemia Falciforme – Este tipo de anemia é uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil e depende de um par de genes que a pessoa recebe do pai e da mãe. Os principais sintomas são dores intensas, que não cedem a remédios comuns, infecções frequentes e olhos amarelados. Também podem ocorrer complicações, como derrame cerebral e úlcera de perna.

A doença é uma modificação dos glóbulos vermelhos, causada por alterações genéticas. As hemácias de quem tem o problema podem causar obstruções dos vasos sanguíneos, que geram dores de intensidade variáveis e lesões em órgãos, músculos e juntas. A anemia falciforme não tem cura, mas tratamento. Quem sofre da enfermidade pode ter uma vida normal, desde que siga alguns cuidados.

A doença falciforme é reconhecidamente um grave problema de saúde pública mundial, com grande impacto na morbimortalidade da população acometida pela doença. Na década de 80, um amplo estudo multicêntrico comprovou que a introdução precoce de penicilina em recém-natos com anemia falciforme impactava significativamente na sua história natural, reduzindo a mortalidade nos primeiros cinco anos de vida. Esse achado fez com que os programas de triagem neonatal em todo o mundo incluíssem a pesquisa da hemoglobina S, dependendo da composição étnica de cada população.

No Brasil, a doença é reconhecida pelos profissionais de saúde como de alta prevalência há vários anos.O problema também foi reconhecido pelo MS, que, a partir de 2001, introduziu a fase II do programa brasileiro de triagem neonatal, com o objetivo de identificar precocemente a pessoa com doença falciforme.

Desde os primeiros resultados de prevalência encontrados no País, a triagem neonatal evidenciou a necessidade de organização de um sistema de acompanhamento daqueles pacientes, estabelecendo-se, então, a Política de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme.Essa política, de cunho nacional, encontra-se em franca construção, contando com a adesão paulatina dos estados da união que já realizam a triagem em fase II.